Review: Gears of War: E-Day é um ponto alto da série e uma grande surpresa em um ano abarrotado de jogos

Gears of War E-Day cover

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Gears of War: E-Day é uma prequela para a trilogia original de sua franquia. O XBOX, embora esteja passando por um de seus piores momentos com a indústria toda, é muito feliz agora com suas escolhas diretivas feitas para o título em tempos diferentes, tendo um time talentosíssimo sob sua tutela. Uma sequência para o quinto título também é muito esperada, mas após jogar o E-Day, fiquei convencido do que estava se pretendendo para o futuro da série e, para minha surpresa, saí muito, muito surpreso positivamente da sua campanha. Venha conferir o que achamos do jogo vindouro para XBOX e PC!

Qual não foi minha surpresa ao experimentar uma narrativa avassaladora, um audiovisual estonteante e uma jogabilidade no ponto certo?! Típico de Gears of War, não? Na perspectiva de 4 personagens super cativantes, a franquia ganha não só uma vírgula para si, mas o estopim de tudo o que já conhecemos dos games criados pela The Coalition em parceria de longa história – e em diferentes níveis – com a Epic Games. 

Gears of War: E-Day traz uma história sombria, muito triste e pesadíssima para compor a coleção. Acompanhamos a interação bem próxima de Dominic Santiago e Marcus Fênix, figuras carimbadas da franquia, e como sua relação se desenrola durante o Dia da Emergência.

Gears of War: E-Day: Saguão das 5 forças armadas dos Gears (a Coalizão dos Governos Ordenados)
Espere por muita construção de mundo em Gears of War: E-Day! Cada canto conta uma nova história e acrescenta mais à lore, como este saguão de alistamento da Coalizão (COG).

Não demora nem 20 minutos, a partir do início do jogo, para que a cidade de Kalona, no planeta Sera, seja acometida por tremores esquisitos e rachaduras no chão. Logo, buracos imensos começam a abrir por toda a cidade, iluminados por uma estranha luz vermelha. E para a desgraça da sociedade, monstros ferozes de todos os tipos e tamanhos saem deles e começam a atacar as pessoas. Monstros esses (ou “grubs”, como os Gears os chamam) que virão a ser conhecidos como os brutais Locust.

Os novos personagens Mags Carter e Lucas Reyes também se juntam a eles por acaso, bem no início, e também são uma explosão de criatividade. Ambos têm histórias para contar, muitas dores para compartilhar e formas de comover a quem joga, de maneiras impressionantes em sua escrita. 

”Essas coisas nem humanas são…”; “Esses bichos tão comendo gente!”. São só algumas das frases que ouvimos nos primeiros capítulos do jogo, traduzindo o terror e o desespero das pessoas que vivem em Kalona, inclusive nosso grupo de personagens, diante do banho de sangue em progresso. 

São muitos e ótimos momentos de alívio cômico também, que tornam o título muito único. A dublagem carrega a maior parte, mas existem cenas em que oportunidades de nos tirar um leve riso de canto, uma risada genuína ou apenas de soltar um arzinho pelo nariz nunca são perdidas.Não demora muito, por exemplo, para ouvir um “nossa, quase virei camiseta de saudade”, arrancando uma boa risada após uma tensão enorme.

A dublagem em português brasileiro, aliás, é um absurdo de boa. Excepcional! Conta até com frases como “‘Ta que pariu!” ali e um “Vamo lá, molecote” acolá, ditos pelos incríveis profissionais Roberto Garcia, Maurício Berger, Heitor Assali, Carol Valença, Dláigelles Silva e um elenco incrível, dando vida a personagens marcantes.

Gears of War: E-Day: Kalona sob ataque e sendo destroçada
O mapa de Kalona é enorme e o ‘open bairro’ dos capítulos vai te surpreender e certamente agradar.

A direção de arte de Gears of War: E-Day ganha um tom sombrio, melancólico e até de trechos de um terror “suave”. O peso da nova guerra sobre os ombros dos corajosos e fortes Gears é evidente. Todos têm alguém na recordação, morto em batalhas brutais desse triste episódio ou na guerra passada contra a URI. Todos estão à beira da loucura, tentando absorver o massacre que ainda acontece ao seu redor.

Tudo parece anos-luz mais maduro: os enquadramentos, o momento a momento, a sequência de ação e contemplação (ritmo). É evidente a enorme evolução que o estúdio teve e como tantos anos de trabalho lhes deram expertise e grandes passos adiante, impulsionados pela nova geração. Uma pena estarem vivendo um momento tão crítico e duro na indústria dos videogames…

Dá para perceber tais avanços primorosos: sentir iterações nos controles, uma movimentação e troca de armas mais fluída, gráficos super realistas, uma trilha sonora melhor trabalhada, efeitos sonoros imersivos demais e chefes desafiadores e interessantíssimos! Adicione muitos outros detalhes à conta que, provavelmente, quem vos escreve está esquecendo nesse review. Além do mais, Kalona é um mapa muito mais explorável agora, ganhando caminhos paralelos e uma verticalidade jamais vista antes na franquia.

