Review: Beck aterrissa em nossas terras trazendo humor pastelão e muita música

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Beck sempre foi um dos mangás mais pedidos entre o público brasileiro consumidor de mangás, então quando a editora MPEG finalmente anunciou que seria a responsável por sua publicação por aqui, muitos leitores comemoraram a oportunidade de conferir essa tão falada obra de Harold Sakuishi.

Trazido para cá no formato tankobon, ou seja, contendo o equivalente a duas das edições originais em um só volume, totalizando 17 no total, o mangá conta a história de Yukio Tanaka, um garoto japonês que aos 14 anos ainda não vê um propósito para sua vida. 

Sem sorte com as garotas e carecendo de um talento sequer, o menino vivia uma existência completamente esquecível até conhecer Ryusuke Minami e seu cachorro, Beck, que Tanaka acaba salvando de um grupo de arruaceiros. Ele descobre que Minami é um talentoso músico em busca de formar seu próprio grupo, depois de ver a atual composição se desfazer, já que sua personalidade entrou em conflito com seu colega, com ambos vindo a se tornar rivais.

A influência de Ryusuke logo faz florescer em Yukio a vontade de saber mais sobre música, ele que somente tinha interesse em uma artista pouco conhecida de Okinawa e, eventualmente, a vontade de aprender a tocar guitarra. Nesse meio tempo, sua ex-colega de primário, Izumi, volta a fazer parte de sua vida como uma amizade de longa data, sempre incentivando o menino a continuar no caminho da música.

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Maho é de início bastante hostil com Yukio, mas depois de perceber o talento cru do menino como vocalista, começa a se aproximar dele. Será que vai ter mais que só uma amizade entre eles?

Neste primeiro volume de Beck também somos apresentados a Maho, a irmã de Minami, que como seu irmão, vê-se deslocada entre a molecada japonesa por ter morado fora do país, perdendo muito do seu contato com o idioma, o que a leva a não gostar de Tanaka logo de cara. Mas isso rapidamente muda quando ela descobre o potencial dele para se tornar um vocalista, que mesmo sem saber muito sobre o rumo da história geral, é óbvio que é o tema recorrente do mangá.

Outro aspecto interessante desse início da trama é a apresentação de outros membros do novo grupo em potencial. Temos figuras bastante carismáticas como Chiba, um cantor arruaceiro com uma forte personalidade e dedicação a quem Ryusuke de início se vê em conflito por dever uma boa grana, e Taira, o baixista taciturno que guarda uma seriedade ferrenha pela arte da música. As personalidades deles já se mostra forte e há bastante espaço para o seu desenvolvimento em futuros volumes de Beck, com toda certeza. 

Apesar de nessas quase 600 páginas iniciais termos uma boa quantidade de enrolação, havendo muita da característica humilhação do protagonista por ser um adolescente e com isso estar sempre incerto sobre o que fazer e muitas vezes meter os pés pelas mãos nas mais diversas situações, muito comum em mangás shonen (para garotos), há também um desenvolvimento contido de sua personalidade, especialmente depois que descobre seu interesse em se tornar um músico amador. Até o final do primeiro volume, já temos montada a estrutura em que a história será montada, que com um ritmo rápido de leitura, fará com que você queira logo continuar a leitura com o segundo e adiante.

No entanto, há algumas ressalvas. Beck conta com o seu interesse em música e um certo conhecimento prévio sobre diversos termos e referências tanto do mundo artístico mundial quanto japonês, infelizmente carecendo de um cuidado maior por parte do editorial em incluir mais notas de rodapé ou até um glossário para elucidar muito do que é mencionado no decorrer da trama. Personagens jogam nomes de artistas e palavras que teriam ganhado mais significado se houvesse explicações sobre elas em alguma parte do volume. Pior, o pouco que há nesse quesito é bem raso.

Isso também acontece com relação ao próprio idioma original da obra. Na tradução, muitas expressões idiomáticas passam batido, do tipo de coisa que outras publicações tiveram mais cuidado em explicar ou até adaptar. Por ter alguns personagens que não são 100% imersos na cultura local, há também o uso constante de falas em inglês, que por ter um destaque por parte da justificativa de texto corrido no letreiramento, saltam ao olhar, distraindo ainda mais o olhar da arte de Sakuishi.

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O volume de Beck publicado pela editora MPEG é muito bonito; chega no formato tankobon, contendo duas edições em 1, sobrecapa com verniz localizado e orelhas, marca-página e cartão postal temáticos. (Preço de capa: R$59,90)

Por si só, o volume 1 de Beck ainda não nos fisgou da mesma maneira que outros mangás contemporâneos como Asadora (da Panini) nos fazendo ficar ansiosos para ler a próxima parte. Sim, há interesse em ver como a história de desenvolve e todos os perrengues que Tanaka, Minami e o resto da banda vão se meter, mas dentre as diversas opções no cenário de publicações do gênero no Brasil, sem falar na competição com o alto investimento na hora da compra de novas revistas em nosso país, vai demorar um pouco até vermos o próximo review dessa nova série aqui no site. Mas que ele virá, bom, virá.

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