Lara Croft encerra sua história de origem na trilogia Survivor com uma aventura que aposta mais na exploração e nos puzzles do que nos combates. Shadow of the Tomb Raider: Definitive Edition chega ao Nintendo Switch 2 com a experiência completa, incluindo a campanha principal e os sete pacotes de conteúdo adicional lançados.
Desenvolvido pela Eidos Montréal e lançado originalmente em 2018, o jogo coloca Lara em uma jornada pela América Latina, com passagens por florestas, cavernas, ruínas antigas e cidades escondidas. A versão para Switch 2 mantém os principais elementos da aventura, além de adaptar controles e recursos para o hardware híbrido.
O port é competente, que preserva boa parte da qualidade visual e da jogabilidade original. Entretanto, a limitação de 30 fps, algumas imperfeições gráficas e a ausência de mira por giroscópio mostram que a conversão poderia ter ido além.
A principal qualidade de Shadow of the Tomb Raider está na exploração, que resgata boa parte da essência dos clássicos. Lara precisa atravessar ambientes perigosos, escalar paredes, saltar entre plataformas instáveis e encontrar caminhos escondidos em cenários repletos de armadilhas.

A movimentação é bastante satisfatória, especialmente quando o jogador precisa combinar escaladas, cordas e equipamentos para alcançar áreas aparentemente inacessíveis. Alguns trechos exigem atenção redobrada, já que superfícies podem desmoronar ou esconder perigos inesperados.
As tumbas também merecem destaque. Diferente de jogos que utilizam esses espaços apenas como caminhos alternativos, Shadow oferece puzzles elaborados, com mecanismos, plataformas e estruturas que exigem observação e raciocínio. Resolver esses desafios é uma das partes mais recompensadoras da aventura.
A Definitive Edition ainda inclui sete tumbas adicionais dos DLCs, que ampliam a quantidade de atividades disponíveis. Algumas delas podem ser jogadas em cooperativo, oferecendo uma alternativa interessante para quem deseja explorar os desafios acompanhado.
Outra mudança importante em relação aos jogos anteriores da trilogia está no equilíbrio entre combate e furtividade. Shadow of the Tomb Raider reduz a quantidade de confrontos diretos e oferece mais ferramentas para Lara eliminar inimigos sem ser percebida.
A protagonista pode se esconder na vegetação, utilizar árvores como pontos de observação e até cobrir o corpo de lama para se camuflar em algumas situações. O arco também continua sendo uma das armas mais úteis, com diferentes tipos de flechas que permitem abordar os confrontos de maneiras variadas.

Essa mudança combina com a proposta de exploração e sobrevivência, mas pode desagradar quem prefere os tiroteios de Rise of the Tomb Raider. Os confrontos são interessantes, mas aparecem em menor quantidade, e algumas situações acabam incentivando excessivamente o uso da furtividade.
A trama acompanha Lara e Jonah em uma expedição ao México. Ao retirar uma adaga de um templo, a protagonista acaba desencadeando uma catástrofe que ameaça provocar o fim do mundo. Para impedir o desastre, ela precisa encontrar a cidade escondida de Paititi e evitar que a organização Trinity utilize o artefato para seus próprios objetivos.
A ambientação é um dos pontos fortes da narrativa. As florestas densas, as cavernas e as construções antigas ajudam a criar uma aventura com identidade própria. Paititi também se destaca por oferecer uma região mais movimentada, com habitantes, atividades e espaços para explorar.
Já o desenvolvimento de Lara é mais irregular. A personagem toma decisões impulsivas e coloca seus objetivos pessoais acima das consequências das suas ações, o que contradiz sua personalidade em determinados momentos. A história tenta trabalhar essas falhas, mas nem sempre consegue equilibrar a responsabilidade da protagonista com seu papel de heroína.
Ainda assim, quem acompanhou os dois jogos anteriores encontrará uma conclusão satisfatória para a trilogia, mesmo que a narrativa não alcance os melhores momentos dos seus antecessores.

A conversão da Aspyr apresenta desempenho geralmente estável, mas com algumas limitações. O jogo trabalha com uma meta de 30 fps tanto no modo portátil quanto na TV, mantendo a taxa de quadros na maior parte do tempo, inclusive durante combates e sequências mais movimentadas.
A resolução alcança 1080p quando conectado à televisão, enquanto a imagem fica um pouco menos definida na tela do console. A diferença não chega a comprometer a experiência, mas é perceptível quando os dois modos são comparados.
Visualmente, o resultado ainda impressiona. A iluminação, a vegetação e a arquitetura das ruínas ajudam a construir cenários bem bonitos, especialmente considerando que se trata de um jogo de 2018. Por outro lado, há limitações na distância de renderização, objetos que aparecem repentinamente na tela e algumas texturas menos detalhadas.
O limite de 30 fps é uma das maiores oportunidades perdidas. Um modo de 40 ou 60 fps, mesmo com downgrade gráfico, poderia deixar a movimentação e a mira mais responsivas. A ausência de HDR também chama atenção em uma aventura que utiliza bastante iluminação e sombras para construir sua atmosfera.

O Switch 2 ainda oferece suporte a recursos como mouse, tela sensível ao toque e HD Rumble 2. O mouse pode ser uma alternativa interessante para mirar, enquanto a tela sensível ao toque facilita algumas interações nos menus e na inspeção de objetos. Já a mira por giroscópio não está disponível de maneira funcional durante os combates, uma ausência frustrante para quem esperava aproveitar melhor os recursos do console.
Shadow of the Tomb Raider: Definitive Edition é uma boa aventura de ação e exploração, especialmente para quem já acompanhou a trajetória de Lara Croft nos dois jogos anteriores. A versão de Switch 2 entrega desempenho estável na maior parte do tempo e gráficos bonitos, embora existam concessões visuais e limitações técnicas que impedem o port de se destacar.
Para novos jogadores, é uma oportunidade de conhecer o encerramento da trilogia Survivor em um console portátil. A aventura continua divertida e oferece bastante conteúdo, mesmo que não seja o capítulo mais consistente da jornada.
Shadow of the Tomb Raider é uma boa adição ao catálogo do Switch 2, mas vale considerar uma promoção antes da compra, principalmente para quem já jogou a aventura em outro console.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Aspyr pelo fornecimento do código de jogo para a produção deste review.
