A Íris Branca é o sexto álbum de Asterix gaulês mais querido dos quadrinhos desde que uma nova equipe criativa assumiu o clássico título franco-belga e o 40° no total, fruto da criatividade de René Goscinny e Albert Uderzo. Este é o primeiro trabalho de Fabrice Caro, ou melhor, Fabcaro, como é creditado no roteiro, assumindo a cadeira ocupada anteriormente por Jean-Yves Ferri, cujo último crédito foi Asterix e o Grifo.
Hilário e repleto de sátira social, Asterix: A Íris Branca, como de tradição, nos leva de volta ao vilarejo de Asterix e seus amigos, que recebe uma visita inusitada de um romano, Viciovirtudus, em segredo um médico da corte de César, enviado pelo imperador para tentar semear a fraqueza entre os astutos gauleses que ainda resistem à invasão romana. Para tal, o vilão da vez não aplica a força, mas a palavra, e como diz o ditado, nada mais afiado que uma boa pena. Ou algo assim.

Diga-se de passagem, esta é uma das histórias que melhor funcionou dentre a safra de novos álbuns de Asterix, muito porque não tenta abordar de maneira tão “na cara” um tema atual e passageiro, como foi no caso de Asterix e a Transitalica. Aqui, a brincadeira trata com a invasão da literatura e forma de pensamento de autoajuda, o que inclui o tal de coaching, que, convenhamos, não são só de hoje temas polêmicos, mas que perduram na mentalidade da sociedade atual já faz um certo tempo.
E com o crescimento caótico das redes sociais, especialmente durante a pandemia, tais ensinamentos, muitas vezes desvirtuados, acabam levando as pessoas a caminhos ruins. É por aí que a história da vez percorre, com a influência da mentalidade da Íris Branca de Viciovirtudus fazendo até Ordenalfabetix e Automatix deixar a briga de lado para o diálogo. O que seria do livro Asterix sem toda a pancadaria? Pois é, descobrimos a resposta durante boa parte do novo álbum.

O texto de Fabcaro é extremamente sarcástico e repleto de piadinhas ótimas, fazendo uso inteligente de muitos ditados populares e frases de efeito para entregar as cenas tipicamente leves do quadrinho tão querido entre os mais saudosos brasileiros. A tradutora Sofia Soter novamente impressiona ao adaptar o trabalho de Fabrice com muito cuidado e humor, apesar do descuido por parte da Editora Record na hora de quebrar o texto e colocá-lo nos balões. Há diversas posições bem estranhas no decorrer do volume que esperamos receber correções em uma eventual reedição.
Em termos de arte, não há o que criticar no trabalho de Didier Conrad, só elogiar. O homem desenha como se Uderzo (falecido em 2020) estivesse guiando a caneta tinteiro em sua mão. É quase impossível separar a arte feita por Conrad das obras anteriores desenhadas pelo antigo mestre, um passe de bastão que neste sexto livro continua se mostrando magistral, quase que sobrenatural. As cores de Thierry Mébarki saltam aos também, mesmo digitais não perderam o charme do que nos acostumamos a ver nos originais.

Asterix: A Íris Branca foi lançado em agosto do ano passado e é atualmente o último álbum de Asterix e sua turma no catálogo da Editora Record. É apresentado em formato de capa mole, papel couché de gramatura agradável, de formato bisonhamente diferente dos volumes anteriores, o que faz com que fique desigual na prateleira. Quando é que vão acertar isso, sinceramente?
Enfim, o preço de capa é R$60, mas pode ser encontrado facilmente com desconto, é só fazer uma busca rápida na Internet da vida. Já está anunciado que Asterix na Lusitânia será o título do próximo, a sair ainda em 2026; onde a dupla Asterix e Obelix, ou melhor, trio – não podemos nos esquecer do fofo do Ideafix – finalmente dão as caras nas terras da península Ibérica! Conte conosco que verão um review dele quando estiver disponível.
Até lá, não deixe de conferir mais matérias sobre quadrinhos e outras facetas do entretenimento, aqui no Entertainium Brasil! Por Tutatis!

