Review: Maestro coloca você no centro do espetáculo

Tela principal de Maestro Tela principal de Maestro. Imagem: Nintendo

Como o nome já evidencia, Maestro é um jogo de ritmo que o coloca em um cenário com uma proposta ousada: reger músicas orquestrais usando variados e específicos movimentos com os JoyCons. O game, que é original de plataformas VR, agora, aterrissa no Nintendo Switch (1 e 2), trazendo uma nova maneira de controlar músicas em um grande palco através de movimentos fidedignos utilizados pelos regentes.

Use as duas mãos para controlar a orquestra temática à sua frente!

Neste jogo de regência, você pode marcar os tempos e compassos das músicas com uma das mãos (e, por vezes, com as duas), e dar entradas para diferentes músicos ou grupos de instrumentos ou vozes, controlar dinâmicas, acentuações e fermatas com a outra mão, mantendo a ordem em meio a tudo o que estiver acontecendo ao mesmo tempo na tela. E acredite, não será fácil! Os comandos usam o rastreamento dos giroscópios presentes nos controles do Switch, que faz o papel de batuta e simula uma mão para indicar os comandos. Tudo deve ser feito de acordo com o ritmo e com os sinais que o jogo apresenta no momento certo.

Vale destacar que, aqui, apesar da temática, não é exigido um conhecimento musical prévio, uma vez que há um tutorial explicativo no início contendo indicações precisas de direcionamento para que o jogador não deixe de realizar os movimentos que serão requeridos no game. Quase tudo é realizado através dos gestos no ar usando os controles, simulando perfeitamente as principais indicações que um chef d’orchestre deve fazer.

Movimentos variados e rítmicos são necessários para surpreender o público e ganhar altas pontuações…

Apesar de Maestro se tratar de um jogo de ritmo, ele se encaixaria muito também como um simulador, dados as movimentações amplas que devem ser feitas. Cabe pontuar que, por se tratar de um título portado do VR para funcionar através do giroscópio dos JoyCons, há uma tendência a falhas de reconhecimento dos movimentos, o que teria uma chance bem menor de acontecer caso esse jogo fosse lançado para ser jogado através do pointer do Wii Remote…

Mas, voltando à atualidade, há uma calibração rápida que pode ser feita a qualquer momento apertando um botão para que os controles sejam reconhecidos em suas devidas posições originais. Todavia, recomendamos, para melhor eficiência no jogo, calibrar os JoyCons, carregá-los bem, mantê-los próximos e na direção do console, diminuir o input lag da TV e fazer movimentos tranquilos para dar mais certo. 

Outro porém que preciso citar é o balanceamento do jogo, que pode ser tranquilo de controlar nos níveis Easy e Normal, mas extremamente complexo de domar nos modos Hard e Expert. Um meio termo entre eles poderia existir, assim como uma configuração para gerenciamento dos movimentos, e, quem sabe, até mesmo controles específicos vendidos à parte para serem utilizados, assim como existem em outros exemplos do gênero.

Escolha entre dezenas de músicas muito bem selecionados de um variado repertório orquestral, jazzístico e incidental

Como grande trunfo aqui, a trilha sonora de Maestro (há playlist oficial no Spotify!) merece destaque principal. Primeiro de tudo, é impressionante o fato de este jogo de videogame ser concebido usando quase que inteiramente um repertório composto por obras clássicas pré-existentes.

Ainda que haja algumas trilhas sonoras cinematográficas (como Harry Potter e Star Wars) e outras vindas do jazz, o que será ouvido, na maioria das vezes, serão obras típicas de salas de concerto, como composições de Vivaldi, Mozart, Beethoven, Tchaikovsky, Grieg, de Falla e Prokofiev, só para citar alguns. Muitas delas são bem densas e algumas ultrapassam cinco minutos de duração, como o movimento de suíte “Mars” (7:17), de Gustav Holst, enquanto outras se subdividem em partes, como a “Carmina Burana”, de Carl Orff. 

Já quanto aos efeitos sonoros, desde quando se está nos preparativos para entrar no palco, com o som da afinação dos instrumentos, até quando ouvimos o cantarolar do maestro ao escolher uma faixa e os aplausos ou vaias da plateia a depender da execução, todos eles oferecem um clima muito bem conciso e realista (com exceção das vaias), fazendo com que o jogador se sinta realmente como se estivesse participando deste universo orquestral na vida real. 

Alguns cenários e vestimentas destacam bem (por vezes, até demais) a característica das obras musicais

No que tange aos aspectos gráficos de Maestro, ele tem os seus altos e baixos. É interessante ver as diferentes formações e quantidades de músicos no palco, assim como suas reações e nuances de acordo com o desenrolar musical. Porém, a qualidade gráfica como um todo fica aquém da atual geração, com desenhos simples de músicos e algumas camadas que parecem ter vindo do passado. Mesmo não sendo o foco, uma melhoria aqui poderia cair muito bem em edições futuras do game, bem como a adição do nosso idioma ao rol de linguagens disponíveis.

Por outro lado, o conteúdo do game é vasto e apresenta mais de 35 músicas para reger (que incluem antigos conteúdos adicionais), descrições, ranking online, além de disponibilizar duas novas DLCs pagas: a All Aboard, que contém cinco músicas temáticas de mares e navios inspiradas em Piratas do Caribe, e a Ataque dos Titãs (Shingeki no Kyojin / Attack on Titan), incluindo o tema do anime homônimo, do compositor Kohta Yamamoto. 

Receba os aplausos, e também os “quitutes”, dos seus fãs!

Sobre as camadas extras de Maestro, elas vão além do desbloqueio das músicas para dar a possibilidade de variar os cenários, luvas, batutas e vestimentas dos músicos — que são adquiridas ao fim de cada performance em forma de presentes, que incluem bilhetes e também petiscos e bebidas. Este é um dos aspectos mais interessantes e que traz novos ares ao jogo: imagine só reger com luvas de shaman, segurando um sabre de luz, com uma orquestra vestindo roupas de bárbaros em um cenário místico no exterior de um castelo de bruxas! As possibilidades são muitas!

Trailer de lançamento de Maestro (Switch). Fonte: Microids via YouTube

Concluindo, Maestro é uma excelente escolha caso esteja buscando um jogo de ritmo diferente que envolva músicas orquestradas e novas possibilidades de comando. Apesar de algumas críticas, como o balanceamento e aspectos técnicos de controles, o game consegue prender por horas, trazendo um ótima qualidade sonora (experimente jogar usando fones de ouvido) e sequências inteligentes e bem movimentadas de comandos, fazendo você se sentir bem à frente de uma grande orquestra. A diversão é certa!

O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Double Jack pelo envio do código de jogo para a produção deste review.

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