Splatoon foi uma grande aposta por parte da Nintendo quando chegou ao Wii U em 2015. Foi o primeiro jogo com foco em partidas multijogadores que a gigante japonesa do entretenimento investiu, indo contra seu estilo usual de lançamentos, oferecendo uma experiência única naquele console. Agora, pouco mais de uma década e algumas continuações depois, chegou a hora de sacudir as coisas com Splatoon Raiders.
O jogo é uma versão expandida do modo de um jogador dos jogos Splatoon, o Salmon Run, que antes servia como uma distração um tanto quanto escondida em meio a todo o caos do grande atrativo da série, as partidas entre equipes para ganho de território. Novamente, o inimigo são os nojentos salmonids, sendo que o objetivo é conseguir o máximo possível de tesouro que eles protegem.
Isso porque você se encontra preso em um imenso redemoinho no meio do nada, junto do trio do Deep Cut, os comentaristas de Splatoon 3, e devido a uma enorme dívida da cidade de Splastville, seu lar, acaba caindo a esses companheiros a missão de salvá-la do abismo. Para isso, graças a uma descoberta bastante conveniente sob forma de um tanque, os quatro são capazes de realizar missões de resgate, com a escolha de um parceiro do trio junto contigo pilotando-o, a fim de buscar todo tipo de quinquilharia para vender.

Nesse sentido, Splatoon Raiders segue uma cartilha mais amigável semelhante aos jogos passados da série, já que há sempre algo legal para fazer e torrar alguns minutos sempre que você entra no jogo. Cada fase não demora mais que dez minutos para ser concluída, e mesmo falhando nela, há algo a ser ganho, seja por meio de ítens novos ou pontos de experiência, possibilitando, no mínimo, algum tipo de atualização, por menor que seja.
Se você já tiver jogado qualquer um dos Splatoons lançados até hoje, se sentirá em casa por aqui, não só com relação à jogabilidade de Splatoon Raiders, mas também quanto ao seu arsenal de armas e equipamentos, que em sua maioria chegam ao jogo sob a forma de herança deles. Dependendo do tipo de mochila que escolher, tratada aqui como uma espécie de especialização de personagem, a variedade de habilidades secundárias é diferente, o que é bastante útil quando chega a hora de se juntar a outros caçadores Internet afora.
Mesmo sendo um jogo que trava sua mira em uma experiência solitária por base, há como trazer seus amigos ou colegas aleatórios em suas caçadas também. Até três moleques-polvo podem se juntar a você a qualquer momento e, independente do nível em que se encontram, Splatoon Raiders regula o desafio para que todos possam se divertir ao mesmo tempo. Apesar de sim, haver como zerar a aventura jogando totalmente solo, a grande pegada é trazer outros para resolver o negócio contigo, afinal, dar cabo dos salmonids com uma boa companhia é sempre melhor.

Splatoon Raiders cabe muito bem entre os seus irmãos de franquia não só nos quesitos de diversão e jogabilidade, mas também de apresentação. Splatoon sempre foi conhecido entre jogadores por seu visual colorido e estiloso, além de uma trilha sonora absurda de tão boa. Não só o jogo da vez está longe de ser exceção à regra, como está entre os melhores do grupo em praticamente todos os sentidos quanto a esses elementos, brilhando e muito no console da Nintendo, que em junho completou um ano de existência.
Infelizmente, nem tudo é alegria, especialmente para nós, fãs brasileiros de Splatoon. Splatoon Raiders chegou ao Nintendo Switch 2 por aqui sem localização no nosso idioma. O roteiro em inglês contém muitas piadas e trocadilhos que, do mesmo modo que Rhythm Heaven Groove, poderiam ser adaptadas para o português pela talentosa equipe da Big N, rendendo muitas risadas ao público daqui. Resta torcer para que haja algum tipo de atualização neste quesito, ela seria muitíssimo bem-vinda.
Com Splatoon Raiders, a Nintendo mostra que está mais que disposta a mexer com uma de suas principais séries sem deixar de agradar àqueles que vêm acompanhando e apoiando suas criações desde o início. Splatoon vem sendo um dos maiores sucessos recentes da empresa e, sem dúvida, sua recepção positiva por parte do público é sinal de que há valor em deixar de lado a tradição com o intuito de abrir caminho para a inovação. Ah, se ela fizesse o mesmo com outras de suas coleções há muito paradas no tempo, não é mesmo?
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Nintendo pelo envio do código de jogo para a produção deste review.
