Muitas vezes, uma ideia de curta-metragem funciona no formato longo. Este é o caso de Backrooms: Um Não-Lugar, filme dirigido por Kane Parsons, jovem famoso criador de vídeos do YouTube, que com a bênção da A24, pode tentar desenvolver um conceito que bolou. Infelizmente, o que deu certo para criar um senso de tensão e dúvida com seu trailer, não se concretizou nada bem quando levado ao formato de filme, resultando em uma experiência frustrante para o público.
Estrelado por Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, and Mark Duplass, o filme é protagonizado por Clark (personagem de Ejiofor), um arquiteto frustrado que é dono de uma decadente loja de móveis em Santa Clara, na Califórnia, em 1990. Recentemente expulso de casa e passando por terapia com Mary (Reinsve), o azarado personagem se vê em uma encruzilhada na vida, tentando, sem sucesso, elevar seu negócio.
Nisso, acaba descobrindo, por acidente, um portal a um “não-lugar” no andar inferior de sua loja, ao investigar uma série de falhas elétricas que estavam jogando sua conta de luz às alturas. O local, assustadoramente, à primeira vista, não habitado, trazia semelhanças à sua realidade corriqueira, com diferenças bizarras, como móveis atravessando as paredes dos infinitos corredores à sua volta. Sem saber interpretar muito bem a sua descoberta, tenta recorrer à sua psiquiatra, que tem dificuldade em acreditar nele, com suas próprias questões existenciais não-resolvidas e pouco exploradas na história.

Sem opções, Clark decide explorar a fundo o espaço, recrutando a ajuda de dois únicos funcionários para a missão. E é aí que o caldo entorna, tanto para o filme quanto para os participantes da história, o ponto no qual a produção, que até aquele momento carrega um ritmo condizente com um bom mistério e passa a depender de ferramentas tacanhas e sem graça do gênero do suspense e terror, que vão ficar sem serem reveladas, para manter a história do filme intacta nesta crítica. O que será citado somente: não há nada entre esses elementos que faça valer a pena o formato de longa deste filme.
Essa é a infeliz realidade de Backrooms. A ideia central é sólida, mas é mal desenvolvida, deixando pontas soltas que diminuem o poder de sua mensagem e a presença dos seus dois personagens centrais, além, é claro, as poucas revelações, que ao invés de serem estarrecedores, como o diretor e roteirista Will Soodik imaginam ter feito, se estatelam no chão. O resultado final é um filme frustrante para quem vem acompanhando desde seu excelente trailer, ainda mais sabendo que se trata de um lançamento da A24, que até então vem entregando ótimas e variadas obras, como O Drama, que adoramos em março.
Dito tudo isso, vale citar que Parsons não se mostra um diretor totalmente sem talento com Backrooms. Muito pelo contrário. Munido de um roteiro mais forte e recursos semelhantes, com certeza haveria um filme muito melhor que este a ser visto por nós, já que a cinematografia deste é muito bem feita, com cenários elaborados e criativos, que juntos da trilha sonora incrível, fomentadora de tensão a todo o momento. Com o pouco que teve em termos de diálogos, também, o ótimo elenco principal trouxe para a tela interpretações bem dirigidas, mesmo sem o fechamento satisfatório esperado.
Sabendo dessas ressalvas, ficamos muito interessados em ver o que virá desse talento em ascensão, que apesar de não ter acertado seu lance inicial com Backrooms: Um Não-Lugar, tem potencial para algo muito melhor, dadas circunstâncias mais favoráveis, algumas, admitimos, totalmente em seu controle, mais importante, criativas. Já sabendo que é capaz de pelo menos estabelecer um clima adequado para um filme de suspense e terror, quem sabe ele acerta na próxima?
Produção da A24, Backrooms: Um Não-Lugar chega aos cinemas brasileiros no dia 28 de maio, quando será possível a todos atravessar a parede e verem por si só o que está por trás desse mistério todo.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Imagem Filmes pelo convite da cabine de imprensa para a produção desta crítica.

