Review: Nioh 3 é o maior, mais exuberante e divertido capítulo da série

nioh 3, koei tecmo

O primeiro Nioh, seguido de um longo processo de desenvolvimento em que o Yoichi Erikawa, o CEO da Koei Tecmo, colocou seu pescoço a prêmio por acreditar na nova franquia, que veio a dar muitos frutos. Mas o futuro dela ficou incerto depois do lançamento de Nioh 2 em 2020, apesar de, eventualmente, ter recebido uma espécie de “sequência espiritual” com Wo Long: Fallen Dynasty (2023), trazendo à fórmula soulslike combinada com a jogabilidade primorosa, refinada pelo estúdio Team Ninja com a reimaginação de Ninja Gaiden, elementos de mundo semi-aberto.

Para a nossa grande surpresa, ano passado foi revelada a existência de enfim uma nova sequência e, agora com a chegada de Nioh 3, podemos dizer com toda a segurança que não só é um jogo incrível, como também o melhor título da franquia lançado até hoje. Pode parecer exagero de nossa parte, mas as melhorias trazidas por este novo capítulo são gigantescas, fazendo dele tanto o melhor ponto de partida para novatos quanto o jogo em que veteranos de Nioh irão passar mais tempo distraídos. Isso não é pouca coisa, já que os anteriores possuem conteúdo farto.

Em Nioh 3, seu papel é o de herdeiro do clã Tokugawa. Neto (ou neta) do lendário Ieyasu, é esperado que você assuma o papel de xogum, apesar de seu personagem, a princípio, não demonstrar muito interesse na função, preferindo desenhar os amigáveis espíritos-guerreiros bem conhecidos pelos fãs da série. Depois de um ataque ao castelo, no entanto, suas habilidades de guerreiro são colocadas à prova, quando, misteriosamente, você é transportado através do espaço e tempo para outra era, no passado.

nioh 3, koei tecmo
Seu primo na história do jogo não está para brincadeira.

É aí que o jogo começa. Mais uma vez tornando-se aliado de figuras emblemáticas tanto do folclore quanto da rica história do Japão, cabe a você ir a fundo e desvendar o enigma de seu desaparecimento e mais uma vez dar cabo da ameaça demoníaca que coloca não só o futuro da nação recém-unida em cheque, mas também seu passado. Sim, é um pano de fundo batido para o que, no fundo, é um jogo com o compromisso principal de prover a você um desafio de peso, tendo uma inegável simpatia por nossa parte ao misturar o real ao fantasioso sem levar tudo muito sério. Afinal, ainda há gatinhos e outros bichos fofos a serem acariciados, não nos esqueçamos.  

Ambientado em um grande mapa rico com atividades e desafios, Nioh 3, à primeira vista, parece ser a resposta da Koei Tecmo a Elden Ring, da From Software, mas se pararmos para avaliar por um momento, não é nada disso. Afinal, os jogos Nioh sempre contaram com um mapa estático repleto de missões a serem zeradas. No caso do novo jogo, a ideia foi simplesmente expandida, colocando de fato um mundo quase aberto a ser explorado, onde as chamadas fases ainda existem, mas com muitas oportunidades a mais para obter pontos de experiência, ítens especiais, e, como tradição de Nioh, muito, mas muito equipamento. 

Esse lado do novo jogo faz dele uma experiência ainda mais viciante que os do passado, quase eliminando os pontos de travamento gerados pela estrutura do sistema de mapa antigo, em que não era possível avançar na história sem terminá-los. Aqui, se algo se torna um obstáculo frustrante, basta ir fazer outra coisa logo ali e muito provavelmente você voltará mais forte e capaz de dar conta do que estava te dando trabalho antes.

E explorar esse “mapão” do jogo vale muito a pena, porque é por meio das descobertas feitas também que seu personagem vem a se tornar mais poderoso. Os simpáticos kodama, por exemplo, aqueles espiritozinhos verdes que fazem dos altares suas casas, novamente se encontram perdidos mundo afora, e ao achá-los, conferem a você pontos que podem ser investidos em seus atributos. Há também grupos de estátuas Jizo, que trazem fortalecimento parecido, para uso nos novos desafios de Umbra — um tipo de arena — além dos vários títulos ganhos por meio das mais variadas ações no jogo, cada um com sua lista de buffs, todas podendo ser recalibradas sempre que necessário, sem custo adicional. 

nioh 3, koei tecmo
Shingen está preparado. E você?

Fora o novo mapa em mundo-semi aberto que funciona como uma fase tamanho-família dos jogos anteriores, a outra grande novidade em Nioh 3 é a separação dos estilos de combate. A ideia é ter dois caminhos de luta a todo o momento, o do samurai e o do ninja, ambos com aspectos de jogabilidade distintos, sem falar do equipamento e dos já mencionados fortalecimentos. Antes, era possível seguir somente em um desses estilos, ou misturar elementos deles para tornar seu personagem um amálgama sanguinolento. Com a mudança, é possível focar e levar sua build ainda mais longe nos dois caminhos simultaneamente, mas o melhor de tudo é como os desenvolvedores fizeram os estilos brincarem entre si.

