É inegável que hoje a franquia Monster Hunter é um dos bastiões da Capcom. Desde 2018 com o lançamento do capítulo World, a série entrou mundialmente na seleta lista de sucessos mundiais do mundo dos videogames, o que permite que ela de tempos em tempos ganhe alguns spin-offs — ou, no caso, um único sin-off: a sub-série Monster Hunter Stories.
Agora, em março de 2026, ano em que o primeiro desses spin-offs completa dez anos, o terceiro capítulo da sub-série chegou nas mãos dos jogadores: Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection, e de cara já afirmo que a Capcom nos forneceu um dos grandes títulos do ano em uma estrutura de RPG de turno nos moldes mais orientais extremamente funcional.

Para entender Stories 3, primeiro é importante explicarmos como esses jogos funcionam. Basicamente, eles pegam as mecânicas das diversas armas da série principal dos caçadores de monstros da Capcom e transformam-as em espécies de subclasses para o protagonista, único personagem humano que controlamos nas batalhas.
Cada criatura que enfrentamos conta com uma série de partes do corpo que podemos optar por atingir, e ai as características das armas e como utilizá-las da melhor forma possível para resultados mais efetivos — ao mesmo tempo que toda interação de combate também é governada por uma espécie de Pedra-Papel-Tesoura em que você escolhe se vai atacar priorizando Velocidade, Força ou Técnica para, conhecendo o inimigo, possa vencer qualquer tentativa dele de te atingir e causar dano o suficiente para vencer.
Na prática, esse sistema de batalha inicialmente é extremamente confuso. Mesmo tendo jogado os títulos anteriores da franquia, me vi perdido nas primeiras horas de jogo de um jeito um tanto desconfortável. Porém, quando ele clicou, me vi extremamente empolgado e feliz, além de extremamente engajado, como não ficava há muito com um RPG de turno. O ritmo e a progressão das habilidades e luta só fazem o jogo melhorar cada vez mais, e me via sempre tentando fazer conteúdos e mais batalhas para continuar experienciando o jogo.

Nisso, é claro, vem talvez o principal ponto de Monster Hunter Stories: aqui nós podemos fazer amizade e usar em batalhas os queridos monstros da franquia. A comparação com Pokémon é a primeira que vem a cabeça da maioria das pessoas, mas falo que o sistema é bem diferente, já que não encontramos aleatoriamente um monstro no mapa e podemos “capturá-lo”, mas sim temos que encontrar ovos, rachá-los para ai sim temos a criatura no nosso time.
Só que o que parece simples, assim como o combate, torna-se um dos sistemas mais viciantes que eu tive chance de experienciar nos últimos anos, graças a uma implementação que parece rasa na superfície mas extremamente complexa quanto mais a descobrimos: cada área do jogo conta com habitats que podemos restaurar para adicionar novas espécies e mutações de monstros, portanto que derrotemos algumas criaturas extremamente poderosos. Essas mutações podem apresentar elementos diferentes, status melhores e até mesmo colorações diferentes, e graças a ela o loop de jogabilidade principal do jogo é criado, deixando claro e ainda mais efetivo as horas e horas que são comuns de serem gastas na franquia mesmo que Stories não seja igual a franquia principal.

Completando o pacote temos a história que, embora efetiva, não é das mais geniais. Confesso que mesmo tendo passado quase 60 horas jogando o título, acabei saindo dele sem me importar muito com os personagens — o que realmente me prendeu foi a jogabilidade incrível. Claro que existem bons momentos, principalmente envolvendo side-quests que, em sua maioria, são bem costuradas com a narrativa principal e conseguem fluir organicamente, em especial quando envolvem nossos companheiros, mas o jogo é muito mais funcional em batalha e no objetivo de completar os ecossistemas das diferentes áreas, conseguindo assim novas criaturas, materiais para novas armas e armaduras e, principalmente, maximizar nosso poder.
Olhando o jogo como um todo, com seus lindos visuais cel-shared (em certos momentos ele me lembra até Ni no Kuni, o que por consequência significa que ele remete bastante ao Studio Ghibli, também), o que temos aqui é um RPG que me lembra muito uma era antiga dos videogames, em que o mercado era repleto de JRPGs (na falta de termo melhor para definir o gênero) na toada do sucesso e explosão de jogos como Final Fantasy. Nem todos eram conhecidos mas as chances de divertirem eram grandes, principalmente pela riqueza mecânica contida neles — algo que Monster Hunter Stories 3 tem de sobra.
Terminei o jogo querendo mais e na torcida de que novos conteúdos sejam adicionados, sentimento que sinceramente não é tão comum comigo hoje em dia. A Capcom está numa nova era de ouro, e Monster Hunter Stories 3 é mais uma incrível prova deste momento incrível que a desenvolvedora vive — e nós que ganhamos grandes momentos com isso.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Capcom pelo envio do código de jogo para a produção deste review.
