Evoluído e surpreendente, Path of Exile 2 tem potencial de ser seu próximo CRPG de cabeceira

Path of Exile 2

Acostumado com CRPGs (e grande apreciador do gênero), não pensei duas vezes em começar Path of Exile 2, mesmo que esteja em acesso antecipado ainda. Eis que o novo título é bastante surpreendente e adiciona muita coisa interessante à franquia. A seguir, mais detalhes sobre o conteúdo do jogo e meus sinceros pareceres sobre ele. Vamos lá!

É preciso que fique claro que PoE 2 não é nada simples, por mais que dê muito essa impressão no início. Trata-se de um CRPG bastante complexo, cheio de pormenores, estatísticas e mecânicas escondidas sob a superfície de gráficos lindos e trabalhados minuciosamente para comunicar modernidade e sobriedade, da construção do mundo até os menores detalhes. Aqui, diferente de alguns títulos AAA, customizar suas habilidades e seu equipamento vai fazer diferença na hora de enfrentar seus maiores desafios!

E, por falar em gráficos, é possível ficar maravilhado(a) com sua aparência, seus estilos visuais e até com o HUD muito cedo. Embora alguns dos cenários sejam muito escuros, PoE 2 tem um estilo muito único, evocando melancolia e muita fantasia sombria inspirada na Europa, no oriente e até em antigas culturas mesoamericanas. 

O combate é bem desafiador, colocando uma variedade incrível de inimigos. Inimigos esses que podem estar camuflados no cenário, prontos para sabotar o seu caminho até o objetivo, além de possuírem sua própria variedade de ataques diretos e de veneno, gelo, fogo etc. Isso gera uma camada a mais de desafio e deixa o jogo sempre interessante, adicionando tensão e certo terror constante neste mundo em que você jamais deve baixar a guarda até o próximo cenário ou bioma que for visitar. 

Path of Exile 2
Com ricos personagens e uma história envolvente, Path of Exile 2 evolui muito em relação ao primeiro jogo.

Adicione isso aos chefes complexos e mais desafiadores ainda e você tem bons elementos até de respeitados soulslikes! Na contramão da concorrência, que mira na jogabilidade dopaminérgica a todo custo, PoE 2 te coloca para pensar, agir e usar todas as habilidades – do personagem e suas próprias, de jogador(a) – correta e constantemente, sendo estimulado a trocar habilidades de ataque e defesa e equipamentos diversos, inclusive. 

Os dois parágrafos anteriores não fariam sentido algum se o level design desse jogo não fosse bom, o que está longe de ser verdade. Essa parte é impecável e muito fiel à direção de arte fantástica de cada Ato, sendo um de seus pontos mais fortes, mesmo que a história do jogo se expanda demais e seja um tanto megalomaníaca. O level design, inclusive, mantém o desafio em cada mapa seguinte da história principal, entrega masmorras divertidíssimas de se explorar e adiciona cada vez mais personagens e mecânicas interessantes. 

Seus efeitos sonoros e música estão no ponto certo, em total harmonia com a atmosfera que a direção de arte deseja criar. Cada efeito detalhado e música dos diferentes ambientes chegam a viciar e te manter centrado no momento, só agregando ainda mais ao conjunto da obra. 

Quanto ao online do jogo, não explorei muito a fundo, mas é OK. Como em Diablo IV, as áreas de missões e de avanço em quests são mais “fechadas” a quem joga e NPCs, apenas, e você pode abrir para mais jogadores caso esteja em grupos definidos ou em partidas fechadas pelos jogadores do servidor. Também é possível combinar trocas e vendas por chat, aparentemente organizar raids contra grandes chefes e interagir mais livremente com pessoas aleatórias nos acampamentos de cada Ato.

Path of Exile 2
Ainda que com microtransações e a dependência de sorte em loots, PoE 2 ainda satisfaz muito em seu capricho técnico e em mecânicas muito satisfatórias.

Joguei PoE 2 com mouse e teclado e muito da sua complexidade é devida às múltiplas ações e possibilidades de interação, típica de CRPGs. Há atalhos para habilidades em 10 teclas (5 normais e mais 5 ao segurar o Ctrl), os 3 cliques do mouse, atalhos para cura e restauração de mana do personagem e outros atalhos para menus e estatísticas importantes dele ou dela. Como dizem, ele é “fácil de dominar, difícil de masterizar”, embora tenha um volume grande de informação a ser aprendida e dominada.

Para avançar, é importante melhorar os equipamentos com certa frequência ou trocá-los, evoluir e/ou conhecer novas habilidades e atributos, alocar pontos de habilidade das armas a seu gosto e fazer com que tudo isso tenha sinergia. A depender da classe do seu personagem, pode-se aproveitar danos e resistências elementais e adicionar mais esse fator à sinergia. Complexo.

