Tales of Eternia Remastered é, na realidade, a segunda vez que o venerável RPG da Bandai Namco foi relançado. De origem no PlayStation, saído no ano 2000, o jogo eventualmente chegou ao PSP em 2006. Ele é o terceiro volume da série Tales, e é considerado por muitos um dos melhores capítulos da longeva saga. Agora, em versão remasterizada, o jogo está disponível para todas as plataformas atuais, incluindo o PC. Será que todo esse alarde faz o jogo valer a pena?
Por um lado, temos que ver como essa remasterização foi feita. Logo de cara, ao assistir à animação de apresentação, fica claro que houve o uso de algum método de assistência com inteligência artificial para trazer o conteúdo de baixa para uma resolução mais tolerável. O resultado é alguns quadros em que as cores “dançam”, efeito típico do trabalho de A.I ao tentar criar pixels novos onde estes não existiam antes, tirando conclusões calculadas ao invés do pensamento criativo que um artista teria ao retrabalhar uma imagem.
No entanto, o resultado do resto da apresentação do jogo é mais agradável aos olhos, mesmo que apelando para aquele efeito de borrar vários pixels juntos, deixando a imagem mais lisa e menos serrilhada. Por sorte, essa é a parte que os fãs mais insistentes na manutenção dos gráficos originais podem ficar tranquilos, porque é possível simplesmente escolher por jogar com tudo como era há quase 30 anos atrás, com uma opção do menu.

Mas vamos para as mudanças. O roteiro foi todo retrabalhado e as atuações de vozes gravadas novamente como resultado. Para quem nunca jogou a primeira versão, não há muito o que estranhar, já que o que está no jogo agora é de qualidade bastante aceitável. O elenco de voz do idioma inglês, o principal ao iniciar a aventura, faz seu trabalho bem, sem nenhuma atuação irritante, o que é uma surpresa agradável, pois na própria Tales já tivemos exemplos um tanto quanto chatos de personagens irritantes nesse aspecto.
Outras melhorias são o menu de modificações de jogo, que deixa você trocar vários aspectos da jogabilidade para tornar tudo mais fácil ou difícil, como multiplicadores de XP, estatísticas de personagens, dano, e até a capacidade de inventário, caso você já tenha jogado tudo antes e quiser acelerar as coisas, ou talvez não estiver com paciência para seguir o ritmo normal das coisas. De qualquer modo, são opções muito bem-vindas para um jogo mais antigo como este.
Por ser um RPG de diversas gerações passadas, além do visual retrô, pode-se esperar uma história dos moldes do passado. Aqui, você é novamente parte de uma turma que procura salvar o mundo da ameaça de forças maldosas, que desta vez estão querendo destruir os dois mundos nos quais sua jornada levará você. Após encontrar uma misteriosa menina que caiu do céu, cabe aos heróis desvendarem o mistério que ameaça toda a vida em seu lar, Inferia, além do planeta vizinho, Celestia.
A jogabilidade básica de Tales mostra-se equilibrada e bem divertida em Tales of Eternia Remastered. Caso nunca tenha jogado nenhum desses jogos, ela se mostrará simples, colocando seu grupo em lutas em tempo real, em que movimentos podem ser usados repetidamente, além de ataques especiais, que gostam pontos de técnica, ou TP, que regeneram conforme você ataca ou defende, ou utilizando ítens específicos. É possível saltar e utilizar combinações diferentes para aproveitar-se dos pontos fracos dos inimigos, e quanto mais gastar suas habilidades, melhores elas se tornam.

Dito tudo isso, o maior charme da série permanece bem presente nesse volume recauchutado: o relacionamento entre seus personagens. Desenvolvido durante as idas e vindas do jogo em cenas de diálogo, a melhor parte mesmo é testemunhar as skits, momentos que podem se desenrolar a qualquer momento em sua exploração do jogo, em que os membros do grupo decidem conversar sobre os mais diversos temas, na maioria das vezes relacionados aos acontecimentos mais recentes. São papos bem humorados, geralmente hilários, marca registrada da série, e que não deixam a gente na mão em Eternia.
É sempre bom quando jogos que encontram-se “perdidos” em plataformas abandonadas acabam sendo adaptados e atualizados, como no caso de Tales of Eternia Remastered, para sistemas atuais. Apesar do uso de meios menos preferíveis para tal, boa parte do que pode vir a incomodar pode ser desativado, deixando o jogo praticamente como era no início.
Este é mais um relançamento na campanha da Bandai Namco em trazer de volta títulos de uma de suas séries mais queridas, e esperamos que não seja o último a receber esse tratamento, afinal há ainda muita coisa boa perdida nas areias do tempo que adoraríamos ver relançados nos dias atuais. Se você ainda não jogou Tales of Eternia, essa é a oportunidade perfeita para isso!
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Bandai Namco pelo acesso à versão PC do jogo para a produção deste review.
