Review: Screamer é a corrida arcade de anime perfeita nas ideias mas pouco satisfatória na realidade

Screamer

Imagine um mundo futurista, cyberpunk, em que você precisa sobreviver na cena de corridas clandestinas brutais. Essa é a premissa de Screamer, um jogo de corrida arcade com gráficos realistas misturados com anime. O título também é um reboot da série homônima, criada para MS-DOS nos anos 90, e, apesar de tanta qualidade audiovisual e em jogabilidade, deixa a desejar e falha em aspectos fundamentais. 

Não se deixe enganar: Screamer tem uma produção incrível e satisfaz muito quando estamos em ação, pilotando carros bem estilosos e usando 100% do cérebro para todas as suas mecânicas, sim. Mas ele é um jogo difícil! Até demais. 

Em torneio de corridas clandestinas, o misterioso Mr. A (dublado por Troy Baker, inclusive) propõe um prêmio bilionário ao time que vencer a competição. Já no início, somos apresentados ao time Green Reapers, composto por Hiroshi, Frederic e Róisín, habilidosos pilotes que têm lá suas motivações. Assim como todos os outros quatro times do páreo

Screamer
Os cenários (pistas), personagens e carros são muito bem desenhados e muito estilosos. Sem contar a trilha sonora fenomenal…

Ao longo da história do torneio, você assume o carro de todos os corredores, sendo que cada time compõe uma linha narrativa diferente que se constrói aos poucos e se interconectam. São compostos por personagens bem diferentes entre si e de diferentes países, falando seu próprio idioma (e todos se entendem por causa de um dispositivo de tradução instantânea hi-tech que usam o tempo todo). Porém, ao menos para minha experiência, não vi um ritmo interessante dessa história, que esconde tantos segredos e interações dos personagens e uma trama cabulosa criada pelo próprio mentor do torneio. Tudo se arrasta muito, os pilotos se enfrentam em desafios propostos por eles mesmos (às vezes sem tanta necessidade ou peso para o trecho da história) e cada linha de história parece não levar a nada. 

Esperei uma história mais intrigante e engajadora, mas o que recebi foi algo superficial, sem conclusões claras e um ritmo tão lento a ponto de me fazer abandoná-la e ficar na diversão, apenas, do modo Arcade e Multiplayer do jogo, que, aliás, são ótimos. Uma pena, sabendo que, por outro lado, os personagens apresentados são muito legais, singulares, bem escritos e bem animados em cutscenes e em diálogos. 

Além disso, tal história é envolta de uma jogabilidade muito boa dos carros, avançada apenas se os desafios impostos forem superados. E é aqui que vive o maior problema: a dificuldade absurda do jogo e uma IA dos oponentes extremamente quebrada. 

Para superar as corridas e desafios ao longo do torneio, mecânicas novas e bem diferentes são apresentadas aos poucos. É preciso fazer drifts com o analógico direito do controle e virar o carro com o esquerdo. O turbo pode ser ativado para ganhar bastante velocidade e o câmbio te dá um “mini-boost” (apenas passando a marcha para cima, ou seja, o que sempre importa é o ganho de velocidade e nem sempre o manejo e a redução quase nunca necessárias em curvas). 

Screamer
Em Screamer, é preciso fazer drifts e usar o turbo acumulado (veja painel superior da HUD) A. TODO. MOMENTO!

Mais adiante, o strike te dá o poder de destruir oponentes em pista (graças à tecnologia Echo dos carros, todos são ressuscitados com seus carros reconstruídos logo em seguida) e um escudo energético também pode ser ativado para se prevenir do ataque deles. Sim, é muita coisa para gerir ao mesmo tempo e em altas velocidades. Mas com alguma repetição e insistência, tudo se encaixa bem, se retroalimenta enquanto mecanismos de disputa e a “mágica” acontece bem na sua frente, com total controle em mãos. 

Todas as mecânicas são bem informadas com cores que contrastam melhor e no feedback háptico do controle também, o que ajuda muito na memorização/internalização delas com praticidade. É o famigerado “fácil de aprender, difícil de dominar”.

Contudo, após tantas ferramentas que Screamer te dá e te ensina, parece que nada funciona como deveria: a IA do jogo apresenta uma dificuldade absurda, feita para sempre te esmagar (mesmo nos modos com “Foco em História” e “Muito Fácil!”), algumas pistas são estreitas demais para fazer drifts bem feitos e usar tais ferramentas à perfeição não garantem os primeiros lugares das corridas, muitas vezes exigidos para completar o objetivo principal. 

Em outras palavras, nem fazendo tudo muito bem ou até à perfeição, você tem sucesso nos seus modos de jogo. É preciso sempre usar TODAS as mecânicas supracitadas, a todo momento, o que é bastante cansativo. Após tanto perseverar, tudo leva a crer que há falhas enormes no design de cada carro em si, na forma como as pistas foram feitas e, principalmente, na dificuldade desmedida das IAs. 

Screamer
Conforme se avança na história e se ganham partidas do modo Arcade, novas skins, pinturas, pistas, músicas e uma infinidade de conteúdo vai se desbloqueando.

A dificuldade da IA foi implementada após um grande patch de atualização pós-lançamento (de muito fácil até muito difícil), entretanto não corrige muitas das injustiças impostas na competição do Torneio, obrigando a entrar em loops infinitos de repetição. Algo do jogo ainda parece muito quebrado, infelizmente.

É só triste e frustrante demais ver o tamanho potencial perdido do jogo, em que deve haver uma história intrigante e empolgante a ser contemplada; em que há mecânicas tão harmonizadas entre si e pistas de curvas e atalhos mais largos (e bem variadas, inclusive), onde você se sente o deus dos drifts e da velocidade. 

Fica difícil recomendá-lo – sobretudo a um preço ainda bem salgado nas lojas para nossos padrões, partindo dos R$250 -, sabendo que tamanha dificuldade injusta é uma detratora enorme para o jogo. Uma pena… O mais justo a se fazer é saber que sua história, ou seja, os momentos de ficar avançando os diálogos e assistindo às animações são minimamente satisfatórias. Entretanto, é melhor manter distância se você não quer bater tanta cabeça em desafios e um ritmo que exige tanto do jogador a ponto de estragar toda a graça do todo (mesmo após um patch pós-lançamento que supostamente corrige alguns desses erros). Com isso em mente, trata-se de um sucesso cult adormecido, valendo a pena ficar de olho para futuras atualizações e promoções. Ademais, se você estiver de acordo com o que Screamer promete agora e afim de desafios desmedidos, é só pisar fundo.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria do jogo por ceder um código de teste para a produção desta matéria.

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