Em mais um lançamento entre diversos de peso em 2026 para a Capcom, chega Onimusha: Way of the Sword, o retorno de uma das mais queridas séries da companhia, que há mais de 20 anos não via um novo jogo. Nele, jogamos na pele do lendário Miyamoto Musashi, embarcando em uma aventura na cidade de Quioto, durante o período Sengoku, solo fértil para alguns dos acontecimentos mais marcantes da história do Japão.
Vista pela última vez no PlayStation 2, a série Onimusha não tem vergonha em pegar emprestado personagens do folclore nipônico para fazer o que bem entende com eles. Nos três primeiros títulos da franquia, por exemplo, o vilão veio a ser Nobunaga Oda, peça-chave no processo de unificação do país na era feudal, com a participação de diversas outras figuras reais, como Jubei Yagyu, que veio a ser o protagonista de Onimusha 2: Samurai’s Destiny. Aqui, em Way of the Sword, não há uma fuga dessa regra. Temos uma versão icônica de Musashi, talvez o espadachim mais conhecido de todos, encarnado pelas feições do magnânimo ator do cinema japonês, Toshiro Mifune, relutante herói, mas nem por isso menos corajoso e mais que bom em manejar uma katana.
Mifune, por sua vez, foi peça central, junto do diretor Akira Kurosawa, de algumas das produções mais marcantes do gênero de filmes de samurai, com participações em – para citar somente alguns deles – Os Sete Samurais, Yojimbo, Rashomon e A Fortaleza Oculta, um apegado de clássicos influentes mundialmente, inclusive nos videogames. Neste mesmo fôlego, vale citar que esta também não é a primeira vez que a Capcom utiliza-se da identidade de um ator vivo ou falecido nesta série, lembrando de Takeshi Kaneshiro e Jean Reno em Onimusha e Onimusha 3, além de Yusaku Matsuda, (já então, há muito falecido, bem como Mifune) em Onimusha 2: Samurai’s Destiny.

Não é de surpreender, como consequência da presença dessa poderosa persona, que o grande destaque do novo jogo é, tranquilamente, o próprio Musashi. Afinal, os desenvolvedores não pouparam esforços para pegar emprestado muitas das caretas e expressões marcantes do incrível intérprete para então basear todo o repertório animado do boneco controlado por nós, jogadores. Junto do divertido e surpreendentemente complexo sistema de combate apresentado na jogatina da vez, temos uma experiência samurai que não deixa ninguém para trás, mesmo que, às vezes, tenha algumas questões relacionadas ao que acontece entre as absurdas lutas de chefe de Onimusha: Way of the Sword, que incluem duelos entre o mestre e seu grande rival da vida real, Sasaki Kojiro.
Mas antes de mergulhar no que incomodou, mais do que agradou. Way of the Sword conta com uma ambientação sinistra de boa. Quioto, apesar de, como a cidade de verdade, ser menor que um mundo aberto a que possamos estar acostumados em jogos, conta com personalidade, com zonas distintas, bairros caracterizados não só visualmente, mas em termos estruturais, e seus habitantes, os poucos que ainda vivem após a invasão demoníaca, servem juntos dela como estopins para contos nos quais Musashi tem influência primordial. Em termos de exploração, pode-se dizer que o lugar se trata de um dos mais densos vistos em um lançamento atual, mesmo sendo contido quando comparado com, por exemplo, uma das localidades de Nioh 3.
Outro elemento crucial da experiência de jogo é o combate, que leva em conta o posicionamento de nosso guerreiro dos Oni e o ritmo com que ele ataca, defende e, mais importante, repele o avanço inimigo, uma dança constante que irá demandar toda a habilidade de quem estiver segurando o controle, de um modo o mais longe possível de ser frustrante. Muito pelo contrário, é gratificante, literalmente, porque o jogo te dá de presente algumas das animações mais elaboradas dos últimos tempos quando consegue acertar o timing, fazendo você se sentir o maior fodão da sua rua ao fatiar o pobre infeliz virtual que teve o azar de cruzar seu caminho.

É este empoderamento que faz de Onimusha: Way of the Sword ir além de ser um mero jogo de espadinha com gráficos bacanas para tornar-se algo que merece sua atenção e dedicação. Isso porque quanto mais você aprende a fazer uso de suas mecânicas, melhor ele é aproveitado, apresentando novidades e desafios ainda mais impressionantes que parecem vir de um bolo de cartas sem fim. Way of the Sword presenteia com, sim, algumas habilidades que serão familiares, mas a maneira como entram em ação funcionam para destravar não só os caminhos dentro de Quioto, mas opções ainda mais úteis durante a movimentação e no combate, como no caso do arsenal divino, carregado pelos orbes azuis com a manopla sugadora de almas de Musashi.
Agora, cabe falar do aspecto mais incômodo desse novo Onimusha, algo que, ironicamente, fez parte de todos os outros capítulos até então: a repetição. Há situações do jogo que se passam mais de uma vez, como algumas lutas contra chefes reutilizadas em pontos específicos do jogo, além da falta de variedade das missões secundárias, muitas vezes simples demais e sem a esperada graça que o roteiro sem querer acaba aludindo. Dito tudo isso, é impossível dizer que o pacote como um todo não compense essas questões. Esses mesmos chefes são desafiadores, trazendo para o campo de batalha habilidades de outro mundo para dar cabo do nosso herói.
Onimusha: Way of the Sword chega para polir ainda mais o já brilhante 2026 da Capcom, que com jogos com lançamentos de qualidade como Resident Evil Requiem e Pragmata, vem provando ser uma das, senão a maior, desenvolvedora e publicadora de jogos da atualidade.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Capcom no Brasil pelo envio da chave da versão de PlayStation 5 do jogo para a produção deste review.
