Review: Paranormasight: The Mermaid’s Curse é uma visual novel de mistério instigante

paranormasight: the mermaid's curse, square enix

Quando a gente pensa em visual novel, a imagem que logo vem para a mente é de um grande elenco e muito, mas muito texto para ler. Paranormasight: The Mermaid’s Curse não foge desse resumo, mesmo indo além dele, trazendo uma história instigante e personagens cativantes que farão você querer jogá-lo até o fim, apesar de alguns probleminhas de ritmo e lógica inerentes do formato adotado pelos desenvolvedores para entregar o jogo.

Paranormasight: The Mermaid’s Curse se passa na fictícia ilha de Kameshima, localizada na Baía de Isa, província de Mie, no Japão, em meados dos anos 1980. Inicialmente no papel do garoto Yuza Minakuchi, que voltou a morar lá depois de passar uma temporada na cidade grande para ajudar a sua avó no ramo de procura de tesouros naturais no mar. 

Praticante do mergulho ama, a tradicional forma de imersão sem equipamento de oxigênio, típico da região, Yuza passa por uma experiência sobrenatural durante o serviço: dá de cara com uma espécie de clone seu, que com sua mão estendida o convidava a descer ao fundo do mar. Assustado e sem entender o que aconteceu, conta o ocorrido ao seu grande amigo Azami, que faz companhia para ele durante o mergulho, e esse, meus caros e caras, é o início do grande mistério de Paranormasight: The Mermaid’s Curse

paranormasight: the mermaid's curse, square enix
Você será capaz de desvendar esse mistério assustador?

Como o nome do jogo mesmo diz, há uma relação profunda da história com o rico folclore da região, fruto de lendas relacionadas às sereias, algo que vimos há pouco também em Nioh 3 – principalmente no período Heian, por volta de 1150 d.C. Elas servem de pano de fundo para todo o mistério que você irá desvendar neste jogo em estilo visual novel. O jogo é contado de maneira não-linear por meio de uma linha do tempo em que acontecimentos pipocam na medida que você avança e retrocede, abrindo caminhos novos na complicada trama bolada pelos desenvolvedores do estúdio Xeen.

No entanto, este formato traz algumas complicações. A primeira, é que há uma boa quantidade de repetição de informações, já que os diálogos tendem a servir bastante exposição sobre os mais diversos temas e se entrelaçam quando há voltas na linha do tempo, o que cansa um pouco, ainda mais em jogatinas longas, quando se está no vício de descobrir a próxima parte da história.

Outra questão é que indo e vindo na linha do tempo pode acabar fazendo com que você confunda um pouco a ordem de acontecimentos, e como há diferentes ramos que a trama toma, a maneira como essa sequência é organizada faz com que haja a necessidade de muita atenção de sua parte para não se perder nela. 

Por sorte, há um glossário que vai se complementando conforme você descobre mais detalhes, sem falar de um recheio bem parrudo de informações complementares, que até o final da aventura se torna uma enciclopédia e tanto contendo toda a lore por trás da história. Ela traz ligações diretas não só ao folclore local, mas também à história do país, não necessariamente vital para o entendimento do que está acontecendo no jogo, mas ainda assim algo que possa interessar a quem curte aprofundar-se na rica cultura do país.

paranormasight: the mermaid's curse, square enix
Calma lá, garotos! E vê se prestem atenção aos seus arredores, né?!

Junto de Azami e suas amigas Sato e Tsukasa, Yuza investiga os acontecimentos catastróficos de cinco anos atrás, que o levaram a perder seus pais, e como poderá evitar que tal desastre venha a acontecer novamente. Junto dele, há outros personagens que farão parte da investigação, como a dona-de-casa/investigadora paranormal Yumeko e seu assistente, Sodo, além de Avi, um escritor de livros de ficção; todos com um papel importante no desenvolvimento da trama.  

Para dar curso a ela e ligar seus pontinhos entre si, é preciso juntar informações das conversas, fazer as perguntas certas nos momentos oportunos, para então dar continuidade à história. Nem sempre a conclusão é a desejada, então é importante seguir o conselho do simpático mestre de cerimônias e voltar atrás para achar meios alternativos de seguir em frente, para então, com sorte, achar a melhor conclusão.

Em nossa investigação, no entanto, encontramos um probleminha que evitou que chegássemos ao final considerado “bom” pelo jogo. Não importava o que fizéssemos, não havia como seguir em frente, o que deve ser um bug em Paranormasight: The Mermaid’s Curse que virá a ser corrigido. Em meio a isso, fomos capazes de encontrar outros finais, alguns menos agradáveis e recompensadores quanto outros, como as visual novels tendem a ter, mas a mais legal mesmo ainda teremos que esperar por um patch por parte do desenvolvedor.

paranormasight: the mermaid's curse, square enix
O “MC” não só conduz a história, mas traz dicas quando você mais precisa.

O game traz uma apresentação simples, mas muito efetiva, com cenários pintados a mão com vista em 360 graus, mostrando personagens quase estáticos, ligeiramente animados, sem atuações de voz. O resultado é agradável e surpreendentemente expressivo, mesmo que contido. Apesar das questões de ritmo, entrega uma história viciante e conta com personagens bem desenvolvidos e críveis. Infelizmente, não há localização em nosso português, e como há uma quantidade significativa de texto em idiomas como inglês e japonês, é necessário um bom conhecimento de uma dessas línguas para aproveitar o que o jogo tem a oferecer.  

Paranormasight: The Mermaid’s Curse chega ao Nintendo Switch, PC e plataformas móveis no dia 19 de fevereiro. O preço sugerido é R$119,90 e por enquanto não há planos de lançamento em mídia física, somente digital. Jogamos a versão PC (Steam) no Windows 10, utilizando um controle de Xbox Series para produzir este review.  

O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Square Enix no Brasil por ceder um código de teste antecipadamente para a produção desta matéria.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *