Se você é das antigas quando o assunto é videogame, com certeza se lembra do selo Acclaim. Responsável por trazer todo o tipo de jogo nos anos 1980 e 1990, a publicadora acabou saindo de cena nos anos 2000, mas agora está de volta, e graças a ela, um dos títulos brasileiros mais marcantes da gamescom latam 2026.
Do estúdio independente Potato Kid, responsável pelos jogos baseados na série de TV Cobra Kai, chega Talaka, uma aventura de plataforma com forte inspiração nos jogos da série Hades, ambientado em um mundo fantasioso com raízes no Candomblé brasileiro, onde a heroína, Talaka, conta com a ajuda dos orixás em sua missão de livrar o mundo da ameaça do mal.
Durante a gamescom latam 2026, tivemos a oportunidade de testar o jogo enquanto conversávamos com seu artista principal, o paulista Stiven Valerio, que compartilhou conosco todo o processo de criação do jogo, desde sua ideia inicial, até o pitch para a Acclaim, para então chegar ao ponto em que estão no desenvolvimento.
Com um foco em mostrar para o mundo toda a riqueza da cultura folclórica do país, Talaka é claramente o fruto da paixão de seus desenvolvedores, que com a experiência e sucesso com suas criações anteriores, foram capazes de moldar um jogo com mecânicas e jogabilidades sólidas, onde o combate rápido e fluído torna-se o motor de toda a ação dessa aventura desenhada à mão por Stiven.

Bem como em Hades, a protagonista conta com a ajuda dos “deuses” brasileiros para adquirir novos poderes e capacidades, dadas a ela a cada nova tela conquistada. Na demo, vimos algumas dessas figuras tão importantes do Candomblé, como Iemanjá e Exu, belíssimamente expostos em versões animadas, algumas das quais até brincaram, através do texto do jogo, sobre os fracassos da garota.
Mesmo ainda sem data de lançamento, já deu para sentir toda a força e promessa do jogo durante essa demo. As inspirações em outros jogos é clara, mas há aqui a base para uma divertida aventura com personalidade própria e muita cultura para aqueles em busca de além de curtir um jogo, mergulhar a fundo em um aspecto tão importante do imaginário brasileiro.
Aproveitando a visita e a jogatina no evento, também tivemos a chance de trocar ideia com Justen Oliver Andrews, o gerente de produção da empresa e que faz parte da equipe da nova e revivida Acclaim. Ela voltou a fazer parte do mundo dos vivos da indústria dos games depois dos esforços de seu CEO, ex-integrante da Graffiti Games, Alex Josef, que teve dedo nos jogos do Turnip Boy no passado.
Em uma longa conversa descontraída, Justen revelou que a Acclaim de hoje busca manter um portfólio de jogos tão diversificado quanto o da antiga versão da empresa, mas com um foco mais direto no mercado de jogos independentemente produzidos, onde ele acredita estar ótimas criações só esperando para terem sua chance sob os holofotes. Quando perguntamos a ele sobre eventuais retornos de franquias famosas do selo nas décadas de ouro dos 16-bits, Andrews manteve suas cartas escondidas, sem querer fazer muitas promessas.

O que ficou claro é que mesmo sem nenhum dos integrantes que fizeram parte do grupo no passado, o resgate do nome não foi à toa. Segundo ele, a missão da Acclaim atual vai além do mero consumo da nostalgia e sim dar espaço a criações novas e eventualmente dar vida a novas propriedades intelectuais, com as quais a empresa possa se estabelecer e voltar a marcar presença no imaginário dos jogadores em um mercado ainda mais competitivo que o que a antiga versão dela deixou para trás quando fechou as portas.
Desenvolvedores interessados em apresentar suas criações para a Acclaim podem entrar em contato com a publicadora por meio de seu site, da mesma maneira que o pessoal da Potato Kid fez com Talaka. Nunca se sabe quando a oportunidade pode bater à sua porta, não é mesmo? Gostou do que viu até agora? Pois tem muito mais para você ver aqui no Entertainium Brasil. Siga nossa cobertura da gamescom latam 2026!
