Crítica: Insaciável leva a insegurança humana ao extremo

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Dirigido e escrito pela cineasta australiana Natalie Erika James (a mente por trás de Relíquia Macabra), Insaciável (do original Saccharine) é um filme de terror que utiliza-se de um tema sempre presente sob ponto de vista atual e tecnológico, de maneira assustadora e nada confortável. 

Estrelado por Midori Francis (de A Vida Sexual das Universitárias e Grey’s Anatomy), o filme conta a história de Hana, uma estudante de medicina acima do peso que busca, a qualquer custo, emagrecer, a fim de chegar a um padrão imaginado por ela que irá garantir sucesso no amor. Para isso, após um encontro inusitado com uma ex-colega de faculdade que enfrentou a mesma questão, ela começa a ingerir um misterioso comprimido chamado “Gray”, cujo efeito milagroso de perda de peso é quase que imediato.

Não é preciso muita imaginação para saber que essa ideia virá a ser um tremendo de um erro. Após passar a sofrer de horripilantes alucinações e, apesar de, sim, começar a ficar mais magra em um ritmo acelerado, Hana faz uma descoberta macabra, que a leva a começar a fabricar o remédio por si própria, o que acaba cimentando a maldição sobre ela. Conduzida de maneira obsessiva pela diretora, no modo com a qual a garota vê-se cada vez mais consumida por seu desejo, mesmo descobrindo o terrível custo dele, Insaciável faz jus à sua classificação de body horror, muitas vezes ao extremo.

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Por tratar-se de uma obra com temática semelhante à de A Substância, um dos grandes sucessos do gênero nos últimos tempos, Insaciável, por sua vez, lida com a temática de modo mais sobrenatural, salpicado momentos de pura nojeira e explorando a insegurança da mente humana e a fragilidade do físico, que não precisam de muito para virarem frangalhos. Com a dose certa de traumas familiares e um ambiente hostil como o de hoje, com redes sociais tão presentes em nossas vidas, sempre empurrando padrões estéticos a cada momento, não é de surpreender que um filme como Insaciável viria a ser produzido.

Nisso, a diretora teve um tremendo êxito, ao colocar sua protagonista em situações desconfortantes, ao mesmo tempo colocando à frente suas fraquezas e exibindo surpreendente engenhosidade ao tentar lidar com o problema à sua frente, mesmo que falhando miseravelmente em momentos-chave da trama. Sem incluir quaisquer spoilers, diga-se de passagem, não se trata de um filme agradável de ser assistido, mas mesmo assim revela-se uma crítica ferrenha ao ambiente atual, tanto quanto o modo de se tratar da visão do corpo, com a qual milhões de pessoas sofrem diariamente.

Como citado anteriormente, há um elemento de choque presente neste filme que irá agradar aos fãs deste tipo de longa e que funciona bem para potencializar os já desconcertantes momentos de perturbação pelos quais Hana se encontra no decorrer das quase duas horas de duração. Para iniciantes, chega a ser quase demais, mas sabendo que outras opções nessa vertente tendem a extrapolar a linha do agradável, arriscamos a dizer que Insaciável é uma das opções mais próximas ao que poderia ser chamado de “amigável” nesse quesito.

No fim, há uma mensagem por trás de todo o sofrimento da personagem interpretada por Midori Francis, que mesmo conduzida por meio de um longa-metragem repleto de efeitos especiais e trabalho de maquiagem magistral empregados a fim de causar repugnância e desconforto, é clara, concisa e, sem choro nem vela, crua até que demais. O que há em Insaciável, mesmo com seus clichês, é mais uma mostra de que nossas inseguranças dificilmente são só nossas e que, claro, de maneira exagerada, exibe como ser consumido por elas pode ser terrível e destrutivo.     

Distribuído pela Diamond Films, Insaciável chega aos cinemas do país no dia 6 de agosto.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Diamond Films pelo convite da cabine para a produção desta crítica.

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