Crítica: Destruição Final 2 é, para bem e para mal, o caos na telona

destruição final 2, diamond films Gerard Butler as John Garrity in Greenland 2: Migration. Photo Credit: Courtesy of Lionsgate

Não é de hoje que a adaptação de títulos de filmes no Brasil tende a ser um tanto bizarra. O que começou com a noção de que um longa-metragem sobre o fim do mundo seria uma produção única com Destruição Final, do original Greenland, lançado em 2020, logo foi para o espaço quando uma continuação foi anunciada e chega aos cinemas do Brasil, a qual vamos falar um pouco sobre nesta crítica. 

Destruição Final 2 (Greenland 2: Migration) traz de volta Gerard Butler e a brasileira Morena Baccarin nos papéis principais, dando continuidade à história apocalíptica do primeiro, em que o casal Garrity e seu filho Nathan (Roman Griffin Davis) conseguiram alcançar a segurança aparente em um bunker na Groenlândia depois de escapar do cataclisma na terra do Tio Sam. É claro que a alegria durou pouco; logo após um terremoto, o trio e todos os habitantes do refúgio são obrigados a enfrentar os muitos perigos do mundo externo em busca da sobrevivência e um novo lar, no caso, a cratera em que o meteoro atingiu a Terra, na França, onde a crença é que há prosperidade.

Assistindo Destruição Final 2, fica difícil não associar o ritmo do filme com o de um videogame, o que é irônico, já que a grande moda das últimas décadas foi a de transformar a experiência de jogar em algo mais cinematográfico, mas é isso que você provavelmente vai sentir ao assistir à produção dirigida por Ric Roman Waugh, em que os três protagonistas passam de uma fase para outra, basicamente. O paizão, John, é o equivalente de Joel (The Last of Us), um cara durão que enfrenta tudo e todos para garantir a segurança de sua família a qualquer custo, com Butler mostrando que mesmo quase nos 60 continua sendo o herói parrudão. 

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Há todos os tipos de momentos que você pode imaginar, em rápida sucessão: de perigo extremo em guerra até de quietude e astúcia, enquanto eles avançam sorrateiramente através de território hostil. Há até uns quick time events, os famosos “aperte os botões na hora certa” dos jogos – do modo que isso por ser transmitido na telona, pelo menos – e tudo, sem praticamente haver muito senso de perigo. Há até a sensação de que, a qualquer momento, irão oferecer aos heróis a oportunidade de “dar continue” caso dêem um passo em falso. 

Isso não se dá porque Destruição Final 2 é mal feito tecnicamente, muito pelo contrário, os efeitos especiais de destruição são bons o suficiente, mas há uma falta de sensação de perigo iminente devido à facilidade com que cada um desses obstáculos é transposto. Personagens secundários e terciários são descartáveis no decorrer da história, e por mais que o roteiro e diretor tentem nos fazer importar por eles, não há tempo dado para isso, nem desenvolvimento no pouco que há de cenas em que eles aparecem e depois deixam de estar na tela.

Nos 98 minutos de duração, somos levados de um lado do mundo ao outro também de modo muito rápido, sem haver uma preocupação com as óbvias dificuldades que o simples fato do mundo ter acabado e os empecilhos gerados pelo meteoro, como a radioatividade no ar e os diversos desastres naturais resultantes, poderiam gerar, além da rápida menção e completo esquecimento das máscaras de gás vestidas e logo perdidas por Butler e sua família ao sair do bunker. 

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Em um momento, é mencionado que uma certa viagem seria árdua e demoraria semanas, sem garantias de que chegariam ao destino vivos, mas pouco desse desespero acaba sendo de fato transmitido, já que em meros minutos e transições de tela tudo se resolve, da mesma maneira como o resto dos problemas enfrentados pelos Garrity no decorrer da trama.

Sem dúvida, Destruição Final 2 é puro suco da Sessão da Tarde. É do tipo de aventura que você senta no sofá para ver e colocar de lado qualquer sentido de descrença a fim de curtir a experiência, para o benefício da diversão. E é exatamente o que esse daqui é, um veículo para proporcionar ao público uma sequência de situações variadas de perigo, o máximo possível que pode humanamente ser colocado em filme no pouco mais de uma hora e meia que há para assistir aqui.

Destruição Final 2 chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 5, com distribuição da Diamond Films.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria pelo convite para a cabine de imprensa para o preparo desta matéria.

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