Crítica: Os problemas familiares diários dão lugar à ameaça de dinossauros em O Fim da Rua 

o fim da rua

Do diretor David Robert Mitchell (de Corrente do Mal) e com produção de JJ Abrams (Star Wars: O Despertar da Força, entre outros) chega O Fim da Rua (do original “The End of Oak Street”), um filme de ficção científica nos moldes dos grandes clássicos dos anos 1980 e 1990 de Steven Spielberg. 

Estrelado por Ewan McGregor e Anne Hathaway, O Fim da Rua retrata uma típica família oitentista estadunidense, aparentemente feliz em sua vida suburbana em um bairro de uma cidade pequena no Michigan. O pai, Greg (McGregor) está com problemas em manter as contas em dia, enquanto que a mãe, Denise (Hathaway), representa seu descontentamento com sua vida de casada em contos escritos às escusas no sótão de casa. 

Já os filhos, Audrey (Maisy Stella, de Meu Eu do Futuro) e Brian (Christian Coventry, o Gus de Sweet Tooth) são retratados como crianças típicas, com suas questões de proporções astronômicas – pelo menos para eles, elas são – até que tudo muda um dia qualquer, quando uma misteriosa luz vira seu bairro de ponta-cabeça. No início, não passa de um mero incômodo, com a falta de luz e comunicação com o mundo externo, mas isso logo muda quando criaturas jurássicas resolvem dar as caras.

Sim, O Fim da Rua é um daqueles filmes que não trazem grandes explicações e entregam situações um tanto quanto inusitadas. No caso da história da vez, uma fatia da cidadezinha foi transportada milhões de anos para o passado, apresentando seus habitantes, sem mais nem menos, para toda a flora e fauna local. No entanto, ao contrário do senso de fantasia e perigo contido nas criações de Spielberg que o tornaram célebre, o sabor aqui é outro, especialmente quando os vizinhos (e seus bichinhos) começam a se transformar em refeição dos muitos monstros.

Nessa pegada que mistura a nostalgia oitentista norte-americana com o pavor humano pelo que ele não tem controle, o elenco faz o que pode para transmitir o medo que seus personagens sentem com a nova realidade. Greg e Denise fazem o possível para manter as crianças vivas e logo deixam de lado suas diferenças ao enfrentar com unhas e dentes as situações cada vez mais malucas colocadas perante eles. Sem perder tempo nos porquês de estarem lá, depois de muito rapidamente chegarem à uma conclusão em grupo, as prioridades mudam conforme a história avança e o desespero aumenta.

O Fim da Rua tem muito em comum com outra produção de Abrams, Super 8 (2011), onde o então diretor colocou em tela um grupo de crianças incrivelmente capazes contra ameaças gigantes, em uma aventura que fez uso pesado de efeitos especiais então de ponta para transmitir o horror que estavam enfrentando. Neste daqui, quinze anos depois e com um avanço tecnológico considerável, a magia não funciona tão bem, já que tudo que é visto na telona tem aquele aspecto plástico do uso excessivo de computação gráfica, com momentos pouco convincentes dividindo espaço com outros que, pelo menos à distância, dão conta do recado.

Essa questão visual casada com uma trilha sonora surpreendentemente contida e um tanto genérica do grande parceiro de Abrams, Michael Giacchino, nos deixou com um gostinho demasiado familiar, escancarando a tentativa um tanto quanto óbvia do produtor de emular a mágica da parceria (John) Williams-Spielberg já presente em outras obras dele e ainda mais nesta. Tudo isso junto de alguns furos de roteiro usados para forçar uma conclusão feliz e apressada ao negócio todo e enfim chegar aos créditos, tirando o pouco de peso narrativo introduzido pelos acontecimentos traumatizantes passados pelos personagens durante a jornada. 

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O Fim da Rua perde muito do seu impacto narrativo devido às conveniências de roteiro.

No entanto, como filme-pipoca, aquele que você vai ao cinema para desligar o senso crítico e simplesmente se divertir, O Fim da Rua mais que cumpre seu papel como peça de entretenimento. É para ser assistido sem grandes pretensões, expectativas, ou esperanças de extrair um significado especial. Chegue à sala e sente na poltrona livre desses sentimentos e você poderá curtí-lo da maneira que foi planejado.

O Fim da Rua é uma coprodução da Bad Robot e Jackson Pictures com distribuição da Warner Bros. Pictures do Brasil e chega aos cinemas brasileiros no dia 13 de agosto.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Warner Bros. Pictures do Brasil pelo convite da cabine de imprensa para a produção desta crítica.

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