Review: Star Wars Zero Company é muito mais que uma mera cópia de XCOM com a roupagem da franquia de fantasia espacial

star wars zero company

Diz o ditado que o maior elogio é a cópia, mas chamar Star Wars Zero Company, desenvolvido pelo estúdio Bit Reactor e lançado sob o selo Electronic Arts está longe de ser um mero plágio de XCOM: Enemy Unknown. Muito pelo contrário, o jogo não só é uma evolução da fórmula consagrada pela Firaxis, mas também é um excelente título, dentre os melhores já lançados como parte do império do entretenimento que é a propriedade Star Wars para a Disney. 

No papel de Tesh Keff Hawks, ou simplesmente Hawks, líder de um grupo de mercenários intergalácticos em meio aos eventos entre o Episódio II e III de Star Wars, você terá que lidar com conspirações e a ameaça de rivais para se livrar de uma dívida com o perigoso cartel dos Hutts, dividindo seu tempo entre facções e todos os trâmites que os mais ardilosos dos renegados tem de lidar nesse universo fantástico que ano que vem completa 50 anos (!) de existência. 

As Guerras Clônicas servem de pano de fundo para Star Wars Zero Company, terreno fértil que deu fruto a muitos dos melhores produtos da franquia, incluíndo as séries animadas, uma de mesmo nome do conflito, Rebels, entre outras. Nesse quesito, Zero Company é brilhantemente desenvolvido, fazendo uso consistente e divertido do material que tem à sua disposição, não só em termos de história, com a sua que se desenrola de maneira dinâmica tanto durante quanto entre suas missões, mas também com relação a todas suas nuances, mecânicas e, o mais importante, sua jogabilidade.

Os parceiros de Hawks nessa brincadeira são um grande exemplo disso, trazendo uma fatia do rico cânone criado por George Lucas ao incluir, por exemplo, um dos soldados clones, desgarrado de seu regimento, para ajudá-lo – e, diga-se de passagem, conta com a performance de voz de Dee Bradley Baker, o mesmo dublador do desenho animado – como também membros das mais diversas raças de Star Wars, incluindo um membro da espécie Lassat, a mesma de Zeb, de Rebels, que recentemente marcou presença em Mandalorian e Grogu.

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Trick tacando fogo, literalmente, na oposição. Esse cara é demais!

O mesmo pode ser dito sobre Hawks, já que é possível customizar o/a protagonista, decidindo que tipo de boneco vai ser, com a possibilidade de tornar sua pessoa uma parte de diversas dessas possibilidades intergalácticas. O relacionamento do/da protagonista com seus colegas é fundamental para o sucesso da narrativa e imersão do jogo, que a cada momento livre ou até mesmo em meio ao fogo inimigo, passa por constante evolução, não só em termos de roteiro, mas também de habilidades. 

Isso porque, ao lutar lado-a-lado com seus colegas, cada guerreiro acaba desenvolvendo capacidades especiais, verdadeiros elos que crescem a cada batalha juntos. São bônus de dano, por exemplo, ou melhorias de estatísticas-base, que servem como incentivo para variar a composição de seu time, que cresce conforme a aventura se desenrola, e como é possível levar somente quatro deles a cada missão, faz valer a pena não depender de um grupo fechado a todo momento.

Falando nas missões, a grande cartada do jogo, porque são nelas que a sua história única é levada adiante, porque há constantemente escolhas a serem feitas quanto ao rumo do destino da Zero Company, sob a forma de ramos distintos da árvore narrativa, que levam a trajetos diferentes. Você se vê obrigado a escolher por onde ir, tendo que fazer paz com suas escolhas e seguir adiante, sofrendo ou se beneficiando das consequências delas. 

Essa é uma maneira eficiente que a Bit Reactor encontrou de tornar cada jogatina própria para diferentes jogadores, além de conferir ao jogo um elemento a mais de RPG, algo que, sim, sempre esteve em XCOM de certa maneira, mas nunca de maneira tão densa quanto em Star Wars Zero Company. Pode parecer exagero, mas tal preocupação e execução de alto nível acabam elevando a experiência como um todo, ainda mais para quem é fã do material, como nós somos por aqui.