Está de volta o sistema de rechaça tão especial da série, em que é possível – e extremamente vital à sua sobrevivência – que você contra-ataque ao ver um inimigo preparando um golpe implacável, aquele representado por uma aura maligna vermelha. Conseguindo fazer isso, você talha o ki da oposição, o equivalente à estamina de Nioh, colocando a ameaça cada vez mais perto do estado exausto, momento no qual você poderá dar seu poderoso golpe. Nioh 3 coloca essa rechaça no mesmo botão da troca de estilos e ao trocar e aplicar essa reviravolta, as habilidades das duas vem a interagir entre si durante o combate.

Nas duas árvores de habilidades, é importante administrar o seu próprio ki, porque você também fica à mercê dos inimigos caso venha a ficar sem fôlego. A cada golpe ou defesa sua, vai gastando esse valioso recurso, ele que é recarregado sempre que volta a posição de combate como samurai. Nele, a jogabilidade é basicamente a mesma dos outros Nioh, servindo para limpar o caminho dos campos de influência negativa colocados pelos yokai, que sugam o seu ki se não se atentar. 

nioh 3, koei tecmo
Brilhou vermelho, já sabe: contra-ataque!

Os espíritos-guardiões e as almas dos demônios coletadas continuam muito úteis em combate, podendo ser equipadas e combinadas a seu gosto sempre que para em um altar. Os primeiros, principalmente, estão ainda mais apelões neste jogo. Sentimos que eles carregam em combate ainda mais rápido desta vez, o que é muito bom para a gente, porque os chefes em especial não poupam esforços para destruir você. As novas armas também são incríveis, algumas como a cestus, herdadas de Wo Long: Fallen Dynasty, remodeladas para servir no universo Nioh, beneficiando-se de seu sistema de evolução e velocidade do jogo. As opções de armamento são muitas e todas extremamente bem desenvolvidas, tanto as consideradas de ninja quanto de samurai.

Voltando a ele, a única diferença digna de nota ao jogar como samurai quando comparado ao que foi visto em outros jogos da franquia, é que as posturas alta e baixa precisam ser destravadas na árvore de habilidades, utilizando as mesmas mechas das aventuras passadas. Isso acaba servindo de uma espécie de tutorial, apresentando a pose média como a única opção a ser dominada antes de apresentar outras alternativas, o que achamos uma excelente forma de não complicar ainda mais o meio de campo, ainda mais para novos jogadores. 

Como ninja, bem, é preciso ser rápido. Com equipamentos mais leves que o do samurai, sua barrinha de vida não dura quase nada, mas, em contrapartida, seu potencial de dano é enorme, e ao invés de carregar o ki, o mesmo botão o transforma em sombra por poucos momentos, possibilitando que se movimente para trás de seu alvo, abrindo-o para uma chuva de golpes ainda mais potentes. Jogar sob o manto escuro de um projeto de Jiraya é muito divertido, e é onde o DNA de Ninja Gaiden, projeto desenvolvido pela Team Ninja, se mostra sem um pingo de vergonha, para nosso deleite. Cair matando das sombras é sempre catártico.

nioh 3, koei tecmo
Calma aí, gatinha, que eu não tô com esse gás todo!

E essa catarse mostra-se presente em praticamente tudo em Nioh 3. Todas as suas ações trazem benefícios tangíveis para aumentar ainda mais a sensação de conquista da cada nova vitória neste jogo. Vasculhar cada canto da sua bela retratação do País do Sol Nascente de séculos atrás é divertido demais, ainda mais para quem já tem experiência com a série, em um jogo que é claramente confiante, seguro e cheio de ideias novas que sopram ainda mais vida na estrutura construída não só pelos Nioh que o antecederam, mas também Wo Long, na maneira como você fica mais forte a cada nova descoberta.

Nioh 3 é uma verdadeira conquista para a Koei Tecmo e a Team Ninja. Quando não esperávamos algo novo para a marca, ela não só voltou como acabou se reinventando, aproveitando o que fez dela uma alternativa de peso e em muitos momentos ainda melhor do que o estabelecido pela From Software, precursora do gênero soulslike. É do tipo de aventura que você não vai querer colocar o disco de volta na prateleira tão cedo. Prepare seu incenso espiritual e suas melhores armas e junte-se a essa luta ancestral. Esperamos você lá!

Entertainium Brasil agradece a assessoria da Koei Tecmo no Brasil pelo envio do código de teste antecipado para a produção deste review. 

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