Crítica: Manual Prático da Vingança Lucrativa eleva sua trama muito além do esperado  

manual pratico da vingança lucrativa

Quem nunca sonhou em ser bilionário? No caso de Beckett, personagem de Glen Powell em Manual Prático da Vingança Lucrativa, é algo que, apesar de possível, está além da sua realidade. Acontece que ele é, potencialmente, o herdeiro da fortuna de uma influente família norte-americana, mas para colocar as mãos na grana toda, alguns parentes intrometidos teriam que sair de seu caminho.

Criado modestamente por sua mãe, rechaçada por sua família por engravidar fora da alta sociedade aos 18 anos, o garoto cresce ouvindo que não deveria desistir até ter a vida que merece e, ao chegar à idade adulta, uma ideia vem à sua mente: por que não ir em busca de o que deveria ser seu de direito? Aos trancos e barrancos, começa a colocar em prática um plano, o de dar fim aos seus muitos primos, tios e tias, todos ostentadores da pior espécie, para que, com alguma sorte, saia da brincadeira com a bolada em sua conta bancária.

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Sim, é uma premissa maluca que nas mãos de qualquer diretor e equipe criativa, poderia vir a se tornar um filme ridículo e ruim de doer, mas John Patton Ford (de Emily, a Criminosa) consegue acertar em cheio com um filme repleto de muito humor sombrio, situações malucas e de uma enormidade de personalidade, graças em grande parte às atuações de seu excelente elenco. Manual Prático da Vingança Lucrativa conta com, além de Powell, as atrizes Margaret Qualley (a par de Demi em A Substância), Jessica Henwick (Matrix Resurrections) além do titã Ed Harris (com quem Powell contracenou em Top Gun 2), Topher Grace (do eterno That 70s Show) e Bill Camp (foi excelente em Night Of).

Em meio à execução de seu plano mirabolante, Powell se vê cara a cara com uma paixão de infância, Julia (Qualley), que com sua personalidade dúbia mantém sempre suas cartas junto de si, agindo como um verdadeiro coringa no filme, pisando no calo de Beckett no decorrer da história. Apesar de uma pintura no geral negativa da família a qual o protagonista faz parte, seu tio Warren (Bill Camp) mostra-se o mais humano, ajudando-o profissionalmente, vindo a tornar-se uma figura paterna que nunca teve em sua vida, fazendo de sua tarefa algo mais árduo e pessoal, conferindo ao longa uma camada inesperada de complicação, sem apelar ao usual sentimentalismo.

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Na movimentação da trama, fluída e com poucos momentos de respiro, vemos o crescente desenvolvimento do personagem de Powell, que mesmo tendo nossa simpatia devido às suas circunstâncias, continua sendo, no fundo, seu maior bandido, mas, sem recorrer a spoilers, digna-se informar que há surpresas das boas à sua espera em sua jornada aos bilhões. Quando chegam os momentos delas, o rapaz vê-se obrigado a virar nos 30, e são essas as partes em que Manual Prático da Vingança Lucrativa mais brilha, mostrando um roteiro muito além de um para uma mera comédia sombria, o que nos surpreendeu positivamente.

O resultado final é um filme que te prende do começo ao fim, não só quanto ao que esperamos ver, o sucesso do “herói” e como ele chegará nisso, mas as consequências de suas ações, não só para Beckett, mas para quem está ao seu redor. Nesse quesito, a catarse certamente está lá, mesmo que entregue de um modo muito além do esperado. Manual Prático da Vingança Lucrativa é do tipo de longa que com certeza não se vê estragado por seu trailer, tornando-se uma divertida ida ao cinema para aqueles em busca de uma boa história executada de maneira concisa e inteligente. 

Uma produção da A24, Manual Prático da Vingança Lucrativa chega aos cinemas do país hoje, com distribuição da Diamond Films.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Diamond Films pelo convite para a cabine de imprensa para o preparo desta matéria.

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