Mouse: P.I. For Hire não precisa de muito para chamar sua atenção. O visual em preto e branco, inspirado nos desenhos dos anos 1920 e 1930, parece mais um experimento estilístico do que algo “jogável”. Felizmente, ele vai muito além disso, mesmo que nem sempre consiga sustentar tudo o que propõe.
Nesse jogo, assumimos o papel de um detetive chamado Jack, que é contratado para investigar uma série de desaparecimentos. A história se passa em uma cidade chamada Mouseburg (claramente inspirada em Nova York) no ano de 1934; não menos importante, todos os seus habitantes são ratos humanoides, no melhor estilo Steamboat Willie.
O maior destaque do jogo é sua identidade visual. A mistura de animação “rubber hose” com ambientes 3D cria algo que parece um desenho antigo em movimento constante. É um estilo raro e extremamente bem executado, assim como vimos em Cuphead alguns anos atrás.

Essa estética não é só um detalhe superficial. Ela influencia tudo: desde os inimigos exagerados até as animações de morte cartunescas, criando uma atmosfera que mistura humor e violência de forma bem peculiar.
Somado a isso, a trilha sonora de jazz e a ambientação noir ajudam a construir um mundo cheio de personalidade. É o tipo de jogo que você reconhece em segundos — e hoje em dia, isso já é um grande mérito.
Apesar da aparência de jogo investigativo, Mouse: P.I. For Hire é um shooter em primeira pessoa bem básico. A estrutura lembra os chamados “boomer shooters”, com ação rápida, armas variadas e foco em combate constante.

Nisso ele funciona bem. O arsenal é criativo, o ritmo é frenético e há uma sensação de fluidez que torna os tiroteios muito divertidos. Elementos como armadilhas ambientais e habilidades adicionais ajudam a variar um pouco o combate, evitando que ele fique completamente repetitivo logo de cara.
Os chefes também são um ponto alto, trazendo desafios mais elaborados e momentos realmente memoráveis dentro da campanha. Quando tudo se encaixa (estilo, combate e ritmo), o jogo realmente brilha.
Por outro lado, o fato do jogo não deixar você realmente “ser” um detetive acaba sendo um potencial desperdiçado. Nós até temos investigação na campanha, mas tudo é bastante guiado, com pistas sendo organizadas automaticamente e objetivos sempre claros.

Isso cria uma certa frustração: você está em um jogo de detetive que não exige raciocínio investigativo. A narrativa funciona, mas a interatividade poderia ser muito mais profunda. Dito isso, se nas primeiras horas tudo impressiona, com o tempo algumas limitações começam a aparecer.
O combate, apesar de divertido, se torna inevitavelmente repetitivo. Muitos inimigos se repetem e as situações de combate acabam seguindo padrões parecidos. O ritmo também pode cansar. O jogo é ótimo em sessões curtas, mas ao longo de várias horas seguidas, a falta de variedade começa a pesar — tanto no design de fases quanto nas mecânicas.
Mouse: P.I. For Hire é um jogo cheio de personalidade. Ele não reinventa o gênero de tiro em nada, mas entrega algo raro: identidade própria. Seu maior mérito está em transformar um conceito visual ousado em uma experiência realmente jogável e divertida.

O combate funciona, a ambientação é excelente e o conjunto tem muito carisma. Por outro lado, ele também deixa claro que só estilo não sustenta tudo. A repetição, a falta de profundidade e algumas limitações no design impedem que ele alcance um patamar mais elevado.
Certamente é um jogo que vale muito pela experiência e que prova que ainda há espaço para ideias criativas dentro de gêneros saturados. Se você já é fã de Doom, Wolfenstein e outros FPS clássicos, não existe nenhum motivo para deixá-lo passar batido.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria do jogo pelo fornecimento da chave da versão de PlayStation 5 do jogo para a produção desta matéria.
