Que o mundo profissional de hoje em dia está cada vez mais concorrido, ninguém discute. A tecnologia, por mais que nos ajude em muitas tarefas, está cortando as bordas de muitos trabalhos antes dependentes das qualificações de profissionais talentosos. Baseado no livro The Ax, de Donald E. Westlake, A Única Saída, o novo filme de Park Chan-Wook, o mesmo diretor do clássico Oldboy, leva isso ao extremo, ao colocar Lee Byung-hun (de Eu Vi o Diabo) no papel de um veterano da indústria do papel com uma vida confortável, mas que se vê em crise após perder seu emprego.
Desesperado para manter o estilo de vida seu e de sua família, junto de sua esposa Son Ye-Jin (A Última Princesa), tenta outros ramos de trabalho, sem sucesso, até chegar à conclusão que precisa conquistar uma vaga na última grande empresa de celulose da Coreia do Sul. O problema é a concorrência, mas isso é um mero detalhe para ele. “Vou aniquilar todos!”, diz ele, e é exatamente o que planeja fazer, e nisso descobre um lado deveras sombrio de sua pessoa, capaz de cometer atos insanos para alcançar seu objetivo final.

Com uma dose cavalar de humor sombrio, A Única Saída nos leva a explorar a degradação do ego do protagonista, que de início encontra-se na lama, quando o vemos rastejar pelo chão imundo de um sanitário ao implorar por uma vaga de trabalho junto de uma de suas propensas vítimas. Não demora muito para ele começar a colocar seus passos em curso ao conhecer outro desafortunado na mesma condição que ele e, de jeito desastrado, aos poucos chegando perto o suficiente para dar o bote.
Mas não é tudo tão fácil assim. Nosso amigo comete muitos erros, passos em falso que o levam a quase jogar tudo fora, e é nesses momentos que o charme e bom humor extremamente maldosos e tão conhecidos do diretor mostram-se tão afiados ainda hoje, quando a violência chocante é tratada de uma maneira escrachada em meio ao desespero do personagem principal. Chega a ser patético vê-lo caindo e tendo que se virar nos 30 para não se dar mal, e quando parece que finalmente vai, algo acontece que dá outro rumo à história, deixando a platéia em real dúvida sobre seu eventual destino.

É esse o tom no decorrer de A Única Saída do começo ao fim, um que coloca o espectador no papel tanto de torcedor quanto de carrasco em potencial de uma figura tão controversa e odiada, mas ao mesmo tempo comovente e digna de pena, tão bem atuado por Byung-hun. Produção sul-coreana que estreou no último Festival de Veneza, não é à toa que o filme recebeu o grande prêmio BAFTA e que está na lista de possíveis concorrentes ao Oscar de Filme Estrangeiro, junto de O Agente Secreto.
A Única Saída é uma produção sul-coreana e chega aos cinemas brasileiros no dia 22 de janeiro, com distribuição conjunta da Mubi e Mares Filmes.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria pelo convite à cabine de imprensa para produção desta matéria.