No entanto, nem tudo difere o novo Star Wars do que o inspirou. No seu âmago, a jogabilidade funciona de maneira bastante parecida, colocando você no controle de personagens com movimentação atrelada a uma grade, tendo que se preocupar com o posicionamento e proteção, seja por cobertura de outros soldados por meio da habilidade overwatch, que possibilita o fogo automático contra o inimigo, como obstáculos do mapa. Há também a presença da infame aleatoriedade dos tiros, uma das maiores pedras no sapato de qualquer um que já se deliciou – e se frustrou – com XCOM.

Por outro lado, Zero Company faz o possível para amenizar essa dor, dando acesso a poderes um tanto quanto absurdos para seus personagens, muitos dos quais podem (e devem) ser combinados, muitos dos quais têm a capacidade de basicamente “quebrar” o jogo, destruindo a oposição. É o caso da habilidade de Trick, o soldado clone da companhia, que pode, de maneira absoluta, dominar o campo de batalha com seu poder que o dá uma chance a mais de atacar, que aliado ao seu alcance natural, o habilita a tomar controle da situação fora de sua vez. Sabendo que há como chamar um coleguinha para dar fogo de suporte mesmo já tendo sido movimentado no turno, é só dar o sinal para o cara que ele cai matando de novo.

Esse é só um exemplo da gama de possibilidades à sua disposição em Star Wars Zero Company, um jogo feito para que o jogador se sinta poderoso e ao mesmo tempo consciente dos seus limites, ao colocar escolhas de peso diante dele, respeitando sua inteligência e capacidade de um modo que é raramente visto em jogos, especialmente os vindos de corporações com grupos de teste de foco como a EA. É de se surpreender que algo desse nível de qualidade com o tremendo respeito pelo tempo do consumidor chegue a ser lançado hoje em dia. Felizmente, conseguimos ter a oportunidade de aproveitar algo como Zero Company.

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Kabb é o coração da equipe em Zero Company, sempre com uma fala um tanto estranha, mas contundente para toda situação.

Infelizmente, temos que comentar sobre os aspectos técnicos do jogo, em detalhe a estabilidade, ou melhor, falta de, deste lançamento, há pouco mais de um mês após seu lançamento. Nas horas que passamos digladiando com todo tipo de ameaças do espaço, sofremos com travamentos e quedas para a área de trabalho ao jogar a versão PC de Star Wars Zero Company. Em contrapartida, é preciso também elogiar todo o tempo de trabalho colocando na apresentação do jogo da vez, não só no caráter visual, extremamente detalhado e repleto de referências ao tão amado e rico universo de Lucas, mas, juntamente, sua trilha sonora, que complementa a ação brilhantemente. Tudo rodando lisinho em nosso sistema, que como já comentamos há alguns reviews, não é dos mais novos, bem como a Falcão Milenar do amigo Solo.     

Star Wars Zero Company é a mais grata das surpresas de 2026, um ano recheado de lançamentos de peso na turbulenta realidade do mercado atual de jogos eletrônicos. É um marco não só entre a biblioteca populosa de produtos Star Wars, mas também como um título incrivelmente bem desenvolvido e pensado pela Bit Reactor, que mesmo sendo bom por si só, se beneficia ainda mais do seu elo com esse mundo de fantasia espacial. Ele está, sem dúvida alguma, entre nossos favoritos dos últimos tempos. 

Nem tudo são flores, e nos sentimos na obrigação de comentar sobre. Pontuando um projeto que ao todo tem saldo extremamente positivo é o fato de que seu desenvolvedor, a equipe da Bit Reactor, tem estado em maus lençóis desde o lançamento de Star Wars Zero Company, com quase a totalidade de seus empregados afastados de seus cargos. Por mais que o jogo seja de qualidade, ninguém está a salvo na situação atual da indústria dos videogames. Torcemos, com toda nossa Força, que tudo melhore para a equipe, e que possam dar continuidade ao seu trabalho na franquia, ou que, pelo menos, todos os que estão sofrendo neste momento consigam se restabelecer. O grupo é MUITO talentoso e merece melhor do que vem recebendo.  

O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Electronic Arts pelo acesso à versão PC do jogo para este review. 

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