Preview: Shroom and Gloom é um roguelike desconfortável mas engajante

Shroom and Gloom

É curioso como, entre todos os roguelikes que já joguei, os que mais me pegam são os de cartas — ou, para utilizar a terminologia correta, deck-buillding — por me parecerem a tradução perfeita da experiência de jogos como Magic the Gathering para contextos completamente diferentes. Além disso, de um ponto de vista mecânico, eles podem guardar um mundo de opções extremamente funcional, e Shroom and Gloom é um ótimo exemplo disso.

Na versão de acesso antecipado de Shroom and Gloom que tive a oportunidade de jogar, o que mais me surpreendeu no jogo foi como ele conseguiu fazer o baralho de cartas ser tão importante para sua estrutura não somente em batalhas, mas também em toda interação com o ambiente. Existem cartas de equipamentos que podem ser colocadas em um baralho de exploração que lhe dá, a cada mão, opções de como lidar com cada sala das profundezas infestadas pelos cogumelos vilanescas do jogo. Como de praxe, interações geradas de forma aleatória dentro de um conjunto de opções permitem encontros diversos, buffs e punições gerais. 

shroom
Esteticamente, o jogo é um espetáculo.

O loop de jogabilidade não escapa muito do que vimos em outros roguelikes de carta, mas é toda sua apresentação que cativa: a maior parte do jogo é monocromática, com normalmente um único elemento na tela surgindo com mais gradientes e, por consequência, destacando-se na cena. É uma estética que ajuda e muito o título a ter uma atmosfera bem única e funcional, que prende e cativa de um jeito que talvez eu só tenha sentido mesmo em Slay the Spire 2 em tempos recentes.

Tudo isso é apresentado em uma moldura narrativa intensa em que, a todo momento, somos lembrados que tudo que estamos fazendo no jogo não passa de uma forma de “preparar o banquete” para uma criatura assustadora e incompreensível que nos aguarda ao final da catacumba — ainda não disponível no acesso antecipado — e que a jornada, por mais que nos esforcemos, não terá como ter um final feliz. 

Na prática, tudo isso cria uma aventura roguelike bem engajante mas que, pelo menos neste momento inicial, me parece ainda um tanto opressor demais até mesmo mecanicamente para fazer cada jogatina ser “leve”, por assim dizer. Sei que isso vem muito da natureza do gênero, mas ao mesmo tempo o quão intimidante o jogo parece ser em cada opção tornou ele para mim um grande produtor de estresse em certos momentos mesmo ainda não estando completo. Talvez seja o momento que estou, mas como outros jogos roguelikes que joguei paralelamente não me geraram a mesma sensação, talvez seja algo realmente relacionado a Shroom and Gloom.

Mas o desconforto — ou, correndo o risco de soar potencialmente pendante, o choque artístico — não é algo de todo ruim. Após algum tempo distante, era constante o sentimento de querer tentar novamente e, de certa forma, sendo que eu cai num loop emocional intencional com Shroom and Gloom. Se realmente isso fizer parte do projeto dos criadores, aplaudo feliz e confesso esperar ainda mais desconforto quando o jogo, em sua versão final, for disponibilizado. Será, sem dúvidas, uma experiência e tanto. 

O Entertainium Brasil agradece a assessoria de imprensa da Devolver Digital pelo envio do código de jogo para a produção deste preview.

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