Naoki Urasawa é um gênio criativo. Não é exagero dizer isso depois de quase 20 anos de publicações desse excêntrico mangaká no Brasil, que se iniciou com o clássico Monster pela Editora Conrad, coleção retomada um bom tempo depois pela Panini Comics. Sempre com uma ficção inteligente, repleta de reviravoltas e sempre emocionante, as histórias tecidas por ele ainda estão para nos decepcionar.
Uma publicação especial, Billy Bat custou para chegar ao Brasil. Após muitos anos de pedidos por parte de seus adoradores, enfim deu as caras por aqui no ano passado, em meio a algumas críticas relacionadas ao preço e aos cuidados editoriais por parte da Panini. Em seu quinto volume, Billy Bat continua bem caro, com cada livro custando quase 100 reais; mas pelo menos na parte de qualidade, a editora já resolveu o problema de acabamento, algo que assolou uma larga tiragem no início da coleção, em que páginas vieram descolando e caindo, deixando o público p… da vida.
Mesmo com preço elevado, independente do modo que você consegue adquirir cada volume, seja na banca, loja online ou até mesmo por assinatura (é assim que recebemos), não há como negar que temos aqui um baita de um mangá. A cada nova edição, mais camadas da cebola – sim, vamos pegar emprestada a metáfora do sábio Shrek, por que não? – são desenroladas para revelar aspectos da trama tão bem construída e desenvolvida por Urasawa e Takashi Nagasaki, seu co-escritor, deixando nós, leitores, ao mesmo tempo ainda mais confusos e totalmente apaixonados pelo que estamos lendo.

O volume 5 não é exceção. Nos atrevemos a dizer que trata-se do melhor de Billy Bat até o momento. Pode parecer exagero, já que o nível de qualidade da série vem se mantendo altíssimo, mas este é especialmente bom. Consegue tanto introduzir quanto desenvolver e até certo por concluir um ramo da história com maestria, colocando a gente no meio do elaborado novelo bolado pelos dois criadores sem perder um momento sequer com enrolações ou exageros, elementos bastante comuns em mangás mais adultos como este.
Aqui, logo de cara, somos apresentados a mais uma figura histórica que é capaz de falar com o morcego, ninguém mais, ninguém menos que Albert Einstein, que em visita ao Japão é abordado por um jovem Zofuu, o mentor do protagonista Kevin Yamagata. Nesse encontro rápido somos introduzidos a um conceito que desenvolve-se no decorrer do quinto volume, o da possibilidade da viagem do tempo, com relação à teoria quântica do lendário físico alemão.

Com isso em vista, temos duas linhas temporais correndo simultaneamente o tempo todo, uma nos anos 1920, enquanto que a segunda está nos 60, com Zofuu capturado nas mãos de Charles Henry Duvivier, o agente encarregado de fazer queima de arquivo por parte de Chuck Culkin, o usurpador do personagem de Billy Bat. E ainda por cima, finalmente vemos um gancho com uma ponta da história que não era abordada desde o primeiro volume!
Pode parecer que Urasawa e Nagasaki morderam muito mais do que podem mastigar deixando tanto em aberto nos capítulos anteriores, ainda pior quando vemos que outro ramo ainda é trazido à tona desta vez. Vemos a origem do conhecimento do velhinho na arte do mangá e da primeira criação de Billy, como isso serviu de ponto de partida para a conspiração em curso e ainda por cima, uma trágica história de amor quase que fechada, diretamente relacionada ao Duvivier.

São 392 histórias que fluem brilhantemente e fazem gancho para o volume 6 de uma maneira que faz a espera pelo próximo livro ainda mais angustiante que o normal. A arte de Urasawa, já muito elogiada pelo ritmo e dinamismo de quadros, está ainda primorosa neste volume, que traz cenas de ação absurdamente bem conduzidas e de tirar o fôlego sem exagero.
Vale ressaltar a qualidade da edição produzida pela Panini, levando em conta o preço um tanto alto de cada da edição, R$95,90. Traz papel de gramatura sem transparência, impressão decente por praticamente todo o volume, com raros momentos de excesso de tinta e uma sobrecapa lindíssima com a continuação da temática de cores se encontrando na lombada. É uma coleção que além de muito divertida de ler, traz uma enorme beleza para a prateleira, com toda a certeza.
Fique ligado que haverá um review da próxima parte da saga por aqui, neste mesmo canal, nesta mesma Billy Bat hora!
