Eu joguei Tales of Berseria no agora distante ano de 2016. Naquela época, lembro que encarava videogames como um todo de maneira mais leve que agora — talvez até por, nessa última década, a industria ter mudado de maneiras que eu realmente não me sinto confortável.
Logo, dez anos atrás, eu não gostei desse capítulo da série Tales of. Lembro de achar ele, mesmo que com uma narrativa extremamente interessante, um tanto genérico demais. O combate, mesmo que divertido, me cansava e eu achava os cenários extremamente vazios e representativos bem distantes do que JRPGs podiam alcançar.

Agora, com a versão remasterizada dele, essas impressões reaparecem mas de alguma forma em um tom diferente. O que antes me pintava um cenário extremamente “cansado”, agora me parece extremamente reconfortante e um lembrete de tempos mais simples. Ser um jogo remasterizado com adições de qualidade de vida diversas tornam ele interessantíssimo, acessível e, mesmo que com uma história longa (não finalizei o jogo a tempo da review, parando nas 23 horas, mas acredito que o relógio passe das 40 horas no total), a narrativa nunca fique exaustiva.

O problema mais gritante, porém, é o mesmo combate cansativo que citei quando lembrei do passado. Ele segue algo semelhante a outros jogos da série Tales of mas com o principal diferencial (pelo menos para mim que não joguei a franquia inteira, mas que é uma mudança aplicada desde Tales of Zesteria) de que não existe “mana” no jogo, mas sim Pontos de Estamina que, quando cheios, permitem execuções de diversas ações.
Cada personagem conta com um modo super que temporariamente aumenta o dano ou aplica outros tipos de melhoria ao custo de desativar um ponto durante a luta. Mais deles podem ser conquistados concluindo combos, mas essa dinâmica, pelo menos para mim, tornou-se exaustiva rapidamente e fez o jogo ainda ser meio maçante apesar da boa história.
Porém, a versão remasterizada já conta desde a primeira vez em que a campanha é iniciada com o Grade Shop aberto. Essa feature, antes bloqueada até a primeira vez que o jogo seja finalizado, permite que o jogador gaste pontos para melhorias diversas na jogabilidade geral. Usei de cara as melhorias de ganho de experiência seis vezes mais rápido e isso permitiu que os combates se tornassem menos maçantes, melhorando bastante para mim o ritmo do jogo.
Olhando também para as melhorias gerais dessa versão, existem marcadores de objetivo diversos no mapa, o que ajuda a visualização e locomoção pelos ambientes que continuam vazios, mesmo que um pouco mais coloridos e bonitos do que a versão anterior. A velocidade geral do jogo também foi aumentada, criando um ritmo mais frenético para tudo — seja explorar o mundo ou participar dos combates.

Mas, nesse pacote inteiro, o que realmente me pegou é como dez anos atrás por ele ser um jogo parecido com tantos outros, eu não pude aproveitar em sua totalidade o quanto eu gosto de um “arroz com feijão” básico e bem feito. Quando a maioria das coisas agora são narrativas que parecem puxar mais para o mundo cinematográfico, um jogo nos moldes de rpgs clássicos se destaca bastante, mesmo que não seja o exemplo mais excelente desse gênero.
Estou plenamente satisfeito com minha experiência até aqui. Não vou falar que ele é um dos grandes títulos da história, mas com certeza lembrarei de Tales of Berseria a partir de 2026 e sua versão remasterizada com muito mais carinho que a original.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria do jogo por ceder um código de teste para a produção deste review.
