Também dirigido por Ric Roman Waugh, Missão Refúgio tem muito em comum com Destruição Total 2, que resenhamos há pouco tempo atrás. Os dois são filmes de ação com tramas inicialmente interessantes, mas que acabam sendo executados de maneira descuidada, sem passar muito a sensação de perigo, indo contra o que é exibido na tela. No entanto, tratando-se de “filme pipoca”, bem como a outra produção de Waugh lançada este ano, Missão Refúgio não deixa de ser pelo menos divertido de acompanhar.
A trama da vez tem como pivô Mason, o personagem de Jason Statham, um ex-super agente do governo britânico, vivendo escondido em uma ilha remota na costa da Escócia. Em uma das vezes em que o barquinho de entrega de suprimentos vem visitá-lo, acaba naufragando, deixando uma jovem a seus cuidados, forçando-o a sair do exílio em busca de materiais para tratar de seus ferimentos. Com isso, o novo sistema de segurança em funcionamento consegue capturar uma foto sua, dando início a uma caçada, a princípio devido a uma identificação acidental sua por a de um terrorista procurado.

Com sua missão principal sendo a segurança da menina Jessie (Bodhi Rae Breathnach), Mason parte em uma corrida contra o tempo, enquanto o MI6 e seu antigo chefe, Manafort (interpretado por Bill Nighy, de Os Piratas do Caribe), buscam dar cabo dele. Sem dar spoilers, mas há um pouquinho mais na história, mas não muito, para dar uma apimentada nas idas e vindas do nosso rabugento favorito, apesar de não mudar tanto o curso da coisa. Enfim, é um filme de ação que carece de surpresas e se você assistiu ao trailer dele, já sabe como acaba.
Esse é o grande problema de Missão Refúgio, não há nada nele que o diferencie de qualquer outra tentativa de blockbuster vinda nos últimos 40 anos de filmes de ação. A trama confere oportunidades até que fofas para Statham e Bodhi de formarem um elo entre seus personagens, com Mason virando uma espécie de segundo pai para a órfã Jessie, mas tudo isso vem quase sem desenvolvimento emocional algum, de repente. Fora isso, a ideia toda de que câmeras de segurança vêm a se tornar o único método de investigação para as agências do governo britânico chega a ser cômica, com os mais que piegas momentos de hacks milagrosos.

Por mais que o filme proponha ser uma ação desenfreada, há muito pouco dela no decorrer de seus pouco mais de 90 minutos de duração, e o que há de tiroteio e pancadaria nele, não impressiona nem de perto quanto um John Wick da vida. O que há aqui é uma série de obstáculos que Jason atravessa sem muita dificuldade, por ser um agente fodão, mesmo que passado seu momento de glória. Ele raramente se machuca ou mostra fraqueza, elementos necessários para no mínimo termos um pouquinho de dúvida se o sucesso de sua missão é certo ou não. Aqui, só esperamos o tempo do filme chegar ao fim e vermos onde o personagem estará vivendo… e nem isso de fato acontece.
O resultado final é uma experiência cinematográfica puramente de pipoca, para deixar o cérebro descansando e não se preocupar com o tempo que passa do começo ao fim. Bem como Destruição Total 2, nos sentimos pouco preocupados com a segurança dos protagonistas, e no caso de Missão Refúgio, não conta com efeitos especiais para causar grande espetáculo em tela, então nem isso ele acaba entregando, dependendo totalmente no decorrer maromeno de sua história e ação sem muito sal. Foi mal, Sr. Statham, desta vez não deu.
Com distribuição da Diamond Films, Missão Refúgio chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 12.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria pelo convite para a cabine de imprensa para o preparo desta matéria.