Para além disso, é possível engastar equipamentos e adicionar runas com buffs e modificações e adicionar joias de buff à árvore de habilidades do personagem. Mas nada disso tira o fato de ser muito satisfatório ver como as habilidades e magias se encaixam umas com as outras, combinando-as entre si a seu bel prazer, e como é possível realizar combos incríveis a partir dessas combinações. Essa parte é um grande trunfo do jogo e é muito divertido ficar explorando a infinidade de armas e suas habilidades incutidas, planejando-as com as características e habilidades específicas do(a) personagem, mesmo tendo um tipo de arma indicado à classe escolhida. Tal característica, somada às classes que estão por vir, dá uma longevidade muito bem-vinda ao novo título da Grinding Gear Games

É uma pilha enorme de informação, mas quando você as vê funcionando e fazendo sentido na sua frente, é tudo muito satisfatório. E isso rende momentos únicos e muito espetaculares, entregando pequenas histórias muito incríveis para compartilhar com os amigos. Por exemplo, quando usei golpes de atordoamento contra um chefe que usa ataques de fogo e, com minha build de monge com bastão de gelo, consegui congelá-lo logo após ficar aturdido, deixando-o imóvel por vários bons segundos (o que me garantiu muito mais tempo de ataques diretos e mais efetivos, sem me preocupar em tomar dano). Nunca pude ver mecânicas dessa natureza, assim, mescladas e fiquei muito impressionado com as possibilidades, as singularidades e os níveis de dificuldade que cada combate proporciona. 

Path of Exile 2
Repleto de armas e habilidades fantásticas, Path of Exile 2 irá te surpreender!

Dentre tantas virtudes e um futuro promissor de Path of Exile 2, não pude deixar de notar algumas imperfeições e pontos negativos, então as descrevo abaixo:

  • Sinto falta de mais cinemáticas/animações que tiram o controle do jogador ou até pequenos trechos de vídeos de diálogo entre os personagens no decorrer do jogo. Isso agrega muito à construção de mundo e lore, no geral. Um aspecto, inclusive, que contribuiu muito para o que Diablo se tornou ao longo dos anos e que alcançou um primor técnico agora, em seu 4º título. Algumas cenas de história a mais com certeza trariam mais vigor e maturidade de roteiro a PoE 2.
  • As batalhas de PoE 2 são um espetáculo à parte, sem contar toda a fortuita variedade de inimigos. Mas a coisa fica complicada quando entram muitos elementos, feitiços, inimigos e informações, no geral, na tela. Por mais intuitivo que seja jogar após algumas horas, há dificuldade de leitura no meio dessa confusão… Tudo fica muito poluído e difícil de interpretar, embora se torne algo costumeiro e/ou evitável.
  • Por muitas vezes, perdia o progresso do mapa inteiro por, justamente, todos serem gerados proceduralmente de tempos em tempos (mesmo tendo explorado tudo e saído até a cidade para vender itens rapidamente, via portal teletransportador). Bastava uma saída da mesa para buscar água/comida, também, para que o mapa fosse todo reiniciado e meu progresso nele fosse perdido, estando fora do único mapa explorado naquele dia. Esse ponto do jogo é muito, muito frustrante. Com esse problema frequente, ele afasta demais aqueles(as) que curtem somente alguns minutinhos de jogatina sem compromisso, ou seja, sessões curtas de exploração em masmorras e/ou grind em seus grandes mapas. 
  • Derrotar um chefe raramente recompensará bem. Além de ser uma barreira alta de dificuldade, você não ganhará tanta experiência e materiais úteis ou raros/únicos para sua campanha, independentemente de seu nível, infelizmente. 
  • Diretamente ligado ao problema anterior, é o fato de que os loots são muito dependentes da sorte, ou seja, é muito difícil tirar um loot positivo para seu equipamento, seja de um baú ou de um monstro que deixou cair ao morrer no cenário. É sempre mais agradável e fácil comprar esse material nos mercadores do acampamento do próximo Ato, e só. Isso tira muito o “sal” da aventura e da satisfação de todo o esforço dedicado aos combates. Fora toda a parafernalha presente em microtransações de conteúdo exclusivo e de cosméticos mais bonitos dentro do jogo, algo que já é, há muito tempo, criticado e difamado na indústria de games.
Path of Exile 2
É, se você for como eu, é preciso gerenciar bem seus itens ao longo da progressão…

Path of Exile 2 tem uma aura de sucesso premeditado, se considerarmos seus pontos fortes e suas virtudes (combate, gráficos, mecânicas, história, música, efeitos sonoros etc.) e estarei torcendo por isso quando a versão completa chegar. Ele faz tudo o que o primeiro título já fez, mas de forma MUITO melhor, adicionando uma infinidade de conteúdo, uma lore mais elaborada e diferentes jogabilidades e modos de jogo, o que é muito positivo, e, mesmo descrevendo muito sobre ele aqui, apenas arranhei sua superfície. Chegou a protagonizar até o AGDQ deste ano e foi uma run e tanto para quem assistiu.

Meu veredito é que se trata de um espetáculo visual e sensorial, tendo grande potencial de – e tudo o que é preciso para – ser o próximo CRPG de sucesso, seja como clássico cult ou como best seller. Sua equipe tem de ter cuidado, apenas, para que não se afunde no engambelar de loots e microtransações, ato que já minou e poluiu a reputação de uma infinidade de jogos baseados no online, além de ter alguma atenção sobre alguns pontos detratores citados acima. Que fique a lição (e a empolgação até o lançamento da versão completa). 

O Entertainium Brasil agradece a assessoria do jogo por ceder um código de teste para a produção desta matéria.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *