Crítica: O Bosque Selvagem é lindo e traz uma emocionante história de união e coragem

o bosque selvagem

Muitos consideram os Estúdios Laika uma mera brincadeira de um garotinho mimado, algo que só existe por causa de um pai rico que queria dar um presente ao filho, mas em sua trajetória de mais de 20 anos, o famoso estúdio de animação em stop motion já trouxe grandes produções, alguns até que chegaram a concorrer prêmios de prestígio como o Oscar. O Bosque Selvagem (Wildwood, no original) continua essa tendência, trazendo uma história surpreendentemente madura levando em consideração seu público-alvo, além, é claro, de valores de produção incríveis, como de costume para a Laika.

O grupo, localizado em Oregon, aproveitou o lindo cenário natural de sua cidade natal, Portland, para utilizá-lo como pano de fundo para o filme, que se passa, em sua maioria, nas matas que fazem margem com a cidade. Nela, segundo o longa, há um bosque protegido por um poderoso feitiço, onde animais e humanos vivem lado a lado e a magia da natureza reina. Lá, uma mãe vê-se separada de seu amado filho, o que a leva a cometer um crime imperdoável para a sociedade local, o que vem a ser a força-motriz da trama.

Já na cidade, onde ninguém tem ideia da existência do bosque, vive Prue e sua família, felizes, mas cuidadosos, até que um dia a menina vê-se sozinha em casa com seu irmãozinho. Em uma escapadela de bicicleta junto do bebê, acaba perdendo-o para um enxame, digo, bando de corvos, que o carregam mata adentro. Sem saber do perigo à sua espreita, a menina adentra a floresta mística, com um convidado inusitado junto dela, seu coleguinha, o atrapalhado Curtis. 

Os dois se vêem separados quando chegam lá ao darem de cara com uma matilha de coiotes uniformizados, e é aí que a confusão toda se dá, com Prue conhecendo o lado mais burocrático do bosque, enquanto que Curtis se vê capturado pelas forças da maldosa Governadora Viúva, que, de início, o confunde com seu filho há muito perdido. O que se dá a partir daí é uma aventura divertida, repleta de emoção e com uma mensagem de união fraternal, além de aceitação das diferenças entre amigos, que colocará não só o destino do irmão dela em risco, como também toda a vida presente no bosque.

O Bosque Selvagem é, de longe, o filme mais ambicioso da Laika até hoje. E isso não é exagero, levando em consideração a quantidade absurda de personagens, cenários e cenas complexas que a produção contém. Tudo feito da maneira cuidadosa que a técnica do stop motion exige, não é surpresa que demoraram meros 7 anos para tirar a ideia do papel e colocá-la em filme. O resultado é um longa-metragem maravilhoso em seu esplendor visual, trazendo personagens surpreendentemente carismáticos, com elementos mais realistas quando se trata de materiais e superfícies, uma característica do estilo de animação que Ray Harryhausen popularizou há quase cem anos atrás. Tranquilamente, os Estúdios Laika estão em um patamar só seu quando o assunto é stop motion, sem dúvida.

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A relação entre irmãos é muito calorosa e serve de combustível para a paixão da protagonista para entrar de cabeça nessa aventura.

O mesmo poderia ser dito quanto ao lado sonoro da produção se não fosse a mixagem bizarra danda entre a faixa de música e efeitos sonoros e a dublagem nacional, que acaba ficando meio calada, como se os atores estivessem atuando dentro de uma caixa de papelão. Tirando isso, a qualidade das vozes é muito boa e irá agradar ao público mais jovem, acostumado a assistir aos seus filmes no cinema dessa maneira. Entre o elenco original, nomes consumados como o de Angela Basset, Carrey Mulligan e Mahershala Ali carimbam o pôster do filme junto a de outros mais jovens, conferindo ao longa uma boa mistura de talentos.

O Bosque Selvagem configura uma das grandes surpresas animadas em um ano especialmente competitivo no gênero. Com história e ambientação imersivas, é um dos filmes que irão agradar e muito não só filhos, mas também pais que vierem a levar seus pequenos para encarar a telona. Essa é mais uma prova de que os Estúdios Laika não é só uma brincadeira de ricaço, mas uma fonte de produções de qualidade que podem não serem enormes sucessos de bilheteria, mas oferecem experiências divertidas para um público mais amplo que o normal para animações.

Distribuído pela Imagem Filmes no Brasil, O Bosque Selvagem chega aos cinemas do país no próximo dia 29.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria do filme pelo convite à cabine de imprensa para a produção desta crítica.    

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