Review: Granblue Fantasy: Relink é um dos melhores ARPGs da atualidade

Granblue Fantasy: Relink

Lyria é uma jovem sonhadora que viaja com a tripulação da Grandcypher, uma grande embarcação alada que viaja pelo imenso Reino dos Céus, em busca de mais esperança e de seus sonhos. Ela é resgatada pelo capitão (no caso, o nome do protagonista é você quem atribui) e ambos se juntam numa grande aventura. 

Essa é a premissa (um tanto vaga, de fato) de Granblue Fantasy: Relink, um acerto em cheio da Cygames nos últimos anos que ganha, em 2026, uma grande expansão de conteúdo em todos os detalhes e em diversos momentos do jogo. Venha conferir, o que achamos da campanha principal do carismático grupo aventureiro de Granblue Fantasy: Relink.

Granblue Fantasy: Relink
De início, esse grupo de RPG não vai te convencer, mas ao longo da jornada você se apegará e terá um(a) ou outro(a) favorito(a).

Num grupo variadíssimo de personagens, incluindo Katalina, Rosetta, Rackam, Eugen e Io (todos com um arquétipo de herói/heroína diferente), o protagonista segue para a grande aventura de proteger todo o Reino dos Céus das más intenções dos Astrais e alcançar os sonhos pacíficos e utópicos de Lyria. É incrível a quantidade de personagens paralelos e que podem ser adquiridos ao longo da jornada, cada um tendo sua particularidade, tanto em personalidade quanto em estilos de combate muito únicos.

Não à toa, esse universo já foi expandido para um satisfatório e cativante game de luta, o Granblue Fantasy Versus: Rising, acentuando ainda mais as singularidades dos inúmeros personagens. A construção do mundo também é muito competente, sendo impressionante o tempo todo pela imensidão das nuvens e do céu (por isso, o nome ‘Granblue’) mostrados nas cutscenes, além de todas as ilhas flutuantes com biomas diferentes deste reino. Somente isso já faz do título uma fantasia épica fascinante, de certa forma.

O embate entre os celícolas e os Astrais fica bem claro quando a vilã Lilith se apresenta e aterroriza nosso grupo de personagens principais, visando a destruição arbitrária desse mundo e a acumulação de poder em suas mãos. Inclusive, já passando a ideia de que a maioria deles têm os mesmos objetivos malignos. 

É importante frisar que a fantasia que nos é lançada tem inspiração em muitas coisas, além de clássicos medievais e em icônicos JRPGs. Causa certo estranhamento, sobretudo no início, ao ver uma mistura de espadas e lanças em combates incessantes ao mesmo tempo de canhões de energia acoplados às grandes embarcações voadoras e dragões com força inestimável que surgem de outros universos. Mas logo tudo fica costumeiro e toda a lore vai se integrando muito bem à história que Granblue Fantasy: Relink quer contar em um RPG de ação muito prático e prazeroso.

Granblue Fantasy: Relink
Na imensidão do Reino dos Céus há paisagens únicas com uma beleza indescritível.

Desde o início, nos é introduzido o “Link”, espécie de magia astral que conecta a força de humanos e de outras raças do mundo (Erunes, Draphs e Harvins) e os ajuda em combate, em magias e no despertar dos dragões primordiais. Dragões esses que estão, por sua vez, ligados aos seres primordiais e podem ser invocados com o uso do Link. Lyria é uma primordial, inclusive, tendo seus poderes divinos e invocando, às vezes, o poderosíssimo Bahamut para auxiliar em batalhas épicas. 

O elemento narrativo do Link entre personagem e dragão é minimamente interessante para prender nossa atenção, desde os primeiros minutos do jogo. Alguns segredos vão surpreender ao longo da história, envolvendo esse fator. Muito embora o começo não faça jus ao jogo inteiro.

Demora umas boas horas para o mais impressionante e satisfatório aparecer de verdade, nos atraindo a suas diversas mecânicas de RPG (como coleta de itens raros e forja de novas armas para os personagens) e missões paralelas. Por isso, não foi incomum ouvir como suas partes mais iniciais causaram uma má impressão. 

É fato que seu início e sua grande quantidade de missões secundárias e mecânicas principais não o vendem bem. Mas, com isso em mente, ainda que existam arcos muito clichês na sua narrativa, as voltas, reviravoltas e o momento a momento dos capítulos são bastante divertidos e interessantes, sustentando com lucidez uma linha narrativa sólida. Já a jogabilidade, é variada o bastante e repleta de personagens jogáveis para manter um constante frescor.

