Crítica: Marty Supreme é repleto de situações malucas e funciona muito bem

marty supreme, timothée chalamet

Martin Mauser, o personagem de Timothée Chalamet em Marty Supreme, é arrogante, narcisista, egoísta, irresponsável e, acima de tudo, quase que incorrigível. Mas, por ironia do destino, é alguém que tem um grande talento no jogo de tênis de mesa.  

No decorrer das quase duas horas e meia do novo filme do diretor Josh Safdie, do excelente Joias Brutas, o protagonista passa por diversos perrengues – na maioria, que ele mesmo criou – para conquistar seu grande sonho, o de ser o vencedor de um torneio mundial do esporte durante a década de 1950, depois de sofrer uma derrota nas mãos de um novo campeão japonês.

Nessas confusões todas, Marty acaba se envolvendo com uma estrela em decadência de Hollywood (papel de Gwyneth Paltrow), um esquema de golpes envolvendo apostas e chega até a atuar como apresentação de intervalo nos jogos dos Harlem Globetrotters, tudo para juntar a grana necessária para cobrir sua viagem até a competição. 

marty supreme, timothée chalamet
De vendedor de sapatos feminimos até astro de tênis de mesa, Marty Mauser passa por poucas e boas para alcançar seu sonho.

Isso sem falar em ter que lidar com a sua mãe manipuladora, interpretada por Fran Drescher, a consagrada babá do seriado The Nanny, sucesso no Brasil pela TV Record nos anos 1990 e início dos 2000, e de seu caso, Rachel (Odessa A’zion), com quem tem uma relação amorosa e ao mesmo tempo de cumplicidade em seus esquemas e trambiques, além de seu amigo taxista Wally, encarnado pelo rapper Tyler Okonma, que muitas vezes age como seu piloto de fuga. 

Só que nisso ele vai cavando um buraco cada vez mais fundo e difícil de escapar, e é no imbróglio todo que a grande diversão de Marty Supreme se dá. É tudo tão absurdo que apesar da história ser baseada em uma personalidade real, às vezes nos pegamos pensando se tudo não passou de um sonho regado por muito álcool e mais umas coisitas mais por parte dos roteiristas. A inclusão de músicas para lá de clássicas do grupo Alphaville também contribui ao fator de estabelecimento do clima cheio de energia e cinética da obra.

O ritmo do longa é tão frenético e alucinante que até chegar em seu desfecho, por mais piegas que termine sendo, não há muito o que se discutir sobre a qualidade geral da produção. Especialmente por se tratar de uma jornada tão desenfreada mas bem carregada por Chalamet, como nome principal no pôster. Fora o elenco principal, outras participações terciárias também não ficam devendo, e há boas surpresas, como a rápida ponta por Penn Jillette, o famoso mágico da dupla Penn & Teller, que faz em uma rara ponta no filme, com uma interpretação fora de costume, muito séria e violenta, quase que irreconhecível.

Dentre as muitas artimanhas do personagem, está a de passar golpes em torneios contra desavisados, junto de seu amigo Wally.

Não é à toa que Marty Supreme é uma das grandes pedidas para as premiações deste ano. Nele, temos um personagem principal que é tão exagerado em sua devassidão que passamos o filme todo imaginando se haverá um momento de redenção. E graças à incrível atuação do jovem ator em ascensão, que já admitiu procurar somente papéis com grandes chances de estatuetas, é inegável que há talento – e muito – para sustentar tal ambição.

Após estrear nos Estados Unidos no final de 2025, Marty Supreme é uma produção da A24 e chega oficialmente no próximo dia 22 de janeiro aos cinemas do país, com distribuição da Diamond Films. 

O Entertainium Brasil agradece a assessoria pelo convite para a cabine de imprensa para o preparo desta matéria.       

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