Há mais de cinco décadas, o diretor Steven Spielberg vem trazendo sucesso após sucesso, com criações que cativam o público, estimulando sua imaginação, levando-o em aventuras incríveis. Dentre esses, um tema recorrente abordado é o da vida em outros planetas, com visitas ao planeta Terra, como em Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977) e E.T: O Extraterrestre (1982), dois de seus maiores clássicos. Agora, em Dia D (do original, Disclosure Day), Spielberg mais uma vez aborda o tema, levantando a possibilidade de que as lendas urbanas nascidas em Roswell há quase 80 anos talvez carreguem uma pontinha de verdade.
Para isso, trouxe um grupo de personagens cativantes em uma história um tanto quanto mirabolante, mas nem de menos instigante, liderados por Margaret (Emily Blunt de Um Lugar Silencioso) e David (Josh O’Connor de Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out), duas pessoas à primeira vista desconhecidas que compartilham algum tipo de conexão com um segredo guardado a sete chaves por uma organização obscura, liderada por Scanlon (Colin Firth, O Discurso do Rei), disposto a tudo para mantê-lo assim. Em 145 minutos regados de muita adrenalina, testemunhamos uma corrida alucinada em busca de levar a verdade ao resto da humanidade, trazendo o estilo de contar história estabelecido do tão querido diretor.
Nesses mais de 50 anos de trajetória, Spielberg se estabeleceu como um criador que maneja de maneira muitas vezes até inocente temas sérios, desenhando uma assinatura só sua nas suas obras. Dia D não é diferente nesse quesito, colocando seus personagens em situações de perigo extremo, criativa e excitantemente, em uma jornada repleta de altos e baixos, até chegar ao seu clímax, um dos mais emocionantes dentre suas obras. E, diga-se de passagem, este filme traz novamente sua parceria de muitos anos com o igualmente lendário compositor John Williams, cujas músicas complementam e enaltecem seu trabalho criativo primoroso.

Dito tudo isso, cabe também citar alguns possíveis pontos de contenda com relação à trama. Sim, há alguns elementos dela que acabam ficando sem explicação, mas essa falta auxilia em manter o mistério, deixando para a imaginação do público o “trabalho” de conectar os pontos, por assim dizer, escapando da armadilha de muitos filmes atuais do exagero de informação. Por se tratar de uma produção razoavelmente longa, consegue se manter em ritmo acelerado, mesmo assim revelando as peças-chave da história no momento certo, culminando em um fechamento primoroso e reconfortante, repleto de esperança por um futuro melhor. No mundo de hoje, precisamos muito disso, afinal.
Apesar de alienígenas já terem sido tema de outros projetos de Spielberg, Dia D consegue dar um spin próprio, tornando situações que em outro contexto poderiam parecer absurdas num pano de fundo mais realista, condizente, no contar de história fantasioso do diretor, com o mundo concreto em que vivemos. Há muito “e se” e fatos inexplicados, batidos, que deixamos de levar em conta no dia-a-dia, elementos que servem de alicerce da trama da vez. São elaborados de maneira criativa e instigante, tornando o incrível substancialmente crível, ou pelo menos, que desejamos que fosse o caso do outro lado da tela. Esse é o papel do entretenimento, e nisso, Dia D acerta demais.
Produzido pela Amblin Entertainment, Dia D chega aos cinemas do país dia 10 de junho, com distribuição da Universal Pictures.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Universal Pictures Brasil pelo convite da cabine de imprensa para a produção desta crítica.

