Por mais que a parceria entre a Marvel e a Capcom nos anos 1990 e 2000 tenha sido um tremendo sucesso, com alguns dos maiores clássicos dos jogos de luta rolando nos fliperamas e consoles caseiros, já fazia um bom tempo que uma boa atualização não chegava ao mercado. Não é de relançamentos que uma marca se mantém na boca do povo, não é mesmo? Ficou para a Arc System Works o desafio de dar nova vida para o selo dos quadrinhos nos videogames, junto da Sony, sua publicadora.
O resultado dessa junção entre gigantes de seus respectivos meios? Marvel Tokon: Fighting Souls, um jogo de luta que será instantaneamente familiar para aqueles que já conhecem o trabalho da Arc com títulos desse tipo como o incrível Dragon Ball FighterZ, outra vez um prato cheio tanto para adoradores do material original quanto para aqueles em busca do seu próximo grande vício no entretenimento digital.
Colocando alguns dos principais heróis e vilões da Casa das Ideias em embate direto pelo destino do planeta Terra, Marvel Tokon: Fighting Souls não é seu Street Fighter da vida, nem uma repaginada de Tekken ou outro simulador de porradaria mais cara-a-cara como ele. Aqui, as pancadas são épicas sem muito esforço, graças a um sistema de comandos simplificado, que garante combos ameaçadores com a repetição do mesmo botão ou de no máximo três em sequência, resultando em cenas dramáticas e a barrinha de vida do inimigo diminuindo.
Claro, há muito mais envolvido nisso, e para ficar realmente bom no jogo é preciso de treino e prática, afinal Marvel Tokon conta com camadas de jogabilidade, atreladas à presença dos outros três personagens da sua equipe, que junto dos diversos medidores de poder, são capazes de liberar ataques gigantescos na hora certa, dependendo se você investiu ou não durante o embate em carregá-los. Como jogo de torneio, Tokon tem tudo para dar nova energia ao bordão “When’s Mahvel?!”, já que a emoção está aqui a pleno vapor graças a essa flexibilidade que o jogo oferece.

Com uma história simples e um tanto boba, Marvel Tokon: Fighting Souls junta alguns dos mais icônicos rostos de uma das editoras mais queridas dos quadrinhos como Homem de Ferro, Homem Aranha e até o Duende Verde, a outros nem tão conhecidos, do naipe de Penny Parker e Perigo, colocando-os frente-a-frente com um novo vilão em busca dos lutadores mais fortes do universo. O elenco divide-se em equipes distintas, que desenham o traçado do modo história para um jogador, cada um com um artista diferente – incluindo o brasileiro Mike Deodato Jr., um dos maiores nomes do ramo e veterano da Marvel – encarregado de ilustrar os painéis onde o diálogo que antecede as vias de fato acontece.
Sem nada que chame a atenção e servindo mais como um tutorial mais dinâmico e sem enrolações – você pode jogar outro que é um pouco mais detalhado na opção separada do menu principal – não será nele que você passará mais tempo se divertindo no jogo. Para isso, há outras opções. Tirando o cenário online usual para partidas casuais e ranqueadas, que funcionam bem o suficiente para garantirem muitas horas de brilhantes (ou nem tanto, dependendo da sua conexão) pelejas com amigos ou oponentes aleatórios em um cenário onde você controla um avatar cartunesco (que nem FighterZ), há outras opções mais ao sabor usual da Arc System Works.
Na All-Star Arena, a brincadeira é outra. No melhor estilo ‘torre’ de Mortal Kombat, nela você enfrenta uma série de desafios cada vez mais insanos com equipes pré-determinadas de lutadores a fim de anotar as melhores pontuações no ranque mundial. Mais que o modo história, a arena com elementos roguelite – ou seja, perder significa fim de jogo, mantendo os aumentos das características de seus personagens – ajudará você de modo ainda melhor a aprimorar suas habilidades, colocando combinações mais inusitadas de personagens para mostrar que não há necessidade de se ater às equipes consideradas padrão do jogo, exibindo, também, toda a versatilidade do elenco da vez.
Arcade Rumble é onde você também pode levar seu avatarzinho e aporrinhar seus rivais tanto em lutas ainda mais simples no mapa, por meio de ataques cada vez mais fortes ao juntar potencializadores espalhados em todos os cantos, como também por meio de brigas no campo normal. Essa modalidade é, essencialmente, uma maneira mais rápida de se jogar com um grupo maior e funciona bem, apesar de colocar obstáculos no caminho de quem quer só jogar um contra e pronto. No geral, é uma inclusão boa, afinal, é sempre bom ter mais opções de jogar, mesmo que acabe sendo deixada de lado para os mais casuais.

Seguindo a cartilha da Arc System Works, não é de surpreender que Marvel Tokon: Fighting Souls seja um deleite visual. Bem como Dragon Ball FighterZ, conta com uma apresentação extremamente colorida, com personagens impecavelmente animados e divertidos de acompanhar na tela. Mesmo com cenas de anime que se repetem entre capítulos do modo história e um choque de estilos entre as partes jogáveis, essas partes em animação e os painéis de quadrinhos que contam a história, o resultado geral é positivo. Lembrando que há localização completa para o português brasileiro, incluindo dublagem em nosso idioma!
Dito tudo isso, é seguro considerar Marvel Tokon: Fighting Souls um dos jogos de luta mais amigáveis disponíveis no mercado. Ele traz um pouco de tudo para todo tipo de lutador digital e amantes dos quadrinhos excelsorianos, com modos de se jogar variados e que com certeza irão agradar o público sedento por interação com as emblemáticas figuras do universo quadrinístico, e não há nada melhor que fazer isso à base de uma boa e velha pancadaria, não é mesmo?
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Sony PlayStation no Brasil pelo fornecimento de um código do jogo versão PlayStation 5 para a produção deste review.
