Antes de Naoki Urasawa tomar o imaginário do público brasileiro consumidor de mangás, Takehiko Inoue estava lá para nos guiar pelas belíssimas páginas ilustradas por ele em Slam Dunk e em sua obra-prima, até hoje sem fim, Vagabond. Seu nome tornou-se sinônimo de qualidade exemplar, e mesmo nos dias atuais, quando é raro ver um trabalho inédito dele, devido aos seus constantes hiatos, sempre quando um aparece, consegue ser um deleite.
Real não é exceção. O mangá esportivo de Inoue centrado em um grupo de jovens em busca do sucesso no mundo do basquete paraolímpico chegou ao seu décimo quinto volume no Brasil antes do mestre decidir parar por um tempo, mas enfim chegou o momento de termos uma continuidade da história com a chegada da edição 16, no início deste ano.
Nele, continuamos a acompanhar a batalha de Nomiya para entrar em forma e novamente participar do processo seletivo para a equipe de Tóquio, enquanto que Togawa coloca sua ambição de lado em prol aos outros membros de seu time, os Tigers, para ajudar a levá-los à conquista do título municipal e, com isso, finalmente matar o grande dragão à sua frente, os Dreams, para quem perderam há alguns volumes.

E não para aí: Scorpion está fora da clínica de reabilitação e insiste em voltar ao ringue para sua gloriosa estreia desde seu acidente, enquanto que vemos Takahashi dar a cara nas quadras, tentando, ao máximo, reaproximar-se do esporte, de uma nova maneira, como cadeirante. A maneira como todos estão em processo de ascensão dentro de suas ardentes vontades mostra que, apesar das suas muitas diferenças, o elenco é unido por sua força em comum frente às adversidades.
Em todos os sentidos, este volume nada mais é que um ponto transicional para a história como um todo, já que não vemos a conclusão de fato de nenhum dos pontos levantados, o que, levando em consideração a demora para ele chegar às prateleiras, pode levar muitos leitores a ficarem um tanto decepcionados. No entanto, para aqueles que estão acostumados com o jeito com o qual Inoue conduz seus mangás, a espera decerto valerá a pena, afinal – e podemos usar o termo aqui – ele nunca nos deixou na mão quando o assunto é desenvolvimento de personagem.
Outro aspecto que impressiona é a qualidade do traço do homem. Mesmo nas poucas cenas com mais ação desta edição, temos a oportunidade de ver um verdadeiro sábio da arte do desenho em seu plano natural, com quadros repletos de cinética, em constante movimento. Apesar de não abusar da hachura, o pouco de linhas usadas funcionam absurdamente bem e em harmonia para transmitir o ritmo rápido do esporte do basquete.

Temos também muita emoção sendo transmitida por meio dos traços do autor, que novamente é capaz de ler às suas páginas desenhadas todos os sentimentos de seus jogadores, no modo como enfrentam os muitos obstáculos em seus caminhos. É realmente impressionante a sua capacidade de colocar em tão pouco papel o peso da personalidade de cada um de seus personagens, com isso fazendo-os mais que meras figuras fictícias, e sim pessoas de verdade em tudo menos carne e osso.
A torcida mesmo fica para o avanço da trama pelas mãos de Takehiko Inoue, para que não haja mais atrasos e que venha a acontecer o lançamento da 17ª parte deste épico. O que vimos aqui prova que o autor está mais que apto para manter a coisa toda em movimento. Real volume 16 chegou às livrarias, bancas e comic shops com o preço de capa de R$49,90. Apresenta capa fosca, papel de qualidade e impressão sem borrões, no padrão de qualidade da editora Panini. Aguardem, que vem mais review de onde este veio aqui, no Entertainium Brasil!

