A Plague Tale: Innocence foi um dos jogos que mais cobrimos no Entertainium pré-lançamento, com matérias vindas diretamente da E3 no decorrer dos anos. Pode até parecer brincadeira, mas para nós foi difícil não acabar desenvolvendo uma espécie de relação com o jogo, do tipo que a gente tem ao ver uma criança crescendo desde bebê, ou como no caso da criação da Asobo Studio, antes mesmo de sair da barriga da “mãe”.
Quando finalmente tivemos a oportunidade de jogar a versão final, veio a grande confirmação depois de tanto tempo na expectativa: uma experiência jogável incrivelmente ambiciosa, que apesar de conter algumas questões comentadas no nosso review, mostrou ser a base sólida para uma bela história. A sequência, A Plague Tale: Requiem, mais que provou isso, trazendo uma continuação contundente à jornada dos irmãos Amicia e Hugo e com jogabilidade aprimorada. Foi a conclusão de um arco que deixou aberto possíveis novas tramas.
Resonance: A Plague Tale Legacy é uma delas, talvez a mais distante da ideia estabelecida no final de Requiem, já que no novo jogo a protagonista é outra e não há uma conexão explícita com o que veio antes dele, fora algumas alusões e a presença da misteriosa Ordem. Mesmo assim, Resonance conta com um elenco mais que interessante, momentos tensos de ação e mesmo que previsível, uma história envolvente, mesmo que não tanto quanto os dois primeiros títulos da série.

No papel de Sophie, uma garota que vive entre os caçadores de relíquias às margens da sociedade veneziana do século XIV, quando a cidade ainda era um reino próprio na região que viria a ser a Itália. Antes feita refém pela Ordem e obrigada a descrever as enigmáticas visões desenhando-as em um caderno à força, ela é logo salva por seu pai, líder da comunidade, cuja missão de vida é desvendar o significado dos rabiscos.
Ao início da aventura, assumimos o controle de uma Sophie já adulta, cotada entre as melhores guerreiras do vilarejo e dotada de uma curiosidade absurda, principalmente com relação ao local para onde suas anotações levaram seu pai a desaparecer: a ilha do Minotauro. Chegando lá por via dos acontecimentos da trama que seriam spoilers nesse texto, junto de sua melhor amiga, Leni, a moça enfim começa a conectar os pontos e dar significado a todo o seu sofrimento quando criança.
Bem como os jogos passados, Resonance: A Plague Tale Legacy traz elementos de plataforma e combate juntos a mecânicas de quebra-cabeça, no melhor estilo Uncharted de ser. No entanto, Sophie, por ser treinada para combate, tende a ser mais habilidosa que Amelie, com Resonance dando mais ênfase a esse aspecto, incluíndo um sistema de esquiva e contra-ataque, além de oferecer diferentes armas a serem usadas, cada uma com ataques únicos.

Isso sem falar também de toda uma página dedicada aos vários equipamentos, como joias e outros apetrechos que dão vantagens especiais à protagonista conforme são encontrados. Mesmo não tendo nenhum tipo de evolução por meio de níveis de personagem, com esses ítens é possível ter um crescimento da força e capacidade de Sophie, apesar de que, convenhamos, a dificuldade das lutas não chega nem perto de ser absurda, mantendo-se relativamente tranquila graças à simplicidade dos padrões de comportamento e agressividade dos inimigos. A Plague Tale Legacy está longe de ser o seu próximo soulslike.
O grande trunfo de Resonance é sua ambientação. Da mesma maneira que o estúdio acertou nos capítulos anteriores, aqui o mundo é belíssimo, rico em detalhes e vida, dotado de luz e cor, que dão a ele uma existência além de mero pano de fundo para a ação do jogo. Sophie, Leni e todos os outros personagens do grupo principal são muito bem desenvolvidos visualmente, trazendo traços culturais que os dão personalidade implicitamente, e que juntos do roteiro, fazem deles figuras além do jeito caricato de ser, comum no videogame. Lembrando também – sem entrar em detalhes para não estragar surpresas – que o jogo mostra mais de uma versão temporal de seu mundo, ambas estonteantes de maneiras distintas.
Resonance: A Plague Tale Legacy pode não ser a continuação que esperávamos para a série desenvolvido pelo Asobo Studio, mas mesmo assim é um jogo que adoramos jogar, nos surpreendendo em vários momentos. Resta agora torcer para que a equipe pense em voltar a trabalhar no desenvolvimento dos elos deixados em aberto por Requiem, eventualmente. Afinal, há ainda muito pano na manga de A Plague Tale, sem dúvida.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Focus Entertainment pela chave da versão PC do jogo para a produção deste review.