É no combate, aliás, em que o jogo brilha: listas de comandos para cada personagem (quase como um jogo de luta mesmo), ataques normais e fortes em 2 botões, Ataques Conectados (após certa sequência de acertos ofensivos ao inimigo, causando dano extra), Ataques Celestiais combinados entre personagens (especiais que podemos ativar após certo tempo de batalha, emendando com os outros da CPU ou de outros jogadores em co op), além da defesa e do desvio. Parece complexo, mas em pouquíssimo tempo é possível dominar os timings e os estilos do personagem com quem se está jogando, guardadas as suas características únicas.

Granblue Fantasy: Relink
Escolha seu personagem preferido para lutar, suba seu nível, aumente o poder de suas armas e saia para missões e aventuras incríveis!

Nas batalhas também se exige atenção e algum planejamento com cada personagem (o que o exime de qualquer sensação de repetição ao longo de toda a jornada). Todas são super alinhadas à narrativa e são contextualizadas, gerando situações únicas e proporcionando um dinamismo sem igual, fazendo com que as lutas tão satisfatórias nem passem perto de serem entediantes. Sem mencionar os principais bosses, que tornam cada momento ainda mais único e empolgante!

São muitas as possibilidades, mas a graça é poder brincar com cada personagem disponível no grupo fixo de 4 combatentes e, com isso, construir builds interessantes e que se combinam entre eles. Cada personagem também conta com ataques; buffs e nerfs contra inimigos e; especiais, ativados na combinação de 2 botões do controle. Só aqui, há mais uma imensa camada de interação de character para character. Cabe a você decidir com quem jogar e subir de nível ao longo das missões.

Granblue Fantasy: Relink proporcionou um interesse genuíno pela história contada, do começo ao fim, além de uma jogabilidade deliciosa. Seus efeitos visuais e iluminação são lindos, corroborando com belíssimos cenários e paisagens. A soma de todos os fatores causaram impressões fortes e clímax altíssimos, rompendo certos estigmas de RPGs orientais mais demorados, enfadonhos e maçantes. 

Alguns problemas narrativos, no entanto, existem: diálogos que parecem andar em círculos, que são repetitivos em doses desnecessárias; personagens como o Vyrn  (é só um dragãozinho chato e quase dispensável, que apoia o grupo dos personagens principais) sacrificam o bom ritmo em prol de uma “fofura” que tem seu valor no jogo, mas só evidencia uma grande trivialidade; os diálogos persistem em excesso durante as batalhas (!), gerando distrações em momentos de alta concentração da pessoa jogadora ou fazendo-a perder parte importante do conteúdo, já que estes são considerados canônicos e indispensáveis para a narrativa ou a lore, além de sobrecarregar a cognição com todos os seus fantásticos elementos audiovisuais.

Para o último problema citado, seria bacana uma boa localização em português brasileiro dublado, no caso. Não só ajudaria a aliviar parte dessa sobrecarga como agregaria maior valor ao jogo em si. 

Granblue Fantasy: Relink
É no combate – e na maximização de atributos – que Granblue Fantasy: Relink brilha!

É muito fácil perceber que o jogo deixa respaldo para conteúdo infinito, mesmo após um final forte. Por isso sua desenvolvedora, se souber lidar bem com isso, encontrou aqui sua mina de ouro. É possível expandir para histórias inimagináveis, de um jeito tão legal e interessante como o fizeram no jogo base. Isso sem contar as missões paralelas em adição à possibilidade de serem feitas online. 

Granblue Fantasy: Relink é, de longe, uma das melhores experiências do ano e tem capacidade de ganhar ainda mais destaque, indo além da sua já grande comunidade cativa. O pessoal da Cygames ainda tem muito chão para caminhar e aprender com os erros, reconhecer as oportunidades de melhorias e conquistar o coração de muitos e muitos fãs, mas, até lá, já tem uma joia raríssima lançada entre 2024 e 2026. Que venham muitas boas histórias pela frente! Nós estaremos esperando.

Fique ligado(a)! Em breve, traremos mais sobre a nova expansão do jogo, Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok, de 2026!.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria do jogo por ceder um código de teste para a produção desta matéria.

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