Para falar de Invincible VS preciso escrever um pouco sobre eu mesmo. Qualquer pessoa que me conhece além dos textos sabe que eu amo jogos de luta — no meu PS5, o jogo com mais horas registradas é Street Fighter 6, e desde pequeno eu sempre estive próximo das intensas jogatinas competitivas, embora só recentemente eu possa começar a falar que realmente aprendi a lutar neles. Nisso, as lembranças dos jogos 3v3 (e o quanto eu ignoro 2XKO por preferencia pessoal) são muito queridas, mas com meu ritmo sendo mais da Capcom, as pelejas virtuais mais frenéticas costumam ficar um pouco de lado.

Mas além de jogos de luta, eu gosto muito de super-heróis, e correndo aqui o risco de ser hipster, já gostava de Invencível antes da série animada da Amazon. Avaliar Invincible VS então me pareceu uma oportunidade magnífica de falar sobre duas paixões, mas confesso que sai um pouco abalado — ele me parece um pouco mais complexo do que deveria e, talvez, nem toda franquia de super-herói encaixe tão bem no mundo dos Fighting Games?
Bom, acho que o parágrafo anterior pode ter passado a impressão errada. O jogo é bom, mas é confuso? Enquanto se eu pegar um Marvel vs Capcom a jogabilidade clica rapidamente mesmo que a intensidade de ações acontecendo assustem, Invincible VS não é tão acessível de cara mesmo com o extenso tutorial antes do jogo propriamente dito começar.
Não ajuda também que a única configuração de controle presente nele é algo que se aproxima do moderno de Street Fighter 6 que, embora extremamente funcional, é muito contra-intuitivo de cara para quem já tem experiência em jogos de luta — e, na apresentação e forma geral do novo título, espera-se que conhecimentos anteriores de outros games do gênero seja transferida, mas o susto inicial acaba afastando.
Mas destaco o fato que esse susto é somente inicial. Uma hora e meia depois o jogo já se explicou bem o suficiente para funcionar bem e mostrar que sua abordagem de jogabilidade é muito mais focada em saber estratégias e como convencer seu adversário a cair em armadilhas e levar um combo enorme do que conseguir executar centenas de comandos em uma ordem intensa e que exige horas e horas de modo treino. O modo arcade e o modo história ajudam a colocar e acostumar com o jogo, e embora não tenha achado grande coisa a narrativa do jogo, confesso que sempre acho legal quando jogos de luta se esforçam em apresentar algum conteúdo do tipo.
Mas logo esgota-se esses conteúdos solo e, como a maioria dos jogos de luta atuais, ficamos com o modo online — partidas com amigos, casuais ou ranqueadas. Nas quase seis horas que joguei somente no modo ranqueado, admito que apanhei muito mais do que eu esperava e, sinceramente, isso evidencia um trunfo ao mesmo tempo que um ponto fraco de Invincible VS: o quão absurdamente complicado o jogo é em termos de sistemas.
Veja, além da variedade de personagens (que, destaco, mesmo na série/HQ muitos deles tendo os mesmos poderes, aqui foram desenvolvidos de forma interessantíssima para jogarem de maneiras bem diversas, com destaque em especial para o protagonista e seu pai que me parecem o Ryu e o Akuma do jogo), existem sistemas universais governando as partidas.

Além da vida e da clássica barra de especial, existem barras que permitem executar versões mais fortes/mais combáveis de golpes normais, existem dois tipos de defesa com propriedades diferentes que dependendo da situação podem implicar diferentes aberturas de contra-ataque; combinações para parar combos dos adversários; diferentes formas de trocar os personagens da equipe durante a partida ou só de chamá-los para auxiliar em um combo… É muita coisa e que, sinceramente, com o componente online sendo parte tão fundamental do jogo, me parece extremamente contraditório que já nos tanques mais baixos o jogo crie partidas com níveis tão diversos de disparidade entre os jogadores — até meio desanimador, sinceramente.
Nisso, ficamos também com a violência de Invincible VS. Ao mesmo tempo em que a franquia é conhecida pelas cenas extremamente pesadas (uma cena em particular da quarta temporada é extremamente conhecida por isso), muito me assusta como ela é utilizada aqui — é constante corpos explodindo de maneira esdrúxula, mas não sei, me parece meio exagerado/sem sentido mesmo sendo algo que vem do material de origem. Talvez pelos golpes em geral e as animações parecerem não ter tanto impacto a quantidade de partes humanas sendo arrancadas em socos deixe tudo muito artificial, e isso me incomodou bastante — ao ponto de ficar pensando muito se essa é realmente a melhor forma de adaptar a franquia em um videogame.

No fim, Invincible VS é interessante, tem espaço para render muitas horas de diversão principalmente com o bom cronograma de updates previsto mas, ao mesmo tempo, não sei se será capaz de atrair público suficientemente para se manter vivo. Talvez, em termos de jogos de luta, alguns bonecos daqui serem convidados para outros títulos, como já aconteceu com Omni Man em Mortal Kombat, seja a melhor opção.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria do jogo pelo código de teste para review.
