Crítica: COPAN mostra o lado humano de um verdadeiro marco histórico de São Paulo

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Desde que nós nos entendemos como gente vivendo na capital paulista, conhecemos a figura emblemática que é o COPAN, o enorme prédio localizado no centro da cidade. Fruto da criatividade do igualmente lendário arquiteto Oscar Niemeyer nos anos 1960, o COPAN veio a se tornar um dos símbolos da cidade, e agora, tornou-se a peça-chave do novo documentário da diretora Carine Wallauer, moradora do prédio, que na época da produção, estava prestes a se mudar.

COPAN chega esta semana aos cinemas do país, mostrando como a vida dentro deste gigante, com seus milhares de moradores e extensa rede administrativa, se contrasta com a realidade do mundo de fora, que no caso do filme, retrata o tenso cenário político do Brasil às vésperas das últimas eleições presidenciais. Entre visitas aos moradores e funcionários do prédio, temos a rara oportunidade de adentrar em seus cotidianos, entre eles, um famoso DJ paulistano, uma produtora de filmes adultos, e até o síndico-chefe, este último em meio ao imbróglio de sua reeleição no condomínio. 

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Se pudessem falar, estes corredores teriam muitas histórias para contar.

O que faz deste documentário tão marcante é a maneira que nos mostra a realidade, nu e crua dos relacionamentos humanos, sejam eles dentro das famílias de moradores, as dezenas de funcionários, e dos moradores do COPAN, todos numerosos e com personalidades únicas, de alguma maneira, entram numa harmonia sensível para constituir o microcosmo deste local tão marcante da cidade. E tudo isso enquanto alguns destes apresentam, de sua maneira, sua opinião sobre a realidade do país naquele momento histórico.

Fica claro que a visão de Wallauer é de não impôr uma opinião específica na produção, dando espaço, ao invés disso, aos próprios personagens da vida real mostrados no documentário, e nisso, tem grande sucesso. Por se tratar de uma fatia ínfima da população da metrópole confinada ao espaço entre as paredes dos corredores dos mais de 30 andares do prédio, temos a chance de ver que mesmo assim é possível ter distinções entre os diferentes dogmas, tanto pessoais quanto políticos, efervescentes conforme vai se aproximando do final, especialmente, chegando ao resultado das urnas que todos sabemos.

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Ser síndico-chefe do COPAN não é fácil. Seu Affonso está de prova disso.

São expostos sentimentos, emoções, opiniões e ideais sob o ponto de vista de um observador sem voz, mas mesmo assim presente, por se tratar de uma pessoa que faz parte do meio pronto para deixá-lo para trás. Nisso, Carine Wallauer faz de seu papel como diretora uma chance dela de despedir-se do espaço que a acolheu durante seus sete anos como moradora de maneira única, em um momento extremamente pertinente, tanto histórico nacional quanto seu próprio. Faz do filme um espelho do país naquele momento e para dentro de si, resultando em algo muito íntimo, não só para quem ela mostra adentrando em seus lares, como para si mesma.

Produção do coletivo PAR e com distribuição da Vitrine Filmes, COPAN entra em cartaz nos cinemas brasileiros no próximo dia 28.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Vitrine Filmes pelo convite à cabine de imprensa para a produção desta crítica. 

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