Crítica: Angel’s Egg é uma estonteante viagem ao desconhecido e está volta às telonas do Brasil em versão remasterizada

angel's egg

Dirigido por Mamoru Oshii, o mesmo responsável por algumas das adaptações aos cinemas dos maiores clássicos de ficção científica dos anos 1990, como Patlabor e Ghost in the Shell, e com a estonteante arte de Yoshitaka Amano, o conhecido artista conceitual da série Final Fantasy, Angel’s Egg está de volta aos cinemas do Brasil, 40 anos após seu lançamento original, com cópias remasterizadas em 4K, distribuídas pela Sato Company.

O filme, que conta com um desenrolar muito diferente do que pode ser considerado um anime tradicional, carecendo de uma narrativa com estrutura de começo, meio e fim, é um verdadeiro deleite aos sentidos. Angel’s Egg nos apresenta a dois personagens que acabam se encontrando por acaso e, por via do destino, percorrem o mundo bizarro do filme, em posse de um ovo. Segundo a menininha, ele carrega um filhote de pomba, mas o guerreiro que a acompanha tem suas dúvidas, deixando nós, o público, também com a pulga atrás da orelha no decorrer dos pouco mais de 70 minutos deste longa-metragem.

Por se tratar de um trabalho de Amano e tendo ideia da beleza de suas obras no decorrer das décadas, afinal, Final Fantasy surgiu pouco após o filme chegar aos cinemas pela primeira vez, é incrível notar as semelhanças do traço entre Angel’s Egg e as eventuais artes que caracterizariam a icônica franquia da Square Enix. Aqui, vemos a dupla protagonista com o visual que remete diretamente ao estilo do artista, com seus olhos enormes, pensativos, repletos de um aparente significado oculto, além, é claro, dos detalhes de trajes, efeitos ainda mais significantes quando animados.

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Em termos gerais, por se tratar de um longa sem muita história mas cheio de alusões, Angel’s Egg se diferencia de outras animações de cunho mais artístico, porque por mais que seja algo que exista para fascinar quem assiste com seus visuais e trilha sonora marcantes, não faz grandes rodeios. No pouco diálogo que existe, ele entrega alguns pontos com os quais somos capazes de fazer ligação com histórias já conhecidas, especialmente a de Noé e sua Arca, no mundo inundado e deserto do filme.

Angel’s Egg é uma experiência sinestésica que se beneficia do talento não só de Amano, mas também de Oshii e a equipe de animação, que conseguem trazer para a tela uma experiência cinematográfica emocionante sem a necessidade de um pingo sequer de ação. Claro, outro clássico da mesma época, Akira, nos deixa sem fôlego de começo a fim, mas este daqui consegue um efeito contrário, mas de intensidade semelhante, mantendo o público colado ao assento até a sua conclusão.

Mesmo sendo um longa animado produzido analogicamente, Angel’s Egg passou por um cuidadoso tratamento digital em sua remasterização, e o resultado é uma qualidade de imagem possivelmente ainda melhor que a versão original, mas que mantém o traço manual e de extremo detalhe, a assinatura de produções feitas da maneira que este foi em 1985. Apesar de ser um chavão, ter a oportunidade de ver esta obra nos cinemas é de fato imperdível para os adoradores de anime, mas também os cinéfilos que apreciam uma apresentação singular em seus filmes. 

Angel’s Egg em versão remasterizada chega às salas do Brasil na próxima quinta-feira, dia 20, com distribuição da Sato Company. O Entertainium Brasil agradece o convite da assessoria à sessão antecipada para produção desta matéria.

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