The Legend of Heroes é muito mais que uma série entre os videogames. Podemos considerá-la tranquilamente uma verdadeira saga, já que se trata de uma sequência de jogos que desde os meados dos anos 1990 vem ganhando jogos consistentemente. E o mais engraçado de tudo é que pouca gente sabe de sua existência! Mas os que a conhecem a amam, e a amam de uma maneira intensa, tanto que quando o remake de um de seus primeiros jogos foi anunciado, a reação de alegria foi unânime.
Trails in the Sky 1st Chapter chegou ano passado, desenvolvido pela NIS America e lançado pela GungHo, trazendo o jogo original de 2004, que antes era do ponto de vista isométrico, com personagens mais fofos, para os padrões de apresentação mais próximos dos capítulos atuais da franquia, como Trails Through Daybreak, com gráficos poligonais e ação mais refinada. Isso não quer dizer que a repaginação de Trails in the Sky FC é capaz de rivalizar com jogos da Square Enix, por exemplo, como Dragon Quest XI, por ter um orçamento consideravelmente menor, mas mesmo com suas limitações, não há como negar que seu charme é capaz de compensar todas elas.
Com Trails in the Sky 2nd Chapter, temos a continuação dos eventos do primeiro jogo, com as consequências diretas da dramática conclusão da parte anterior, em que Joshua, o irmão de criação de Estelle, encontra-se desaparecido depois de se revelar um agente da misteriosa organização Ouroboros, deixando todos para embarcar em uma cruzada pessoal. Em meio a isso, Estelle decide dar continuidade à sua carreira de Bracer enquanto investiga o paradeiro de seu companheiro. Pode parecer a premissa de um anime e, bem, é, mas acredite, vai muito além disso.

Resumir a história de qualquer jogo de The Legend of Heroes em pouco mais que um parágrafo é um crime, pois é um punhado de RPGs em um universo interligado repleto de complexidades políticas, religiosas e sociais incrivelmente densas e, por mais insano que pareça, de longe algumas das mais interessantes de se acompanhar nos videogames. Se fôssemos traçar uma comparação com a literatura, The Legend of Heroes estaria quase pau-a-pau com O Senhor dos Anéis em termos de quantidade de páginas dedicadas a informações dignas da atenção do jogador sobre o mundo e suas excentricidades. Não é exagero: se este daqui for seu primeiro mergulho na saga, prepare-se para investir mais algumas centenas de horas nessa brincadeira.
No geral, 2nd Chapter é basicamente o mesmo jogo que 1st Chapter, só que com melhorias substanciais. O combate continua uma mistura dinâmica entre batalhas em tempo real, bem como o já citado Daybreak, e lutas em turno, já conhecidas pelos fãs de RPGs japoneses. Ao utilizar os orbes elementais, você é capaz de misturar habilidades e conjurar magias ou ataques físicos poderosos, desde que fique atento às fraquezas dos inimigos. Como todo bom jogo desse gênero, é sempre bom aproveitar essas e as outras numerosas brigas para subir de nível.
Dentre as novidades que citamos, o destaque fica para as masmorras, que antes se resumiam somente a labirintos cheios de inimigos com um chefe no final e itens para encontrar, agora tornaram-se mais complexas, exigindo do jogador um tanto mais de atenção. Elas trazem mecânicas mais elaboradas, como a necessidade de descobrir como enxergar no escuro e encontrar maneiras de abrir portas trancadas, por exemplo, fazendo delas menos enfadonhas, mesmo que ainda apresentando um desafio familiar para quem está acostumado com esse tipo de jogo.

Há também a volta de um dos elementos mais divertidos dos RPGs: a pesca. Sim, pode parecer algo bobo, mas sentimos muito a falta do minigame ao jogar o primeiro capítulo, por estarmos acostumados a fazer isso em outros jogos The Legend of Heroes. É mais uma seção na já gigantesca lista de afazeres do jogo, juntando-se à culinária, caça a inimigos raros, missões da guilda Bracer e a coleção de equipamentos únicos, que apesar de trabalhosa, é extremamente divertida de completar.
E é isso que faz de Trails in the Sky 2nd Chapter um RPG tão gostoso de jogar. Ele é colorido, amigável e com uma curva de dificuldade que combina com todo tipo de público que tenha interesse em jogá-lo. Diferentemente do primeiro, no entanto, ele não te enrola tanto para entregar momentos de ação com sua história e, além disso, conta com algumas das lutas mais emocionantes até então. Se este é seu primeiro jogo da série, não se preocupe, porque há um vídeo de introdução que explica tudo o que aconteceu até então.
Trails in the Sky 2nd Chapter é um jogo melhor que o primeiro em praticamente tudo. Suas novidades fazem dele um RPG melhor que, sim, recicla muito do que já estava presente no jogo lançado no ano passado, mas eleva o nível de qualidade a um patamar ainda mais alto. Ele deixa um confortável espaço para a inevitável conclusão da trilogia, que torcemos de pés juntos que chegue o quanto antes!
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da GungHo pelo envio de um código da versão PC do jogo para a produção deste review.
