É difícil escrever sobre experiências novas quando há uma mistura de sensações boas e relaxantes. Estamos tão anestesiados do dia a dia em redes sociais, da correria do trabalho e de obrigações da vida adulta cotidiana que esquecemos como é apreciar arte de verdade e da forma correta: desprendidos do tempo e da pressão psicológica.
Keeper me descolou da realidade por umas 5 horas, me levando a uma aventura onírica gostosa e contemplativa – e isso foi ótimo! Evocou uma série de outras aventuras já vividas, mas sem perder seu absoluto frescor, com colheradas gigantes de muito vislumbre mágico com cenários e elementos visuais MUITO belos, jamais repetitivos. É como se entrasse numa pintura coloridíssima e rica em detalhes, despreparado para querer sair dela…

Lee Petty, o diretor criativo do jogo, manda outra pedrada novamente com a Double Fine, contando a história de um farol que ganha vida e salva Ramo, um pássaro fofo e peculiar que o ajuda em toda a jornada até a montanha nevada desde o começo. Jornada a qual fisga demais e me deixou grudado na tela, constantemente engajado. Vale a pena ler a carta publicada pelo diretor, dando completo sentido a toda a narrativa do jogo antes e depois de experienciá-lo.
A ideia louca do jogo atiça a curiosidade e prende do começo ao fim com mecânicas extremamente satisfatórias, envolvendo desafios de plataformas, quebra-cabeças, leves lutas e mais. Também vale dizer que o fator surpresa é um dos seus maiores triunfos, então é bacana ir a ele o mais “cru” possível. Tal combinação de mecânicas variadas e muito criativas, com surpresas encantadoras que me mantiveram sempre no flow, agregam mais satisfação ao que pode existir de mais prazeroso em um videogame. Existe um game design absurdo de bom, quase inexplicável!

É muito interessante ver como alguns recursos foram reutilizados pela Double Fine, como alguns traços de personagens, estudos e partes de cenários, já vistos em outros games e vídeos documentados. A direção de Lee Petty e a liderança de design do Asif Siddiky no projeto dizem muito a respeito do que foi feito nessa obra e fica muito clara a evolução que tiveram no seu trabalho enquanto uma equipe criativa excelente.
Eu estaria me esforçando à toa e me repetindo, sim, ao tentar descrever a beleza de Keeper. O jogo é lindo de morrer! Cada área é um quadro pintado no seu monitor ou na sua TV, é até difícil descrever. Nele, há ambientes e criaturas vivas mais bonitas e encantadoras que já devo ter visto na história dos videogames, transpostos por uma jogabilidade redondinha, polida e muito satisfatória. Aposto muito que encantaria tanto assim a quem estiver disposto a começá-lo e desejo todo o sucesso do mundo a essa obra, apesar do marketing vergonhoso e todas as outras questões problemáticas atuais do Xbox.

Não havendo tantas palavras para descrever bem essa experiência primorosa da Double Fine, de tão maravilhado que fiquei, recomendo que apenas joguem Keeper!
