Review: Romeo is a Dead Man é ambicioso demais para todas as suas ideias

romeo is a dead man

Romeo is a Dead Man é o mais novo título de ação da Grasshopper Manufacture e do aclamado criador Suda51. Sua história psicodélica de sci-fi e jogabilidade disruptiva foram dirigidas pelo veterano Ren Yamazaki do mesmo estúdio. Anunciado e lançado recentemente, promete muita ação violenta e grandes plots twists e, de fato, entrega! Muito embora, a um custo pesado da sua jogabilidade meio travada e sem sal. Descubra mais sobre o que achamos dele a seguir.

Romeo Stargazer é um simples policial que se torna agente do FBI do Espaço-Tempo após sua trágica morte por uma criatura horrenda que surge na estrada, após parar com seu colega xerife para investigar um cadáver caído. Sua principal missão é solucionar as fraturas do Espaço-Tempo desencadeadas no século XX e procurar por Juliet, sua namorada atraente e andarilha interespacial, que, nessa linha temporal, encontrou e se relacionou com ele em Dreadford, Pensilvânia. Mas somente tramas e reviravoltas malucas se sucedem conforme mais se avança nessa criação de Suda51.

Dito isso, Romeo também precisa caçar malfeitores do Espaço-Tempo em viagens temporais com seu time. Cada lugar e época são bem retratados no jogo e mostram sua natureza doida sem demora, lembrando tanto aventuras tradicionais do sci-fi quanto histórias legais como as do maravilhoso Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo (2022)

Em Romeo is a Dead Man, é preciso consertar as fraturas do espaço-tempo e derrotar criaturasa horrendas e corruptas para restaurar a ordem universal.

Para começo de conversa, Romeo is a Dead Man se divide em dois grandes núcleos: uma narrativa intensa e super criativa (uma das melhores histórias de multiverso que já acompanhei) e uma jogabilidade mundana, bem medíocre, que faz questão de te chatear na sua parte principal (de quando você está apertando botões, justamente, na maior parte do tempo). 

Não me leve a mal, o jogo tem lá seus méritos incríveis. Há muita referência a anime, tokusatsu, HQ, ficção científica e até a David Lynch para minha surpresa. Todas são ótimas e surpreendem na hora de contar uma história e/ou te fazer refletir. As partes de encontro e progresso no não-espaço são bem divertidas e o personagem da Nirvana TV, por exemplo, vai te fazer filosofar até o fim. 

Como minha primeira obra desse estúdio, confesso que cheguei despreparado e acabei não gostando da experiência como um todo. Especialmente no terço final, jogá-lo era como uma tortura. A falta de opções de acessibilidade e a não possibilidade de alterar a dificuldade durante os capítulos, em que a mistura de grandes desafios e telas piscantes e cheias de informação me deram fortes dores de cabeça em apenas 1 hora de sessão de jogo, abalaram ainda mais minha relação com o jogo. 

Espere por muita ação sangrenta em todas as partes!

Na nave do FBI do Espaço-Tempo, junto com outros agentes especiais e máquinas ultra tecnológicas, Romeo pode fazer uma série de melhorias de personagem, comprar e melhorar armas, plantar Bastardos (zumbis parceiros que ajudam em combate – cada um com sua particularidade de ataque e suporte e com um charmoso forró tocando de fundo durante o plantio) com sua irmã mais nova e fritar carnes com sua mãe para fazer katsu karês, que darão melhorias e vantagens temporárias. 

Todo o jogo é bem dinâmico e muda de aparência, de formato e de estilo em todo momento, principalmente nas cutscenes e em diálogos de interlúdio. É muito refrescante para a apreciação do jogo, conseguindo criar interesse o tempo inteiro pelo que virá a seguir, além de toda a criatividade deixar, em algum grau, um tom de surpresa e encantamento. 

Entretanto, a parte de ação trata de deixar o resto muito insosso, quase estragando toda a experiência. 

Quando se está em ação, é preciso abater inimigos variados (Podrões, Cabeças-de-tomate, Lagartixas… Enfim, muitos zumbis) e resolver alguns quebra-cabeças simples nos extensos cenários dos 8 capítulos do jogo. Você usa uma lâmina de curto alcance e uma atiradora de longo alcance para isso, podendo usá-las a qualquer momento e alternando. Benjamin (ou o “Vovô” de Romeo, agente especial que salvou sua vida com o DeadGear lá no início do jogo) está sempre presente em sua jaqueta, auxiliando em combate e narrando algumas ações com certo exagero. Também é possível usar itens deixados pelo cenário ou criados na nave, invocar os Bastardos citados acima para apoio temporário e usar o Verão Sangrento nos inimigos, um ataque bem poderoso que tira bastante vida deles e ainda cura um pouco da sua. 

Momentos tensos de muito combate frenético e outros de reflexão e calmaria estão em todos os capítulos de Romeo is a Dead Man.

A movimentação e a navegação pelos espaços são competentes, porém uma câmera desengonçada (que chega a atrapalhar no combate às vezes) e uma impressão constante passada de “projeto inicial” do Unreal Engine são sempre presentes. Isso somado ao combate bem genérico torna tudo muito maçante e repetitivo após algumas horas. Colocar dúzias de inimigos ao mesmo tempo em espaços apertados também não é nada agradável: só aumenta a dificuldade, pune o jogador desnecessariamente e extrapola os limites técnicos do jogo, dando um tom de injustiça e amadorismo frequentemente. Ou, apenas, o jogo é que não quer – e não precisa – ser levado a sério o tempo todo. 

As formas como cada cenário e capítulo te recompensam em materiais também são muito ruins e desbalanceados. É tudo muito escasso e os itens para sempre estar melhorando até suas armas favoritas faltam muito. 

Fica até difícil conceber que o Grasshopper Manufacture não tenha expertise e experiência o suficiente para nos entregar um combate competente, após tantos outros jogos de sucesso. Seria muito interessante, talvez, se o jogo fosse mais focado nos seus chefes, que é a parte mais legal e interessante dos desafios, sem que fosse um boss rush necessariamente. 

Mesmo com tanta dificuldade e coisas sem graça enquanto o combate acontece, os momentos de calmaria na nave são especiais e gratificantes. Também é bem agradável quando se interage com outros personagens, se assiste às cutscenes de interlúdio e às do HQ do próprio jogo, que é onde as suas ideias se encontram muito bem executadas em escrita, do universo criado aos simples diálogos que você tem com personagens secundários. Uma pena toda essa parte criativa interessante estar envolta por uma camada de combates tão medíocres, beirando o ruim absoluto. Com isso em mente, é extremamente difícil recomendar Romeo is a Dead Man, mesmo em promoções, mas se você procura sofrer um pouco em combates esquisitos e ver uma ótima história de sci-fi, ele te levará a outro mundo por algumas boas horas.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria do jogo por ceder um código de teste para a produção deste review.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *