Fruto da mente do diretor francês Ugo Bienvenu, Arco é um novo longa-metragem animado que aterrisa nas telonas do Brasil muito em breve. Repleto de cores saturadas, lindos cenários e personagens de personalidades fortes, é difícil não recomendá-lo para todo tipo de público, desde o mais jovem e com pouca bagagem, quanto aos adultos, que muito provavelmente já viram de tudo.
O filme conta a história de Arco, um menino que se vê perdido em um mundo estranho a ele depois de tentar alçar vôo sozinho, separado de sua família, algo proibido em sua sociedade. Por sorte, acaba sendo encontrado por Íris, uma garotinha extremamente inteligente e curiosa, que o leva, desacordado, à sua casa, e depois de cuidado por seu robô-babá, a leva na aventura de sua vida.

Arco não perde muito tempo tentando explicar sua história, o que é bom, já que sua duração não dá tanto espaço para isso. Com poucas palavras e imagens, logo ficamos sabendo que o garoto vem do futuro e que calamidades deixaram a superfície do planeta inabitável, forçando a humanidade a morar nas alturas. Voltando ao passado onde Íris vive, somos apresentados ao início dessa crise climática, com fortes chuvas e incêndios de grandes proporções.
Mesmo assim, há muita beleza no filme. Traçamos um paralelo entre Arco e as ilustrações do famoso desenhista Moebius, já que ambos se utilizam de paletas similares e estilo simples de desenho para transmitir suas ideias, que no caso da animação, de tão bem dotada de movimento, tem uma vida surpreendente em tela. Isso é especialmente notável nos personagens, que carecem de linhas exageradas e detalhes, mas mesmo assim são capazes de transmitir muita emoção.

Apesar dessa temática alarmista quanto ao futuro, sentimos que a mensagem de Arco é mais leve e positiva, onde a fantasia se contrapõe à realidade nua e crua do que está para acontecer ao planeta visto os desastres naturais que se tornam cada vez mais mortais no seu decorrer. Ao invés do terror, vemos a amizade entre duas crianças se tornando cada vez mais forte e contagiante, de uma maneira que até quem imaginávamos seriam antagonistas vêm a se tornar auxiliadores para o retorno de Arco ao seu tempo.
Nisso, Arco mostra uma capacidade surpreendente de estabelecer uma narrativa que dispensa da violência de um modo que nunca veríamos em uma produção do eixo norte-americano, o cerne usual de suas histórias. No caso deste filme, essa guinada veio para o bem, colocando como prioridade a esperança, amizade e coletividade sem se tornar algo banal, muito pelo contrário.
Sabendo que trata-se de um candidato ao Oscar de Melhor Animação, resta saber se Arco terá alguma chance frente ao forte lobby da Disney e outras gigantes na produção de animações. Em nossa humilde opinião, mesmo não vencendo o prêmio, é um longa que é muito digno da sua atenção. Então aproveite enquanto estiver em cartaz por aqui, sim?
Arco chega aos cinemas brasileiros chega amanhã, dia 26 de fevereiro, com distribuição da Mares Filmes em parceria com o Mubi.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Mares Filmes e do Mubi pelo convite para a cabine de imprensa para o preparo desta matéria.

