Crítica: Godzilla Minus Zero pode não ser tão impactante quanto Minus One, mas continua a impressionar

godzilla minus zero

Apesar de carregar uma das licenças mais longevas e queridas da Toho, Godzilla Minus One ainda foi capaz de surpreender o mundo com seu sucesso estrondoso há alguns anos atrás. Fruto da mente de Takashi Yamazaki, que não só escreveu o roteiro e dirigiu o filme, como também foi o supervisor de seus incríveis efeitos especiais, a produção causou um verdadeiro rebuliço, chegando a ganhar um Oscar nessa última categoria.

Chegando não muito tempo depois, sua continuação, Godzilla Minus Zero, traz um longa repleto de destruição, ainda mais drama humano, e uma mensagem contundente de união e perseverança frente a uma adversidade calamitosa, que desta vez chega em dose dupla. Sim, a ameaça não é só o kaiju que dá nome à franquia de mais de 70 anos de existência, já que Ghidorah também decidiu bater seu cartão também.

A história se passa dois anos após os acontecimentos de Minus One, em 1949, mostrando o Japão ainda se recuperando do tremendo baque do final da Segunda Guerra Mundial. Em Kumamoto, na província de Nagano, um misterioso meteorito é descoberto, dele saindo o arrebatador dragão mutante Ghidorah, que não perde tempo em tocar o terror no local. Um dos sobreviventes de seu ataque, o Dr. Murakami (Min Tanaka), junta-se ao Dr. Kenji Noda (Hidetaka Yoshioka), agora líder da frente de defesa após o ataque de Godzilla.

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Murakami (interpretado pelo veterano Min Tanaka) é uma das excelentes novidades da sequência. Um personagem em conflito não só com o monstro, mas consigo mesmo.

Murakami vem pesquisando as circunstâncias por trás da ameaça dos lagartões e junto de Noda e Aoyama (Masami Nagasawa), especialista em meteorologia, trabalha para tentar prever onde Ghidorah irá atacar novamente, além de traçar um plano para contê-lo. Não é de se surpreender que em meio a tudo isso, nosso gigantesco amigo Godzilla resolve mostrar sua cara e que um confronto entre os dois monstros acontece, revelando-se, também sem grande surpresa, ser o ponto de ebulição de Godzilla Minus Zero.

Mas a trama não para por aí, pois temos também a volta da família Shikishima, formada por Koichi (Ryunosuke Kamiki), ex-piloto kamikaze, e a enfermeira Noriko (Minami Hamabe), agora acompanhados por sua fofinha filha Akiko (Sae Nagatani). Relutante em participar novamente de uma briga com um kaiju, por agora ter uma família, Koichi vê-se obrigado a entrar no páreo, levando-o ao extremo de sua humanidade, dividido entre o sentimento de dever ao país, tema recorrente em produções japonesas e algo que é de fato culturalmente implantado, com a vontade de viver em paz com seus entes queridos, algo que mostra ser impossível frente às circunstâncias atuais.

O que segue é uma pancada atrás da outra, com os monstros levando o elenco humano a tomar medidas cada vez mais extremas, enquanto que toda a população ao seu redor sofre com a destruição, muito bem exibida, mais uma vez, por meio dos incríveis efeitos especiais supervisionados pelo diretor Yamazaki, que colocam a platéia em meio ao sofrimento e desespero generalizado das minúsculas pessoas no chão, formiguinhas quando comparadas aos gigantes que só querem as dizimar. Nesse quesito, continua sendo eletrizante como o primeiro filme, sem dúvida, mesmo basicamente repetindo a fórmula.

E é por isso mesmo que o impacto de Godzilla Minus Zero não chega a ser tão grande quanto o de Minus One, mesmo sendo um filme bombástico e repleto de tudo o que fez o primeiro ser o sucesso que foi. A presença de um segundo kaiju garante um ingrediente a mais ao caldo a vir ser entornado, algo que acontece de modo que atende às expectativas, seguindo o caminho esperado de um filme de monstros. 

É divertido? É, e extremamente bem-feito. O drama humano, geralmente um dos grandes empecilhos nesse tipo de filme, também é desenvolvido adequadamente, sem causar o incômodo usual de ficar no caminho da grande briga entre mutantes, mesmo tendo que contar com elementos cada vez mais exorbitantes, melhor mantidos para a sua experiência ao assistir. Sendo assim, se você gostou de Godzilla Minus One e quer repetir a dose, não deixe de conferir Godzilla Minus Zero.

Godzilla Minus Zero é uma produção da Toho, distribuída pela Sato Company, e chega oficialmente a todos os cinemas  do Brasil na próxima quinta-feira, dia 5, com acesso antecipado exclusivo ao IMAX hoje mesmo.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Sato Company pelo convite à cabine de imprensa para a produção desta crítica.          

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