Desde sua chegada em 2012, a série Bravely Default vem recebendo lançamentos esporádicos, sendo a última uma continuação, no primeiro Nintendo Switch. Com a morte da loja digital do 3DS, no entanto, alguns desses títulos acabaram ficando presos no portátil da Nintendo, já que os preços das mídias físicas dos jogos mais antigos a tornam impraticáveis. Mas, por sorte, a Square Enix resolveu dar uma palhinha, lançando a versão embelezada do primeiro jogo da série, Bravely Default Flying Fairy junto do Switch 2, e que agora, alguns meses depois, finalmente desembarca nos outros consoles e no PC.
Um dos grandes clássicos do 3DS, Bravely Default Flying Fairy pode ser considerado uma volta aos primórdios de Final Fantasy, por assim dizer. Na época em que chegou pela primeira vez, a famosa franquia da Square Enix já havia passado por uma repaginada violenta, deixando para trás muitos aspectos característicos de sua era de ouro, decidida a se tornar mais atrativa para um público mais amplo.
Foi aí que Bravely Default fez seu ataque, buscando acalentar as chamas da nostalgia, trazendo jogabilidade que se abastecia dos melhores aspectos dos capítulos mais marcantes de Final Fantasy, em destaque Final Fantasy 3, com seu sistema de classes e jobs, e pitadas dos mundos mágicos do quarto e sexto títulos também. Até sua história, com foco no poder dos cristais elementais, traz influência da galinha dos ovos de ouro da desenvolvedora, e as muitas referências dos nomes de ítens e poderes não fazem questão de esconder nada disso.
Fofinha e cheia de personalidade, a apresentação de Bravely Default Flying Fairy está ainda mais bela em sua versão HD Remaster, contando com texturas afiadas e performance melhor, para colocar o que já era muito atraente na telinha do 3DS nas TVs de alta definição de hoje em dia. No aspecto sonoro, pouco mudou, as atuações de voz são decentes, mas o destaque mesmo fica para a trilha sonora, com faixas instrumentais deliciosas de se ouvir.

Tirando esse lado sensorial, Bravely Default nesta versão mantém o que já era bom e dá ligeiras alteradas em alguns aspectos, para o bem e para o mal. Permanece a opção de alterar o ritmo das batalhas aleatórias, mas não é mais possível desativá-las por completo logo de cara, algo que era de extrema utilidade no antigo portátil da Big N, já que, afinal, há momentos em que a pressa é uma aliada. Para tal, é preciso comprar ou encontrar um equipamento específico, o que pode incomodar aqueles que se acostumaram com a presença de tal função desde o início da aventura, onde os personagens ainda estão fracos.
No entanto, as vantagens são muitas. Algumas até incorporadas da excelente continuação do original no 3DS, como informações de níveis recomendados para calabouços, atalhos de comandos tal qual o aumento de velocidade em batalha e mudança de batalhas aleatórias que falamos agora há pouco e espaços para salvamento de sets de equipamento, por exemplo. Isso tudo sem falar na permanência da mecânica de contato entre você e outros jogadores, algo presente na versão original graças ao sistema Streetpass do 3DS.
Tal funcionalidade está presente em Bravely Default Flying Fairy HD Remaster sob a forma do recrutamento de fantasmas de outros jogadores aleatórios, com a possibilidade de adicionar outros amigos da sua lista de contatos que estejam também jogando, mas caso isso não seja uma possibilidade, o próprio jogo cria perfis originais para cumprir esse papel. Esses amigos especiais são úteis não só durante as batalhas, onde você é capaz de trazê-los para lutar ao seu lado, mas também no modo especial de construção do jogo.
Um dos temas de Bravely Default Flying Fairy é o da reconstrução do vilarejo de Norende, lar do protagonista Tiz, devastado durante a introdução, onde o garoto aplica os pontos ganhos durante a sua aventura para colocar de pé o que foi destruído, trazendo, pelo menos, as estruturas de seu lar de volta, apesar de não poder reviver seus entes queridos perdidos durante a tragédia. Nesse modo, as almas coletadas viram moradores novos, aumentando, aos poucos, a capacidade máxima da vila, por sua vez dando mais facilidades durante a aventura principal, como a possibilidade de comprar ítens nos pontos de salvar, muito úteis no aperto.

Falamos muito das melhorias desta nova versão, mas ainda nada sobre a jogabilidade-base de Bravely Default. O nome já diz tudo e, ao mesmo tempo, nada. Ambos os termos são comandos durante as batalhas. Ao utilizar default, você opta por não atacar, guardando uma “vez” na luta para investir no próximo turno. Com bravely, por sua vez, é possível atacar e utilizar habilidades várias vezes seguidas, antecipando movimentos sob forma de uma perigosa aposta, pois é perfeitamente possível se ferrar bonito caso não derrote seus inimigos durante essa investida, afinal seus personagens ficam sem defesa pelo número de turnos que aplicou.
Tal jogo de avanço e defesa é o que faz dos jogos Bravely Default tão especiais: é nele que se caracteriza seu brilhante sistema de batalha, símbolo da criatividade dos desenvolvedores, que apesar de toda a influência de Final Fantasy, não se contiveram a simplesmente copiar, mas também injetar novidades emocionantes à nova série de maneira contida, mas também muito inteligente.
Neste primeiro capítulo, em especial, a jogabilidade é primorosa, fazendo com que o uso criativo dessa mecânica, atrelada ao sistema de classes, outro lado da jogabilidade de multiplica exponencialmente a gama de possibilidades ao seu alcance conforme obtém novos asteriscos. Mesmo com um grupo pequeno de personagens, limitado a quatro heróis, há muito com que se trabalhar, não só os caracterizando em classes diferentes, mas misturando habilidades conforme necessário, podendo até “quebrar” o jogo dependendo de suas escolhas. E tudo isso com a bênção da Square Enix.
Ter novamente Bravely Default na ponta dos dedos e ainda mais em uma versão mais bonita e cheia das implementações inteligentes de melhorias trazidas pelas suas continuações é simplesmente sensacional. Antes disponível somente no Nintendo Switch 2, Bravely Default Flying Fairy HD Remaster chega para todos os outros consoles e o PC, então não deixe de conferir essa pérola dos RPGs!
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Square Enix pelo envio do código de jogo para a produção deste review.
