Escrito e dirigido por Anthony Maras (Hotel Mumbai), Pressão (do original, Pressure) é um filme de guerra com uma pegada um pouco diferente. Ao invés de retratar alguma batalha de nota ou artimanha especial que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, a história da vez é a da preparação para o fatídico Dia D, quando os Aliados colocaram em prática a invasão da França ocupada, marcando o primeiro passo para a derrota dos nazistas.
Encarnando o general supremo das forças aliadas, Dwight Eisenhower, está Brendan Fraser, cuja carreira recebeu um sopro de vida nova nos últimos anos, enquanto que Andrew Scott (de 1917) interpreta o especialista em meteorologia James Stagg, que veio a ser uma figura importantíssima nesse período histórico ao mudar os planos de um dos acontecimentos mais marcantes do conflito mundial.
Com a data da invasão marcada e com a pressão montando sobre os ombros de Eisenhower, Stagg cumpriu um papel vital ao contrariar as expectativas e, com base na análise de medições climáticas, foi capaz de indicar o momento certo para que o Dia D pudesse acontecer com sucesso. Mas antes disso acontecer, o personagem de Scott teve que bater de frente com outro entendido no assunto, o coronel Krick (Chris Messina), que já tinha a plena confiança do general e tinha plena fé em suas próprias conclusões, tiradas a partir de padrões registrados no passado.
O filme retrata muito bem o choque entre modos de analisar dados e como tirar deles resultados totalmente contrários, mas também como a personalidade conflitante de Stagg, um teimoso escocês que não fez muitos amigos ao adentrar o ambiente de trabalho estratégico do grupo de Eisenhower, convicto que teria que lidar com uma área de pesquisa em que não há certezas, especialmente quando se trata de uma região com padrões climáticos imprevisíveis como a Europa.
Nessa briga toda, Fraser também mostra todo seu talento ao colocar-se em tela na pele de uma das personalidades mais marcantes daquele período, dando a crer que ele de fato passou por um nervoso descomunal nesse curto espaço de tempo, onde dizem as más línguas, Eisenhower fumou vários maços de cigarro e consumiu litros de café, praticamente sem dormir. Seus embates não só com Stagg mas com outro nome emblemático da Guerra, o general Montgomery (interpretado também brilhantemente pelo veterano Damian Lewis, do incrível Band of Brothers) são retratados sem fugir do fato de que seu ânimo dependia quase que por completo no sucesso da grande missão adiante.
Outra atuação que chama a atenção em Pressão é a de Kerry Condon, que atua como Kay Summersby (Sonhos de Trem), a secretária do general e principal apoiadora de Stagg, ajudando-o a colocá-lo, aos poucos, nas boas graças de Eisenhower. Ela traz uma presença feminina forte ao elenco quase que completamente dominado por papéis masculinos e confere ao filme a necessária leveza em meio à seriedade da situação retratada.

Por ser uma produção que adapta um momento histórico real, não há muito a ser falado sobre a sua autenticidade quanto aos fatos mostrados, nem procurar evitar quaisquer spoilers, afinal, todos sabemos que o Dia D foi um tremendo êxito por parte dos aliados. Mesmo assim, cabe salientar que Pressão não deixa de mostrar os conflitos tanto exterior quanto interior tanto de Stagg, que deixou sua esposa grávida em casa para participar do planejamento do ataque, quanto de Eisenhower, abalado pelo fracasso absoluto de um exercício de treino do Dia D, resultando em dezenas de mortes desnecessárias.
São essas as “batalhas” acabam sendo a parte central do filme, fundamental para dar o peso dramático e gerar dúvida na plateia quanto ao eventual clímax, não só a execução do plano todo, mas como todos os envolvidos em seu preparo sairiam dele. E, mesmo que acelerada a fim de amarrar a conclusão do longa, essa amarração é bem-sucedida, em grande parte.
Sem grandes surpresas mas mesmo assim acertando na maneira que mostra uma parcela não tão tradicionalmente contada da história por trás de uma das guerras mais exibidas na telona nesses quase oitenta anos desde seu final, Pressão conta com dois destaques: as já comentadas fortes interpretações e trabalho sonoro – tanto de efeitos quanto de trilha – excelente, que contribuem para capturar a atenção por toda a sua duração.
Distribuído pela Universal Pictures do Brasil, Pressão tem estreia marcada nos cinemas do país para o dia 3 de setembro.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Universal Pictures Brasil pelo convite da cabine de imprensa para a produção desta crítica.