Cada detalhe foi bem construído, tanto na parte criativa quanto nas suas tecnicidades. É muito surpreendente como a franquia foi proveitosa, gerando um título realmente fresco e gostoso de se jogar!

A jogabilidade e o feeling do título é algo totalmente inédito, mas sem deixar de lado seu aspecto clássico. Muitas iterações foram feitas ao longo do desenvolvimento e muitos novos atributos são citados com mais detalhes por Matt Searcy, um dos diretores criativos, num post recente do Xbox Wire, inclusive. Muito do novo motor gráfico foi sabiamente utilizado e, em cada momento, contemplamos detalhes interessantes sobre a construção do mundo de Gears enquanto passamos por paisagens e cenários incríveis de Kalona, além de seus arredores instigantes.

Gears of War: E-Day: colecionávei "Revista Cinema Filmatica" do jogo, exibindo o filme de terror "They Came From B-low" na capa.
Colecionáveis? Há mais de 140 colecionáveis para encontrar ao longo do jogo todo.

A partir do Ato II, vislumbramos um mapa mais aberto, repleto de itens colecionáveis, peças de aprimoramento para armas e missões secundárias espalhadas. Kalona vira um “open bairro”, podendo ser explorado não somente para frente, mas para os lados, nos cantos, para cima e para baixo. A adição desse tipo de exploração mais limitada deixa tudo muito satisfatório, seja sozinho ou em coop. 

A grande surpresa dessas pequenas áreas exploráveis seria o bastante para um fã de Gears, mas o tempero disso tudo está também em como Kalona se torna um ambiente hostil da noite para o dia, infestado de Locusts e suas armadilhas. Eventos aleatórios se espalham pela cidade e são muito curiosos e divertidos de serem experienciados. Confesso que me senti 100% do tempo imerso nessa história que foi contada e agora só quero vivenciar tudo novamente, em inúmeras rejogadas com os amigos ou só caçando as conquistas restantes.

Aqui, toda surpresa não é pouca… Gears of War: E-Day ainda conta com armas novas, como a Esmaga Tripas (lança-granadas) e a Incineradora (que atira rajadas de emulsão e queima o inimigo rapidamente) – e muitas outras -; tem os dinâmicos Estoques de Suprimentos próximos a checkpoints (onde você pode trocar de item especial, armas e sua armadura, além de aprimorá-las), como já apresentamos em nosso preview; tem Caixas Rígidas espalhadas pelos mapas, que contêm melhorias de armas, armadura e itens especiais e; missões secundárias bastante variadas, cada uma muito única, contando sua própria história paralela artesanalmente pensada. 

O jogo, obviamente, não é perfeito. Ele ainda tem alguns bugs/glitches que não atrapalharam a experiência em si, mas que incomodam de alguma forma e são corrigíveis: algumas imperfeições gráficas, sobretudo a partir do Ato 4 (dá para ver como o motor gráfico ainda é muito falho e “sofre” ao funcionar); algumas falas e suas mixagens se sobrepondo e/ou dessincronizadas com outros personagens ou com o movimento dos lábios do que está falando, além de seus volumes oscilarem, e; encontrei um ou dois momentos não traduzidos e sem dublagem, mas nenhum estava diretamente atrelado às linhas da história ou às missões principais.

Algumas melhorias pontuais de UI e navegação pelas telas de menu, mapa e colecionáveis também seriam muito bem vindas. É seguro confiar na The Coalition para que patches futuros corrijam os pontos mais críticos e torne o lançamento ainda melhor para nossa apreciação. Mas não entenda mal, o jogo está muito satisfatório em otimização gráfica e em funcionamento pleno de suas mecânicas. Ele apenas abre muito espaço para melhorias. 

Gears of War: E-Day: Kalona totalmente destruída pelo ataque dos Locust, com uma gravação oficial do governo tocando ao fundo.
Kalona é arrasada em poucas horas e dias em Gears of War: E-Day. Você acompanhará esse grande drama com Marcus, Dom, Mags e Reyes.

Gears of War: E-Day consegue requentar narrativas de outrora com uma nova roupagem, muito mais moderna, e se reinventando de verdade enquanto faz comentários sobre os nossos tempos. Em outras palavras, Gears ainda fala muito sobre irmandade e dos maiores horrores da guerra enquanto traça comentários maduros de precarização do trabalho, corrupção, colonização e, também, sobre capitalismo tardio.

Ele é o Gears que eu não sabia que queria até ser surpreendido muito positivamente. Logo, foi um deleite proporcionado pela The Coalition com tudo o que seu legado tem a oferecer, somado a um conjunto de iterações robusto e a momentos muito empolgantes. Gears of War: E-Day é mais do que recomendado para fãs e é uma ótima porta de entrada para a franquia. Facilmente, um dos melhores desse brilhante 2026!

O Entertainium Brasil agradece a assessoria do XBOX pelo código da versão de PC do jogo para a produção deste review.

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