Do diretor Guy Ritchie, a mente por trás de alguns dos filmes de ação e aventura mais marcantes das últimas décadas, como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Snatch: Porcos e Diamantes e Sherlock Holmes, chega Na Zona Cinzenta, mais uma superprodução com um elenco de estrelas e explosões a dar com o pau. Será que deu certo mais uma vez? Descubra em nossa resenha completa a seguir!
Não é de hoje que Guy Ritchie mostra ser um diretor com um foco, o de garantir uma sessão muito divertida no cinema, em que o público é capaz de seguir uma história repleta de reviravoltas e muita adrenalina, na companhia de muitas estrelas de Hollywood. Em A Zona Cinzenta (In the Gray, no original), a fórmula de sucesso do inglês é repetida, apesar do resultado não ser tão animador quanto suas produções anteriores.
Contando com nomes como Jake Gyllenhaal (precisa de introdução?!), Henry Cavill (o eterno The Witcher, entre outros), Eiza Gonzalez (de No Ritmo da Fuga), Rosamund Pyke (007: Um Novo Dia Para Morrer) e algumas outras surpresas, Na Zona Cinzenta é um filme competente de ação que segue firme a cartilha de Ritchie, contando uma história até que interessante, mas em suas idas e vindas, falta emoção, tornando-se uma lista de elementos que deveriam torná-lo incrível, sem o tempero especial tão presente nos filmes passados dele.

No novo longa, ficamos conhecendo uma impetuosa advogada Rachel Wild, a personagem de Gonzalez, especializada em tratar de casos bilionários em que métodos tradicionais e legais não são suficientes, onde há a necessidade de transitar pelo caminho obscuro entre o moral e o imoral, a titular zona cinzenta. Ela acaba pegando o caso de uma grande empresa em Nova York, que está em busca de reaver um empréstimo feito a um inescrupuloso malfeitor, dono de uma ilha no Caribe.
É aí que entram Bronco (Gyllenhaal) e Sid (Cavill), dois mercenários a serviço dela, especializados em resolver problemas um tanto mais complicados, bem como este. Munidos de planos elaborados que tomam a maioria do tempo do filme, Rachel e sua equipe entram de cabeça na confusão, tanto quando se trata de batalhas travadas entre exércitos tanto entre advogados no tribunal quanto com armas de grosso calibre. O que deveria ser uma mistura emocionante resulta em momentos inexpressivos, mesmo que muito bem dirigidos e surtando do estilo característico de Ritchie, graças à certeza e segurança exacerbados dos personagens.
Em sua eficiência e profissionalidade demonstrada pelos atores no roteiro, há raros momentos de incerteza e medo entre eles, e tudo é executado de maneira tão reta e sem desvios, que quando há a necessidade de um pouco de improvisação, nem há grande preocupação por parte da platéia, por saber e ser confirmado que tudo dará certo no final. A história, tendo a mesma palhinha de outras do diretor e roteirista, tenta variar um pouco as coisas, mas não anima muito, sendo previsível, mesmo contando com o humor característico do homem, que é muito bem levado à tela pelo excelente elenco.
Mesmo carecendo de dúvidas no decorrer de sua duração, todo o resto de Na Zona Cinzenta é muito bem executado, começando pelas interpretações, muito boas, com química entre os protagonistas masculinos, caracterizando uma dupla que obviamente já está trabalhando junta há muito tempo. Tanto Cavill quanto Gyllenhaal mostram-se confortáveis no meio da poeira e cabem muito bem em seus papéis, enquanto Gonzalez, em toda a sua beleza e elegância, arrasa nos diálogos, destilando muito veneno e charme quando necessários. Pyke, infelizmente, não tem tantas chances de mostrar a que veio.
No aspecto não menos importante, o da ação, Na Zona Cinzenta brilha, sem surpresas. Se você já tinha assistido aos trailers, viu a maioria das gags e os momentos mais importantes quanto a isso, mas ainda sobraram alguns, apesar de poucos, picos de emoção na versão final do filme, que mesmo não contando com a incerteza que falamos no começo da crítica, ainda transmitem o bom e puro caos cinematográfico, especialmente na telona. No estilo do diretor, este é mais um longa com um apelo especialmente gráfico, com toda uma apresentação de texto em tela, que para nossa versão nacional, vem todo traduzido e não destoa do resto do visual.
O resultado final do filme, em seus 97 minutos de duração, mostra que mesmo para um diretor experiente como Guy Ritchie, um nome de peso por trás de muitos dos clássicos atuais do cinema, não é só uma questão de aplicar uma fórmula consagrada para transformar uma produção em um sucesso absoluto. Há a necessidade de um quê a mais, algo que Na Zona Cinzenta, por mais que tente, acaba carecendo.
Distribuído pela Diamond Filmes e produzido pela Black Bear, Na Zona Cinzenta aterrissa nos cinemas brasileiros HOJE.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Diamond Filmes pelo convite da cabine de imprensa para a produção desta matéria.
