Após anos de rumores, Pokémon FireRed e LeafGreen finalmente chegaram ao Nintendo Switch, celebrando o legado de uma das gerações mais importantes da franquia. Os ports preservam toda a experiência original lançada no Game Boy Advance em 2004, permitindo que os jogadores revisitem a região de Kanto com a mesma estrutura clássica – só que agora em uma plataforma moderna.
Vale lembrar que FireRed e LeafGreen são remakes. Eles reimaginam os primeiros jogos da série (Pokémon Red e Green, do Game Boy) trazendo melhorias técnicas, gráficos atualizados para a época e novos conteúdos. Entre essas adições estavam as Sevii Islands, um conjunto de ilhas extras que expandia o mapa original e introduzia novos desafios.
A base da aventura permanece intacta. O jogador escolhe um dos três Pokémon iniciais e parte em uma jornada pela região de Kanto com o objetivo de derrotar os oito líderes de ginásio, enfrentar a nem tão temida Equipe Rocket e registrar as 151 criaturas na Pokédex.

O sistema de batalhas por turnos é simples, mas muito envolvente, demonstrando por que essa fórmula se tornou referência em RPGs por décadas. Mesmo hoje, capturar novos Pokémon, montar uma equipe equilibrada e enfrentar treinadores rivais ainda é uma experiência viciante.
No Nintendo Switch, esses jogos chegam da mesma forma que existiam no GBA. Os gráficos em pixel art continuam simples, coloridos e cheios de charme, mas não receberam qualquer tipo de atualização significativa. Isso pode causar certa frustração para quem esperava um tratamento mais elaborado – especialmente em jogos tão marcantes.
Essa fidelidade extrema também traz um efeito curioso: jogar FireRed e LeafGreen em uma tela grande pode dividir opiniões. Enquanto alguns apreciam a nitidez dos pixels clássicos, outros podem achar que o visual não envelheceu tão bem quando ampliado além das pequenas telas do GBA.

Outro ponto que gera discussão é o pacote de recursos oferecido. Cada versão é vendida separadamente na eShop, sem grandes extras ou melhorias modernas. Não há novos filtros visuais, modos adicionais ou reformulações na interface. Em essência, trata-se da mesma experiência de duas décadas atrás, algo que pode soar limitado quando comparado a outros relançamentos.
As trocas e batalhas entre jogadores, por exemplo, permanecem restritas à conexão local wireless, reproduzindo o funcionamento original. Em uma época dominada por conectividade online, essa escolha pode tornar mais difícil completar a Pokédex para quem não tem amigos próximos jogando a mesma versão. Foi confirmado também que os jogos terão compatibilidade com o serviço Pokémon HOME, embora essa integração ainda não tenha sido disponibilizada.
Apesar disso, o relançamento traz alguns pequenos ajustes. Certos bugs da versão original foram corrigidos e eventos antigos que dependiam de distribuições especiais agora estão acessíveis dentro do próprio jogo. Isso inclui Navel Rock e Birth Island, por exemplo, permitindo capturar Pokémon lendários como Lugia, Ho-Oh e Deoxys sem depender dos eventos promocionais que existiam apenas no passado.

Mesmo com essas mudanças discretas, o impacto histórico de FireRed e LeafGreen permanece evidente. Quando foram lançados originalmente, os títulos receberam grande reconhecimento por modernizar os primeiros jogos da série e expandir a aventura com novos conteúdos. Eles consolidaram a fórmula de Pokémon para uma nova geração de jogadores e ajudaram a manter a franquia relevante nos anos seguintes.
No Switch, essas versões funcionam principalmente como uma forma prática de revisitar essa fase importante da série. Para veteranos, é uma viagem nostálgica que resgata uma das aventuras mais queridas da franquia. Para novos jogadores, é uma oportunidade de conhecer a origem da jornada em Kanto, exatamente como ela foi reimaginada há mais de vinte anos.
Pokémon FireRed e LeafGreen no Nintendo Switch oferecem uma experiência clássica e intacta. É uma maneira conveniente de reviver um capítulo essencial da história da franquia, com toda a simplicidade e charme da era portátil. Ainda assim, o preço elevado faz com que esse retorno seja mais voltado para fãs hardcore – em especial os que não se incomodam em pagar R$ 120 em uma mera ROM de GBA.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Nintendo no Brasil pelo envio do jogo para a produção deste review.
