Sob direção de James Vanderbilt (Conspiração e Poder) Nuremberg enfim chega às salas de cinemas do Brasil após um belo de um atraso, trazendo para nós a dramatização dos eventos que levaram algumas das figuras mais notórias do alto comando nazista ao banco dos reús, em um evento histórico marcante para o mundo moderno.
Em Nuremberg, temos a oportunidade de ver a adaptação para as telas do livro O nazista e o psiquiatra, de Jack El-Hai, onde podemos testemunhar a influência e papel marcante de um profissional da saúde mental no processo de julgamento do que restou da liderança do Terceiro Reich após sua derrota na Segunda Guerra Mundial.
O destaque entre essas figuras fica por conta de Hermann Göring, apontado como sucessor de Adolf Hitler, que no começo do filme vemos se entregando às forças Aliadas. Com Russel Crowe no papel do carismático e perigoso braço direito do Führer, recebemos uma interpretação de poder, repleta de nuances e extrema personalidade, uma presença em tela que bate de frente com a da figura do tenente-coronel Douglas Kelley (Rami Malek), o encarregado de formar seu perfil psicológico e de seus “ex-colegas” do regime nazista.

Sob comando do promotor norte-americano Robert H. Jackson (Michael Shannon, de A Forma da Água), encarregado de formular um caso de caráter inédito para crimes de guerra mundiais a fim de julgar e punir os responsáveis pelas atrocidades cometidas durante o sangrento conflito armado, Kelley se vê abalado pelo que ouve e vê durante seu tempo junto de Göring e as outras figuras do Eixo, em alguns momentos até parecendo duvidar da causa, levado pela força esmagadora da presença de Crowe.
Em mais de duas horas de filme, vemos a batalha psicológica entre esses personagens, a movimentação dos países Aliados para formar um caso concreto contra os julgados e o desenvolvimento de trama de maneira envolvente, em uma ambientação inquietante, com paralelos desconcertantes entre o ocorrido há praticamente 80 anos atrás e o cenário político mundial de hoje em dia. Uma das falas que deixa isso exposto na produção é a de “não deixar atrocidades assim acontecerem novamente”. Infelizmente, não é o que vemos nos tempos atuais, com Orwell 2+2=5 também entrando nessa conversa, nos fazendo duvidar do que testemunhamos diariamente no noticiário e em postagens da Internet.

Com atuações poderosas de todo o seu elenco e com óbvio destaque a Crowe, Malek e Shannon, Nuremberg cumpre sua função como adaptação de uma obra literária e película representante de eventos reais de maneira satisfatória. De certa maneira, o momento de sua chegada pode não ter ajudado tanto no impacto desejado, ainda mais levando em conta que os papéis das potências nessa batalha jurídica tenham se invertido nos tempos atuais, fora os questionamentos feitos de modo tímido, mas mesmo assim presentes.
Mas nada disso diminui a qualidade inerente desse longa, que apesar de não figurado em nenhuma lista das premiações como o Oscar, realizado semana retrasada, ainda assim traz todos os elementos merecedores de elogio. Nuremberg é um filme forte e apesar dos pesares, ainda carrega uma mensagem contundente e de importância óbvia. Adoradores de épicos de guerra e batalhas em tribunais têm uma bela refeição pela frente com este daqui, com certeza.
Lançamento da Imagem Filmes, Nuremberg finalmente chega aos cinemas do país nesta quinta, dia 26 de março.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Imagem Filmes pelo convite da cabine de imprensa para a produção desta matéria.

