Crítica: A Odisséia carimba no clássico de Homero o selo Nolan de blockbuster

a odisséia, christopher nolan

Independente da sua opinião sobre o diretor Christopher Nolan (trilogia Batman: O Cavaleiro das Trevas, Oppenheimer, entre outros), dado seu histórico controverso com relação à distribuição e produção de seus filmes, é dado o fato de que quando o homem coloca suas mãos em um longa-metragem, no mínimo, ele traz uma experiência digna de ser chamada de blockbuster. Este continua sendo o caso com A Odisséia, sua nova superprodução de quase três horas de duração, recheada de estrelas de Hollywood e efeitos especiais de cair o queixo.

Adaptação do clássico de Homero, A Odisséia narra a terrível jornada de volta para casa de Odisseu (Matt Damon) e seus soldados após a icônica batalha de Tróia, em que enfrentou não só os perigos vindos de outros povos, mas também de assustadoras criaturas mitológicas e a ira dos deuses do panteão grego. A outra metade da história se passa volta no reino de Ítaca, onde a rainha Penélope (Anne Hathaway), espera pela volta de seu marido, enquanto é assombrada pela horda de pretendentes, entre eles o asqueroso Antínoo (Robert Pattinson), principal antagonista do príncipe Telêmaco (Tom Holland), que anseia pela volta de seu pai a quem nunca conheceu, há mais de duas décadas desaparecido e sem notícias.

O que se desenrola nas 2 horas e 52 do longa segue as batidas do conto, ou seja, não será exatamente uma surpresa em termos da história para quem já está familiarizado com ele, mas, mesmo assim, a maneira como a narrativa é conduzida por parte de Nolan, traçando as duas situações citadas acima em paralelo, ambas com diferentes tipos de intensidade. Enquanto que a aventura de Odisseu conta com muita ação, mistério e o ar de magnitude ao não só recontar os acontecimentos antes e durante a batalha por Tróia, quanto a viagem de volta para Ítaca, o drama que Odisseu desconhecia em seu lar retrata outra batalha, realizada por meio de ameaças veladas e tensão. Quando as duas eventualmente colidem, o resultado é uma das melhores partes de um filme já absolutamente magnífico nesse quesito.

a odisséia, christopher nolan
Os perigos são constantes durante a trajetória de Odisseu e de volta no seu lar, em Ítaca.

Não é exagero dizer que A Odisséia é um dos maiores épicos trazidos à telona por Nolan e sua talentosa equipe, não só pelo peso cultural por ser baseado em uma obra de Homero, mas também pelo seu poder de entreter. Trata-se de uma produção robusta, trazendo uma qualidade tremenda em todos os departamentos. Sejam os efeitos especiais e computação gráfica empregados para dar vida a monstros como o ciclope, que possui um design singular e grotesco aqui, e retratar a verdadeira natureza inclemente dos deuses, juntos da trilha de seu grande parceiro, o compositor vencedor do Oscar Ludwig Göransson, que deixou de lado instrumentos atuais para dar espaço a outros da época de Bronze, como liras, aulos e gongos, e o retumbante trabalho de sonoplastia, tudo se casa para transformar a experiência no cinema em algo especial.

Por mais que Damon, Pattinson e Hathaway possam entregar atuações consistentemente excelentes no filme, além da rápida passada de Charlize Theron (Calipso), os veteranos de The Walking Dead Samantha Morton (Circe) e Jon Bernthal (Menelau, o rei de Esparta), Lupita Nyong’o (Helena) e Zendaya (Atena), cabe ressaltar as participações de alguns atores que podem passar despercebidos pelos menos atentos em A Odisséia, por não estarem no pôster. Dois grandes destaques são as participações de John Leguizamo (A Era do Gelo) no papel de Eumeu, o pastor de porcos e mentor de Telêmaco, com uma atuação repleta de emoção através de sua lealdade à família real de Ítaca, e a Elliot Page (vencedor do Oscar com Juno), que dá vida a Sinon, soldado de Odisseu; mesmo não estando em tela por muito tempo, ele deixa sua marca. 

a odisséia, christopher nolan
John Leguizamo está absolutamente INCRÍVEL no papel de Esmeus em A Odisséia.

Há algumas poucas inconsistências, como as expressões modernas incluídas no diálogo dos personagens, que destoam da voz da história contada, como os termos como “okay” e “dad” (ao invés de “father”), além do sotaque americano forçado até de alguns dos atores britânicos do elenco. Apesar de não serem suficientes para tirar do valor do filme, seguem a mania de Hollywood de atropelar a consistência de inclusão de diferentes culturas em produções visadas para um público de âmbito mundial. Isso é especialmente notável no caso deste filme, que se esforça (muito bem, por sinal) em trazer etnias mais variadas a papéis de personagens anteriormente dados a atores e atrizes brancos.

Como já foi dito, A Odisséia é mais uma adaptação de uma história há muito vista no formato cinematográfico, desta vez fazendo uso de todo o poderio tecnológico atual da indústria, levando consigo o estilo bombástico pelo qual seu diretor é bem conhecido. É uma história que serviu de base para incontáveis outras no decorrer dos milhares de anos desde sua criação, não só pelo cinema, mas por praticamente todos os outros formatos possíveis. Sendo o blockbuster da vez, merece ser assistido em um cinema com a maior tela possível — de preferência, no IMAX – e sistema de som adequado, da mesma maneira que suas películas passadas.

Distribuído pela Universal Pictures, A Odisséia chega amanhã aos cinemas do país.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Universal Pictures do Brasil pelo convite da cabine de imprensa para a produção desta crítica.

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