Talaka vai ser mais um daqueles jogos em que eu tenho muito o que falar afinal, como vocês já devem ter notado, algo recorrente em qualquer texto meu aqui no site é o quanto eu tento enxergar os jogos além da parte produto AAA — o que de fato pode ser uma tarefa um tanto sisifiliana, já que as tendências da indústria atual de videogames são de tentar ao máximo sempre reproduzir os sucessos.
Porém, defendo com unhas e dentes que o mundo indie é o local em que a criatividade ainda respira e, agora com Talaka e lembrando com carinho de Despelote, vou além — o Sul Global e a geração que cresceu com os jogos serão os responsáveis pela elevação artística ainda maior dos videogames em um mundo em que investimentos bilionários podem estar levando essa esfera de entretenimento para um buraco.
Bom, caso minha introdução não tenha deixado claro, eu adorei o que pude jogar de Talaka no beta que o Entertainium teve oportunidade de testar. Um jogo de ação roguelike com óbvias inspirações de Hades, a produção brasileira utiliza como moldura temática o folclore brasileiro e, pelo que pude experienciar, consegue entender o que fez os deuses gregos de Hades funcionarem tão bem e adaptar o universo mitológico nacional para uma estrutura parecida.
A narrativa, até o momento que joguei, é simples mas suficientemente charmosa: controlando Talaka, exploramos biomas diversos inspirados no Brasil. Existem armas diversas que em cada run você pode alterar, mesmo que pelo menos na versão inicial que tivemos acesso muitas delas joguem de maneira muito parecida e as de longo-alcance pareçam pouco efetivas/balanceadas para os desafios apresentados.
Assim como em Hades, é possível melhorar a performance de Talaka por meio de melhorias distribuídas ao longo das runs do jogo — aqui, quem concede esses benefícios são os Orixás, todos com diálogos extremamente bem escritos e engajantes que consigo enxergar com facilidade tornando-se vetores para centenas ou milhares de fan-arts internet a fora depois do lançamento real do jogo. Convenhamos, quanto mais artes feitas por terceiros, mais sucesso um jogo é, né? E eu tenho certeza que Talaka poderá ser facilmente o vetor de algo do tipo.

E, aproveitando o ensejo de arte, é de suma importância citar aqui o quão linda está a arte de Talaka. Munindo-se da própria protagonista ser caracterizada como uma artista, o jogo parece uma pintura — os movimentos de Talaka deixam linhas de tinta funcionais e efetivas, o mundo parece uma aquarela e a jogabilidade, intensa e voltada para combos, faz com que a tela pareça um grande mundo expressionista e intenso que, de forma consciente, remete muito a identidade artística brasileira.
É um espetáculo muito prazeroso de ser jogado e mesmo que ainda precise de ajustes gerais em balanceamento e variedade de armas, já tem toda uma funcionalidade e conforto que sinceramente, só consigo enxergar como algo que melhorará ainda mais com o tempo.
Joguei pouco mais de quatro horas de Talaka e, se há meses atrás falei que Despelote e a forma que a bola era usada como um vetor de comunicação e criação de laços era algo extremamente latino-americano, aqui afirmo que a pintura criada para representar o folclore nacional remete a uma comemoração e orgulho de nossa própria mitologia muito inspirado e que fascina muito por ser algo justamente nosso. O jogo só sairá de maneira completa em 2027 mas já posso afirmar com muita tranquilidade que estará completamente no meu radar e que espero uma experiência excelente.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria do jogo pelo código utilizado para a produção deste preview.
