Crítica: A Morte de Robin Hood explora uma versão diferente do herói de Sherwood

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Por mais que já tenhamos visto filmes sobre Robin Hood, um dos incrivelmente notórios personagens do folclore inglês, A Morte de Robin Hood, filme dirigido e escrito por Michael Sarnoski, estrelado por Hugh Jackman, à primeira vista, traz uma premissa que vai contra a curva. E se Robin não fosse o bom mocinho que todos os contos o fazem ser?

Baseada somente nesta ideia e depois de conferir o trailer, a expectativa era de assistir a um filme regado de sangue, com um bandoleiro cruel e seu bando de malfeitores tocando o horror na Inglaterra do século XIII, mas o que recebemos em A Morte de Robin Hood acaba indo muito além disso, concretizando uma versão repleta de nuances do personagem, em que, em seu final de vida, procura sair de cena de maneira no mínimo honrosa.

E é nisso que o filme se baseia. Sim, em seu início, há toda a violência esperada de onde foram arrancadas as cenas para o trailer, mas nas quase duas horas que o acompanham vemos um desenvolvimento interessantíssimo da personalidade dessa figura que há séculos vive na mente do público. A grande mensagem aqui é a de não se acreditar em todas as histórias que se ouve, mas que, talvez, haja uma pontinha de verdade aqui e acolá.

Não é surpresa que Hugh Jackman é o grande destaque da produção, afinal, o ator australiano há muito já provou que é um brilhante intérprete dramático, e aqui coloca todo seu talento para fora, apresentando uma versão envelhecida e repleta de cicatrizes tanto físicas quanto mentais de Robin Hood. Já faz muito tempo que o antigo líder do bando vive só, à espera da próxima vingança vinda de algum parente ou amigo de uma de suas inúmeras vítimas.

Nisso, temos a oportunidade de não só ver o desfecho de uma carreira de latrocínios e assassinatos de um grupo muito violento sob a perspectiva de seu cabeça, mas também do músculo, já que Pequeno John é o único que, junto de Robin, ainda vive, mas que decidiu deixar aquela vida para trás e formar uma família. Irreconhecível no papel, Bill Skarsgård (de It: A Coisa, entre outros) exibe os dois lados, tenro e absolutamente brutal, de um homem em busca de conciliação.

Procurando ajudar seu antigo colega de profissão, Robin é quase que mortalmente ferido, indo parar em uma congregação liderada pela irmã Brigid (Jodie Comer), conhecida por suas habilidades ímpares de cura. É lá que fica conhecendo outro paciente, chamado simplesmente de Leproso (Murray Bartlett), com quem depois de curado desenvolve uma amizade e relação de reparo mental, ao ajudá-lo a tratar os afazeres do local.

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Sobreviventes de uma vida violenta, Robin e John tentam encontrar um novo significado para suas existências em A Morte de Robin Hood.

Por mais que esperássemos um grande clímax no longa, com uma enorme batalha e ação desenfreada, o que é entregue ao invés disso é muito melhor. Uma jornada pessoal em busca de fechamento, e não necessariamente perdão por parte de Hood, enquanto tenta não transmitir todo o tormento de sua vida passada para a próxima geração, representada pela filhinha de John, a Pequena Margaret (Faith Delaney), que fica sob seus cuidados por grande parte da história. Seu papel como bandido pode até ter terminado, mas o de mentor, muito mais importante, é o que conclui sua trajetória como personagem aqui.

No decorrer de A Morte de Robin Hood, somos bombardeados por sua incrível ambientação, com localidades belíssimas da região da Irlanda do Norte, acompanhada de uma trilha sonora primorosa mas contida, com arranjos de corda e letras típicas celtas. Elas dão ao longa um peso ainda maior que a violência salpicada junto de diálogos profundos, especialmente entre Robin e Brigid, ao se conhecerem cada vez mais profundamente. Mesmo que relativamente longo, o filme não se amontoa, seguindo o ritmo natural do desenrolar desse final de vida do personagem.

A Morte de Robin Hood de fato subverteu nossas expectativas. Ao chegar esperando uma reinvenção forçada da lenda, saímos impressionados com o que foi entregue, algo que muito além de mera interpretação alternativa de um mito estabelecido, provou ser uma história que pode ser considerada atemporal, vista a transformação pela qual não só a atuação de Jackman passa, mas também a de todos que a testemunham e são influenciados por sua passagem. A mensagem final é, surpreendentemente, de esperança.

Produção da A24 e com distribuição da Imagem Filmes, A Morte de Robin Hood chega aos cinemas brasileiros dia 13 de agosto.

O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Imagem Filmes pelo convite para a cabine de imprensa para a produção desta crítica.  

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