Desde Call of the Sea do estúdio espanhol Out of the Blue Games – do também excelente American Arcadia – e publicado pela Kwalee, que não víamos um jogo de aventura com uma história de pegada tão forte do sobrenatural, então não é de surpreender que sua sequência, Call of the Elder Gods, veio a ser como é, absolutamente sombrio e atmosférico.
Call of the Elder Gods se passa duas décadas depois da conclusão do jogo anterior, mas mesmo sendo uma continuação em termos de história, ele não requer que você tenha terminado o jogo anterior. Mais velho e amargurado após perder sua esposa para uma doença mesmo depois da tentativa sem sucesso de cura em Call of the Sea, Harry Everhart procura dar fim à escuridão que o cerca enquanto uma aluna da Universidade de Miskatonic, Evangeline, tenta achar um significado para os misteriosos sonhos relacionados a um misterioso artefato que vem tendo.

O destino dos dois se entrelaça depois de Everhart finalmente atender aos pedidos da moça para encontrá-lo, levando-os a explorar a fundo a origem da ameaça antiga que os persegue e, quem sabe, salvar os dois do perigo iminente das forças sombrias dos enigmáticos e erroneamente esquecidos deuses da loucura. Para isso, contam com a sua ajuda, estimado aventureiro. Está disposto a dar uma palhinha para a dupla?
Para tal, basta ter imaginação e curiosidade, porque vai precisar explorar e fuçar os todos os cantos do jogo para encontrar pistas para os mais variados quebra-cabeças em um mundo com aspecto cartunesco, mas nem um pouco amigável, cheio de mistérios que não querem exatamente serem desvendados. Call of the Elder Gods, bem como seu antecessor, é um jogo que querer paciência e cuidado da parte do jogador, mesmo não chegando ao nível de Blue Prince a ponto de sugerir um caderno de anotações… mesmo que seja uma boa ideia ter um por perto.

Do ponto de vista em primeira pessoa, Call of the Elder Gods não chega a impressionar em termos de qualidade visual, trazendo cenários poligonais com texturas mais simples, que funcionam para manter a ambientação visual do jogo mais leve, mesmo com a temática central sombria e desconcertante. Mesmo não sendo um jogo de terror no sentido literal da palavra, muito do que este daqui faz bem está no que não é mostrado implicitamente, mas sugerido, e como toda boa ficção com pezinho na lenda de Cthulhu, a insanidade sempre dá espaço para histórias de qualidade quando na mão de bons roteiristas, que é o caso de Call of the Elder Gods.
Com ele, a Out of the Blue Games mais uma vez foi capaz de alimentar a fome de jogadores amantes dos jogos de aventura de outrora, fornecendo uma excelente continuação que consegue ser ainda melhor ao capítulo original, soprando vida em um gênero de jogo que pouco recebe atenção nos dias de hoje. Se você é daqueles que curte um ritmo mais aplicado e conteúdo de qualidade em seus jogos, Call of the Elder Gods vai atender muito bem suas necessidades.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Capcom no Brasil pelo código de acesso ao jogo para a produção desta matéria
